terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Três decádas sobre a morte de Charles Chaplin


Charles Chaplin - o criador do simpático Charlot e uma das figuras mais marcantes da sétima arte - morreu há 30 anos, no dia de Natal de 1977

Nascido em 1889, em Londres, Charles Spencer Chaplin era filho de artistas do vaudeville londrino, e essa herança familiar acompanhou-o ao longo da vida, dedicada ao cinema.

Chaplin teve uma infância miserável e chegou a roubar comida para sobreviver depois de o pai ter abandonado a família e a mãe ter sido internada como louca.

Ainda adolescente, começou a trabalhar na companhia teatral de Fred Karno e, ao fazer uma excursão pelos Estados Unidos, em 1913, foi contratado por Mack Sennett para trabalhar na Keystone, o maior estúdio de comédias do cinema mudo.

Foi na Keystone que criou o personagem que o tornaria famoso: Charlot, o vagabundo, de bengala e chapéu-côco.

Em 1919 fundou a United Artists, em sociedade com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e David W. Griffith, e passou a produzir filmes de longa-metragem.

A par da sua actividade no cinema, Charles Chaplin manteve-se na ribalta com os sucessivos casamentos que teve, sempre com mulheres bastante mais novas.

Nos anos 1950, foi alvo de perseguição política pelo Comité de Actividade Anti-americanas, dirigido pelo senador Joseph McCarthy, que viu em dois dos seus filmes mais conhecidos, Tempos Modernos e O Grande Ditador conteúdos comunistas.

Impedido de regressar aos Estados Unidos, quando se encontrava em Londres a promover o filme Luzes da Ribalta, optou por se exilar na Suíça, onde ficou cerca de 20 anos até voltar de novo aos Estados Unidos, em 1972, para receber um Óscar pela sua carreira, atribuído pela Academia de Hollywood.

Charles Chaplin morreu no dia de Natal de 1977, enquanto dormia aos 88 anos, na sua casa, na localidade suíça de Vevey.

Lusa/SOL

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Rui Chafes - Escultor de ferro e palavras


O escultor Rui Chafes, 41 anos, vai apresentar Eu sou os outros, na Galeria Graça Brandão. A exposição inaugura sexta feira 23, e mantêm-se até 5 de Janeiro.

Diz:
Sou um escultor de palavras e ferro. É indissociável. Porque a palavra é o princípio de tudo. O seu poder evocador é mais forte do que o das imagens. A palavra molda a nossa natureza, os nossos limites e horizontes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Os fumadores são um grupo, têm espaços deles.

[Pablo Picasso - O Beijo]


O motivo de fumar acontece no intervalo da peça de teatro. Ela lá está com o seu cigarro entre os dedos como quem desafia, braço bem afastado do resto do corpo, suas pernas bem feitas fazem sobressair a saia justa e curta; sorriso é aberto, alegre, solto, os olhos são a continuidade do riso...
Ele finge que não a vê, finge que está concentrado no passado recente, fixa o cigarro como se este fosse a sua atenção, única atenção, finge, mas acompanha todos os gestos daquela mulher iluminada de dentro para fora, o contrário da luz que ilumina o actor, ali naquele momento havia luz própria naquela pessoa.
A peça era uma comédia russa, representada pela Cornucópia “A Floresta” de Aleksandr Ostróvski, o final deixa o espectador satisfeito de alegria, até a busca ao bengaleiro para o reaver dos confortos casacos é mais que suave e quente, cá fora está um frio húmido de Dezembro, o vapor d'água no ar é espesso e gélido, diferente do ambiente junto ao referido bengaleiro. Ele já ajudava na dança de vestir a envolvê-la com o casaco comprido que lhe dava um ar ex aristocrático importante; ela é linda, o timbre da sua voz deixa um eco, vibra um pouco mais, saem-lhe uns graves pouco femininos que lhe dão o que poderia faltar.
No gesto clássico do contacto e ficar a ver se há brilho nos olhos seduzidos, a mão dele evita dúvida, agarra-a, tinha a mão dela, na sua, agarrada com uma força que se pode soltar. O sangue dela faz sentir o coração, que o confunde ao pensar que é o dele, com a leve pressão. Não quer resistir, ergue-se nas pontas dos dedos nos finos sapatos e beija-o nos lábios com a intensidade suficiente para deixar aquele rasto sensacional de desejo.

Uma hora depois ficavam sentados frente a frente, entre uma pequena mesa redonda, os joelhos tocam-se quase permanentemente, as mãos iam ficando cada vez mais tempo nas mãos de cada um, riam, ela ria muito, a felicidade estava embutida naquele sorriso, interrompido, para mostrar se não estava a sonhar, saboreava o prazer de ter as mãos daquele belo e calmo homem, que a ouvia com uma atenção genuína. Tinham pedido duas tostas mistas e cerveja, fome da hora de ceia, eram duas da madrugada, limparam a espuma de cerveja da mesma forma, com a língua ao correr dos lábios e riram muito, seduziam-se duma forma desinibida e descontraída, os beijos nos dedos deram lugar a pequenas mordedelas desafiadoras ao tempo que não vinha. Ainda pede um café e a conta, paga, levanta-se e já ela se pendura no braço, atingido-o com beijos intensos de desejo.
Ele fuma tabaco de enrolar, tem 23 anos, estuda engenharia civil, chama-se Renato, cabelo curto bem tratado, moreno de olhos verdes, além da engenharia estuda piano no Hot Club. Militante de esquerda. Teresa, dois filhos, 35 anos bem tratados, ginásio, é tão alta quanto ele, cabelo castanho e olhos de um estranho castanho muito claro, andar seguro de quem é independente. Gestora numa entidade bancária, que pinta nos tempos de lazer, quando não está no ginásio. Fuma muito pouco, casada com um homem mais velho, que exerce funções como deputado europeu em Bruxelas.

Desejam-se na paixão da juventude de Renato mais a força da convicção de vida que tem Teresa...

... (Continua)

Abdul-Hamid

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

De verdade!

O sonho caiu à terra, num raio de sol
Quente e luminoso.


O silêncio é cortado pela voz natural
Do canto do rio e das aves.

Harmonia salpicada aqui e acolá,
Pela musica de um peixe
Que vem à tona só p’ra te ver.

Ali ficamos, estendidos, preguiçosos, na areia dourada

Pelo calor do sol a meio da manhã.

Agora, o sonho é lembrança da maior saudade.
Saudade de tudo.

O rio, a fonte…

A boca, as mãos,

Os afagos.


Como é curto o momento.
Ingrato, o tempo que não pára.

Mais rápido que um tornado
O sonho tornou ao céu,

Lugar dos sonhos vividos.


E lá, esperará por nós
Para se tornar real e eterno.
Como os sonhos de amor

De verdade


Abdul-Hamid

domingo, 9 de dezembro de 2007

Por onde viajo procuro...


Por onde viajo procuro... revolto até o grão de areia

No espaço…

O novo, a vontade de preenchimento daquilo que ainda não temos e vamos alcançar.

Jóias, monumentos e delícias... arrumadas, duma forma brutal ao canto interior da memória, continuam a ser jóias, e monumentos, e delícias. Agora nos misteriosos sonhos que construímos e fantasiam o futuro, até atrás do grão de areia removeremos.

No tempo…

Todos os momentos são importantes, se cada momento fosse tratado com a sensibilidade magnânima de vida. São os momentos todos, uns mais que outros que elaboram os sonhos construtores dos próximos momentos e sempre assim, até que pensemos.

Os momentos que perdemos não foram, simplesmente.


Abdul-Hamid

domingo, 2 de dezembro de 2007

Em todas as ruas...

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.

Mário de Cesariny

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

... numa brincadeira de mau gosto

Até quando vai a nossa sociedade de consumo, do negócio, portar-se com a imensa hipocrisia de que o Álcool não é uma droga perigosa. Basta!

Era um homem, tinha quarenta e dois anos e as pessoas da sua aldeia dizem à boca cheia que era uma pessoa pacata.
Depois de fechada a tasca às duas da madrugada e porque as pessoas na aldeia não têm mais nenhuma diversão. Os quatro canais de televisão em casa, a tasca e o trabalho. É a vida da maior parte das pessoas das aldeias e vilas de Portugal.
A festa tomara o auge depois do fecho da dita tasca, um companheiro teria comprado cinquenta garrafas de vermute para receber um blusão que a marca disponibilizara a troco das caricas das cinquenta garrafas e pronto ofereceu a quem quisesse tomar o gole, fantástico, cinquenta a dividir por sete ou oito indivíduos. Recusamos sequer o pensamento de que as pessoas têm a obrigação de saberem o que fazem, conhecemos bem e demais a poderosa droga para pensarmos que não pára quem quer e quando quer, não! É uma droga forte que causa habituação e aceite socialmente, mais, ainda persiste o lema que acaba por servir de pretensa desculpabilização; "quem não bebe, não é homem". Triste desta sociedade que impune a mentalidade pobre e assassina que ganha dinheiro com esse negócio.
Em Portugal há cerca de 700.000 (setecentos mil) alcoólicos, mas mais de 2.500.000 (dois milhões e quinhentos mil) sofrem directa ou indirectamente as consequências desse álcool consumido, mais grave, cada vez mais se começa a consumir mais novo e com a coisa da igualdade de géneros, elas também querem beber, portanto, as mulheres estão entrando na droga cada vez com mais intensidade e... assobiamos para o lado, não se passa nada...
Dois rapazes de dezassete anos, um adulto de vinte e dois, outro de quarenta, foram alegadamente os responsáveis pelo crime, foram? Bem já sabemos como somos para julgar, somos os melhores juízes do planeta, adoramos culpados e ainda melhor se os culpados moram ali ao lado, também, para que a novela fique bem composta, gostamos de sangue, mais sangue. Alcoolizados, portanto sem a consciência plena, quem sabe se até inconscientes, sabemos que muitas vezes o alcoólico faz coisas que nem soube que fez na realidade, amarraram as mãos e pés à mesma altura João Inácio, a um gradeamento, ao que se disse o homem sofreria de asma e quando pelo princípio da manhã o viram de novo continuava amarrado, mas morto.
O Estado português é culpado, compete-lhe fazer leis e criar condições para que as mesmas sejam aplicadas, com o sentido de proteger os cidadãos de qualquer agressão a que esses fiquem sujeitos. O Estado é conhecedor dos malefícios do consumo de Álcool, tem a obrigação de informar devidamente os cidadãos, sobretudo os mais novos; por exemplo como se exige com o tabaco a obrigação do alerta nos recipientes que o consumo de Álcool provoca danos físicos irreversíveis e pode matar. Proibir toda a espécie de publicidade ao consumo de Álcool, muito menos permitir que marcas organizem eventos culturais.
O Estado português é culpado!

(foto DN) adeus João Inácio, desculpa a brincadeira

http://www.esec-miranda-douro.rcts.pt/area%20escola/alcoolismo.htm

antoniomaia

sábado, 27 de outubro de 2007

Halloween em Lisboa com Moonspell no Coliseu

Com o «título» de Inferno em Lisboa , o espectáculo inclui actuações dos portugueses Moonspell, em apresentação de Under Satanae , e dos checos ROOT. Após os concertos, o colectivo de DJs Vanity Sessions toca no bar do Coliseu, onde se irá realizar também um «meet and greet» com os Moonspell.

Neste espectáculo, os Moonspell prometem apresentar na íntegra Under Satanae , o disco que sai a 15 de Outubro e que revisita o começo da carreira desta banda, nomeadamente a demo Anno Satanae e o EP Under The Moonspell .

sábado, 20 de outubro de 2007

Do Tempo de Quando

A RASGADA NUDEZ QUE NOS VESTE

São tantas as coisas a ditarem-me palavras. Só eu as escuto. Coisas prenhes de acção. Também há as prenhes de nada; são as que não guardam mistério.
É irresistível rasgar a cortina das coisas, deixá-las entrar, naturalmente, para se transformarem na maga sinfonia das palavras.
Preciso escrever.
Há um outro mundo onde as palavras moram, se acasalam e reproduzem. Há um outro mundo sem a roupagem das horas, do labor, de todos os deveres e de todas as obrigações, de todas as normas, de todos os comportamentos, de todos os parece mal e de todos os parece bem, de todos os almoços e jantares, de todos os conflitos, de todos os aniversários, de todas as mágoas…
Há um outro mundo que as palavras escritas transportam, porque carregadas de ti, de mim, de nós. É atingível esse mundo onde harpas e violinos trinam sempre que fazemos amor.
Preciso escrever para me esvaziar e voltar a encher-me. Quase sufoco de tanto que vou guardando no percorrer dum tempo dentro do próprio tempo.
Escrever permite-me atingir um estado de alma tocante na insatisfação da procura: a procura da palavra que alberga o tamanho do incomensurável mundo.
O outro mundo.
O mundo que, sendo temporal no existir, suporta a intemporalidade da memória ungindo-nos, a mim e a ti, com credos de vida, com aventurados trilhos, a rasgada nudez que nos veste.

Adelaide Graça

CONVITE
Dia 10 de Novembro, Livraria Bertrand C.C. Vasco da Gama, Lisboa, 17 horas, naquele Sábado, vai acontecer o lançamento, mais um, do mais novo livro de Adelaide Graça, "O Tempo de Quando".

PORQUE É ESTE O MEU CAMINHO

Mulher, com asas se gaivota ou de garça, tanto faz!
Não me imagino prisioneira em espaços abertos
a desperdiçar luz e vida que vêm dos filhos
que um dia pari.
Não me imagino prisioneira e sou prisioneira de tantas vezes.
Espontaneamente prisioneira!
Dum amor imensurável do qual não me imagina
a deixar de amar.

Porque é este o meu caminho.

Adelaide Graça


Penso que para dizer alguma coisa sobre Adelaide Graça, mulher, poeta, se pode partir deste seu poema; a recusa à prisão, de livre vontade presa, ao amor sem medida. Escrevendo. Preciso de escrever, são palavras da autora. A determinação pelo sonho da escrita, faz dela uma poeta de corpo e alma. A sua obra é prova do eco espelhado de quem lê as suas letras, suas sílabas, palavras, poemas.
Acabado de conhecer a sua escrita, aproveito o tempo de almoço em trabalho, para tomar contacto com os seus versos. Foi logo uma ligação muito forte, quase inexplicável, e a minha aproximação à poesia já tinha muitas raízes, não estava portanto estabelecendo um contacto virgem com aquela forma de escrita, não. As palavras dela passaram a ser minhas, também, queria-as para mim, eu teria dito exactamente daquela maneira sem acrescentar, nem tirar, nada! Não fui capaz de ir almoçar, devorei poesia naquele princípio de tarde, troquei o corpo pela alma.
Essa ligação foi, é e será muito forte, a minha admiração pela mulher, poeta, é de veneração profunda, sem perder o sentido crítico, deixo-me sempre levar pela música e sentido das suas palavras, num gozo incrível que só a leitura poética é capaz. Obrigado Adelaide pelas viagens que nos proporcionas a tão baixo custo, eternamente agradecido.
Ansiedade pelo novo livro, "Do Tempo de Quando", que sei não pertencer à família dos seus seis ou sete irmãos, já perdi a conta, de versos, a opção pela prosa poética não é uma novidade absoluta, no meio daqueles versos todos, lá vinha uma prosa intensa, capaz de fazer despertar os sentidos para o que está além do que os nossos olhos observam. Vamos agora aguardar pelo novo corpo de poesia que a Adelaide nos vai oferecer. Dia 10 de Novembro lá estaremos para a formalidade do lançamento, com a mesma pressa, com a mesma fome, o devoraremos.

antoniomaia



quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Levanta-te, ó milionário...


Não me conformo, não posso conformar-me... falarei, gritarei e nunca me calarei.
O que chorámos, baba e ranho da morte bárbara, ali em directo, do jogador de futebol Miklos Fehér do meu vermelho Benfica... e o que choramos da morte daquele operário? Que morreu a trabalhar. Quantos?
"Que morte? Daquele que trazia lancheira, daquele bruto que não lê Saramago, daquele que cheira a suor? Morte? de quem?"
O que é que fazem os senhores, burgueses de merda? Nada! a casa? o carro? a panela? o comboio? o caixão? Nada!
Parasitas miseráveis! Silêncio! Sim, calem-se! Por uns instantes de homenagem a mais dois operários que morreram a trabalhar. Construíam um condomínio para os senhores, que não produzem nada, morarem, com as suas famílias ricás... Ódio! Nojo!
Silêncio!

Setúbal: queda de muro faz dois mortos 2007/10/16 | 15:28 || Cláudia Lima da Costa , com Lusa
Acidente de trabalho em Setúbal deixa ainda um trabalhador com ferimentos graves. Operários abriam vala numa obra de construção de 12 vivendas. Muro com três metros de altura caiu sobre cinco funcionários. «Eu e outro colega conseguimos fugir porque estávamos a uma ponta». Três homens ficaram soterrados. Resgate levou três horas.

Morreram esmagados!

"Levanta-te, ó milionário,
Vai um enterro a passar;
É o corpo de um operário
Que morreu a trabalhar."

António Aleixo


Trabalho: 11 mortes por mês 2007/10/16 | 22:01 Até Setembro desde ano morreram em acidentes de trabalho 100 pessoas. Mais de metade dos óbitos ocorreram no sector da construção. Queda em altura e choque com objectos são as causas mais frequentes. Lisboa, Porto e Coimbra são os distritos com mais ocorrências.




Silêncio! Burguês parasita, clica agora no botão "play" acima, para escutares esse poema maravilhoso, escrito pelo enorme... operário... que o Mário Viegas faz o favor de emprestar a voz.
Silêncio!

O Operário Em Construção

Vinicius de Moraes

Composição: Vinicius de Moraes
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Apetece-me


A corrente transporta-me
até à foz.
Sinto-me mais perto de mim
envolta numa tertúlia,
onde tu apareces, em forma
de poema.
Apetece-me gritar.
Apetece-me amar-te.
Apetece-me voar.
Apetece-me beber a chuva,
o sol e o ar.
Apetece-me dormir contigo e
acordar na areia possuída pelo mar.
Apetece-me mergulhar
nas águas frias matizadas e
voar com as gaivotas para além
do oceano.
Não!
Eu vou gritar.
Eu vou amar-te.
Eu vou voar.
Eu vou beber a chuva,
o sol e o ar.
Eu vou dormir contigo e
acordar na areia possuída pelo mar.
Eu vou mergulhar
nas águas frias matizadas e
voar com as gaivotas para além
do oceano…
Agora sou eu,
envolta numa tertúlia,
onde tu apareces, em forma
de poema.


Adelaide Graça

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Honra ao camarada Che Guevara

Honra a todos os combatentes revolucionários tombados na luta pela liberdade!

Viva a Grande Revolução Global, contra os imperialismos!

sábado, 6 de outubro de 2007

Hugo Chávez

por IGNACIO RAMONET - Le Monde diplomatic

Poucos governantes, em todo o mundo, são alvo de campanhas de demolição tão odiosas como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Os seus inimigos têm recorrido a tudo: golpe de Estado, greve petrolífera, fuga de capitais, tentativas de atentados... Desde os ataques lançados por Washington contra Fidel Castro não se via na América Latina uma tal obstinação. São difundidas contra Chávez as calúnias mais miseráveis, concebidas pelas novas oficinas de propaganda – National Endowment for Democracy (NED), Freedom House, etc. – financiadas pela administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Esta máquina de difamação, que dispõe de ilimitados recursos financeiros, manipula os transmissores mediáticos (inclusive jornais de referência) e organizações de defesa dos direitos humanos, que por seu turno se alistam ao serviço de tenebrosos desígnios. Acontecendo também, ruína do socialismo, que uma parte da esquerda social-democrata junte a sua voz a este coro de difamadores.

Porquê tanto ódio? Porque na altura em que a social-democracia está a passar na Europa por uma crise de identidade, as circunstâncias históricas parecem ter atribuído a Hugo Chávez a responsabilidade de assumir, à escala internacional, a reinvenção da esquerda. Ao mesmo tempo que no Velho Continente a construção europeia teve como efeito tornar praticamente impossível qualquer alternativa ao neoliberalismo, inspiradas no exemplo venezuelano sucedem-se no Brasil, na Argentina, na Bolívia e no Equador experiências que mantêm viva a esperança de realizar a emancipação dos mais humildes.

A este respeito, o balanço de Chávez é espectacular, sendo compreensível que em dezenas de países pobres ele se tenha tornado uma referência obrigatória. Pois não reconstruiu ele, respeitando escrupulosamente a democracia e todas as liberdades [1], a nação venezuelana com novas bases, legitimadas por uma nova Constituição que garante a implicação popular na transformação social? Não devolveu ele a dignidade de cidadãos a cerca de cinco milhões de marginalizados (entre os quais as populações indígenas) que não tinham documentos de identidade? Não assumiu ele a empresa pública Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA)? Não desprivatizou ele e entregou ao serviço público a principal empresa de telecomunicações do país, bem como a empresa de electricidade de Caracas? Não nacionalizou ele os campos petrolíferos do Orenoco? Em suma, não dedicou ele uma parte dos rendimentos do petróleo à aquisição de uma autonomia efectiva perante as instituições financeiras internacionais e uma outra parte ao financiamento de programas sociais?

Foram distribuídos aos camponeses três milhões de hectares de terras. Milhões de adultos e crianças foram alfabetizados. Milhares de centros médicos foram instalados nos bairros populares. Foram operadas gratuitamente dezenas de milhares de pessoas sem recursos que sofriam de doenças da vista. Os produtos alimentícios de base são subvencionados e propostos às pessoas mais desfavorecidas a preços 42 por cento inferiores aos do mercado. A duração semanal do trabalho passou de 44 para 36 horas, ao mesmo tempo que o salário mínimo subiu para 204 euros por mês (o mais alto da América Latina a seguir à Costa Rica).

Resultados de todas estas medidas: entre 1999 e 2005 a pobreza diminuiu de 42,8 por cento para 33,9 por cento [2], ao mesmo tempo que a população que vive da economia informal caiu de 53 por cento para 40 por cento. Estes recuos da pobreza permitiram apoiar muito o crescimento, que nos três últimos anos foi, em média, de 12 por cento, situando-se entre os mais elevados do mundo, estimulado também por um consumo que aumentou 18 por cento por ano [3].

Perante tais resultados, sem falar dos alcançados na política internacional, será de espantar que o presidente Hugo Chávez se tenha tornado para os donos do mundo e seus fiéis acólitos um homem a abater?

Notas

[1] As mentiras a propósito da Radio Caracas Televisión foram recentemente desmentidas, tendo este canal retomado as suas transmissões por cabo e por satélite a partir de 16 de Julho.

[2] Mark Weisbrot, Luis Sandoval e David Rosnick, Poverty Rates in Venezuela: Getting the Number Right, Center for Economic and Policy Research, Washington DC, Maio de 2006, www.rethinkvenezuela.com/downloads/ceprpov.htm.

[3] Ler o dossiê «Chávez, not so bad for business», Business Week, Nova Iorque, 21 de Junho de 2007.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Junto a mim

As flores da erva de Outono
Murmuram baixinho --
"Como me são queridas
Todas as coisas mortais."

Wakayama Bokusui

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Gosto do treinador José António Camacho

Gosto do treinador José António Camacho. Gosto da frontalidade, gosto nas apostas nos mais jovens, que é demonstrativo de confiança, que automaticamente passa ao grupo, gosto das ganas, o jogador de futebol, como qualquer pessoa pode ter um dia não, mas tem de lutar pela posse da bola, correr, correr, correr, ganham muito dinheiro para serem passivos. Continuo a gostar dele quando abre as portas dos treinos, responsabiliza-se e responsabiliza os atletas e continua a demonstrar confiança, não tem medo que lhe vejam o trabalho honesto, tantas vezes proclamado pelos incompetentes, "prometo trabalho e só trabalho", depois fecham-se a sete chaves com medo de mostrarem o que fazem, ora que melhor demonstração de medo? que passa também para o grupo, além de não responsabilizar os atletas e eles gostam de serem vistos, são vaidosos por natureza, o que sem darem por isso trabalham mais e melhor. Em Portugal não existe nenhum treinador para a equipa profissional de futebol do S.L.Benfica, se excluirmos o Zé Mourinho, mas mesmo esse, por razões que não vêm ao caso... mas neste momento se o Camacho, por qualquer motivo tivesse de ir embora, queria muito que fosse o Luiz Felipe Scolari a treinar o meu clube, já digo isso há muito tempo. É um grande líder, privilegia quem trabalha e não tem medo, como foi dito atrás, desinibe o atleta. Como é natural nem sempre concordo com as suas opções, odeio quando vai buscar estrangeiros, quando não fazem falta, quero até dizer que quando o Pepe vestir a nossa camisola, deixarei de ver jogos da selecção, penso que neste momento se justificaria mais a convocação do Liedson que a do Pepe, temos centrais fabulosos, não precisamos de buscar estrangeiros. Por uma questão de princípios, não me interessa ganhar a todo o custo. Nem sempre concordo com as escolhas do seleccionador, mas admiro-o como líder, admiro-o como lida com a imprensa, admiro-o como lidou com a questão do guarda redes, nunca sujeito a influências, neste país de compadrios e corrupções. Ainda me lembro de o FCP não querer dar jogadores à selecção porque não convinha, depois o SLBenfica fez o mesmo e era o regabofe do costume, a selecção era uma espécie de uma coisa depois dos clubes, ele, o Luiz Felipe Scolari, acabou com tudo isso. Claro que foi e continua a ser uma luta a travar, então agora, depois de ontem, nem sei mesmo se ele vai ter condições para continuar o seu trabalho, pessoalmente duvido, mas foi muito engraçado ver os abutres da maioria dos jornalistas e comentaristas, que adoram sangue, abordarem o assunto. Fosse num outro país, o caso era passado o mais discreto possível, aqui quer-se sangue, muito sangue!

Já deve haver gente a chegar à frente os Oliveiras ahahahaha ainda se lembram dele? ahahahah Enfim...
Adorei aquela tentativa de soco, não me importava nada se ser comandado por homem que vive assim as derrotas, não me incomodou nada ver da maneira como ele agiu em defesa de um seu comandado, fantástico! Adorava de um dia vê-lo equipado à Benfica dar um soco no Liedson por esse se ter mandado para o chão dentro da área, adorava.
Obrigado Scolari por tudo o que fizeste a esse país tão pobrezinho de mentalidade, obrigado por teres dado a muitos, um motivo para serem portugueses, quando não tinham motivos nenhuns. Tens o meu apoio!

Viva Luiz Felipe Scolari!


antoniomaia

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Ilha de Tavira

Triste é apodrecer
Ancorado e amarrado,
No porto da saudade
E da esperança
Que tarda.

Abdul-Hamid

PS: Até Setembro...

sábado, 7 de julho de 2007

Testamento


Aos amigos (poucos), inimigos (nenhum, desconheço dada a insignificância que provocam), credores (tantos), familiares (numerosos como moscas), parceiros (incontáveis, de copo, de trabalhos, de sonhos, etc) e a quem mais possa interessar.

Venho, por meio desta (óbvio), comunicar-lhes meu falecimento.

Deixo esta em forma de testamento (“registrado em cartório do céu e assinado, Deus”) para se faça cumprir minha vontade diante das condolências tão típicas dadas aos, finalmente, vencidos. Também comemoro o desaparecimento de alguns semelhantes.

Morrerei, provavelmente de falta de ar, aos quarenta e cinco anos e, de preferência, numa segunda-feira, para dar-lhes alguma folga ao mais terrível dos dias semanais. Sim, o diagnóstico é infalível. Não cabe avaliar prognósticos.

Quero deixar claro que tudo que possa se aproveitar do meu corpo deve ser doado. De certo que não há muito. Mas, quem sabe, a ciência possa conseguir descontaminar alguma parte, ou mesmo encontrar algo ainda latente e útil. Vivo. Porque, de fato, não se morre de súbito. Venho morrendo há muito.

Que partes de mim seriam de alguma utilidade?

Se possível fosse o reuso dos meus braços, estes poderiam servir bem ao receptor. São fortes, bravos e não se fatigam facilmente das enxadas e dos abraços. De inteiro se aproveita. Dedos prescutadores que escafandrinham superfícies com a habilidade dos insetos notívagos. Tremem, por certo, mas até que, por tal, provocam risos e sensações vibrantes. Os punhos também têm seus valores. Flexíveis, sempre. Por entenderem na flexibilidade a verdadeira força. Inquebráveis, portanto. De resto, é força. A força oriunda dos afagos e proteções indiscriminadas.

Não relacionarei os órgãos putrefatos. Fígados encharcados de tóxicos. Pulmões arfantes pelos tragos e paixões incompreendidas. Coração abatido pelos sustos e sístoles de Sísifo. Pernas em embolias por não terem andado os caminhos que convidavam. Costas fracas de tanto se curvarem aos impérios e seus imperativos. Sequer suportaram a própria cruz. Bagagem indispensável a qualquer que exista.

Ah! Meus olhos. Estes bem que poderiam trazer alento a quem os recebessem. Pois vêem belezas tantas, mesmo em meio às desgraças, sempre graças perambulando os calçadões e praias do meu desejo. Não existiria infelicidade. Nunca. Cansados se o alcance é muito perto ou mal definido. Mas quanto aos horizontes e distantes sonhos, são lunetas postas na imensidão azul. Do mar. Do céu. Dou-os de muito bom grado.

Pertences? Cds, livros e a velha escrivaninha de meu pai. Obviamente serão das filhas. Primeiramente, a mais velha. Sequentemente, a menor, caso a primeira abra mão.

Quanto ao ato de despedida, peço que o façam da seguinte maneira: todos deverão estar descalços. Também deverão usar uniformes de mordomos ou empregadas, para que não haja destaque pela indumentária. Desvencilhem-se de títulos plausíveis aos mortos. Deixem que os sentimentos vistam a importância das coisas.

Não quero padres. De nenhuma espécie. Não respeito igrejas, menos ainda, seus representantes. Sejam elas quais forem. Budistas, metodistas, católicas, protestantes, todas. Contudo, acredito na santidade dos vinhos e similares. Bebam a vontade. Por mim.

À minha companheira, peço que se entregue ao primeiro que aparecer. Sei que estará, a princípio, bem infeliz porque muito me ama. Mas que continue se dando, indiscriminadamente, para poder gozar em qualquer corpo e, no campo das probabilidades, aumentar as chances do novo amor. Sei bem que as mulheres precisam disso. De um casamento, um elo mais forte, um porto.

No mais, plantem-me para adubar flores e plantas. Do esterco ao esterco. Eis a beleza incoercível da natureza.

Aluísio Aderaldo Martins Rodrigues - trabalha com projetos culturais e edição de livros de fotografia pela editora3x4. Escreve por diversão, dor, amor, ódio, enfim, escreve por pura emoção.

sábado, 30 de junho de 2007

FMI - Sempre actual


Estou cansado deste país, estou cansado deste governo.
Quando estou neste estado, venho ouvir este poema do Zé Mário Branco.

Obrigado poeta, por esse prazer tão grande de te ouvir.

Uma vénia
antoniomaia


terça-feira, 1 de maio de 2007

Viva o 1º de Maio Vermelho. Viva a Greve Geral!


Viva o 1º de Maio! Tal como há mais de cem anos em Chicago, os trabalhadores devem erguer a bandeira vermelha da redução do horário de trabalho, no passado pelas 8 horas diárias, hoje devemos exigir as 35 semanais. O progresso das condições de vida dos trabalhadores tem sido pouco, relativamente ao tempo e ao avanço tecnológico. Ainda mais grave é a distribuição social da riqueza produzida. Cada vez mais é exigido aos trabalhadores conhecimentos técnicos que não são correspondidos nos salários precários. Os compradores de trabalho não querem seres humanos livres, preferem ao contrário, escravos.
Que devemos fazer? queixar-nos que a burguesia inimiga é forte, fazem a lei, têm os meios de repressão e são os donos das empresas? Ou avançamos porque se faz tarde?
Em Portugal o atraso ainda é maior, comparando com os demais parceiros da União Europeia. O Governo Sócrates/Cavaco é fantoche nas mãos de Bruxelas. O Banco de Portugal nas mãos do BCE. Ambos os são às mãos do grande capital. É a sociedade capitalista. Com o argumento do défice exigem cada vez mais sacrifícios aos trabalhadores para satisfação das suas necessidades básicas (transportes, energia, saúde, alimentos e educação para os próprios e para seus filhos), que menos recebem pelos seus salários, que trabalhem até mais tarde (no dia e na vida), que paguem mais impostos, que se endividem ou emigrem se ficarem desempregados, que morram pelo caminho de ficarem doentes ou tiverem um acidente. É esse o papel do Governo e do Banco de Portugal, é para isso que os seus membros têm ordenados principescos, para imporem aos trabalhadores as ordens dos capitalistas, tudo sem “rupturas sociais”.
Não tenhamos ilusões numa eventual mudança de política deste governo, Sócrates/Cavaco, tem de ser derrubado e derrubado pelos trabalhadores. São os trabalhadores que devem dirigir os destinos do país segundo os seus interesses comuns, que são os interesses que servem a esmagadora maioria. E mudar este governo, para ir para lá outro igual do PSD ou do CDS, não tem nenhum interesse, pois já lá tiveram e aplicaram a mesma política.
São estas as razões porque neste 1º de Maio vamos juntar às reivindicações que unem os trabalhadores portugueses aos trabalhadores de todo o mundo, o apelo à Greve Geral que derrube o governo.

PELA SEMANA DAS 35 HORAS!
SALÁRIO IGUAL PARA TRABALHO IGUAL!
REVOGAÇÃO DO ACTUAL CÓDIGO DO TRABALHO!
GREVE GERAL PELO DERRUBE DO GOVERNO!

O POVO VENCERÁ!

Estás aí?



Está no tempo de agarrar a bagagem.
Há sempre, só, uma mala para a viagem.

Já vejo o rio à esquerda, largo,
É um mar, perfuma o sal.

O andamento já é lento
e foi tão rápido.
Está quase a parar.
Oiço e sinto o metal das rodas
nos trilhos, de aço.

Parou, é o fim.
Adeus...

Olá...
Estás aí?


Emanuel Nisa

O fim da história


Nasce-se, morre-se e nascem. Ou talvez a transformação seja permanente, afinal acabamos por ficar cá, aqui no planeta, pelo menos nesta dimensão.
Quando nasceu o Blogue "Escrita Acordadora", o espírito era a discussão, trocar ideias, mostrar a criatividade dos nossos amigos. Já não restava mais ninguém, aquele não tinha mais sentido, morreu... Teve o seu espaço físico e temporal, não sabemos mais dele, desapareceu, não sabemos para onde, mas estará algures no servidor, no infinito, estará com certeza absoluta. Paz à sua memória.
Agradeço de mãos postas e cabeça caída, curvando-me, numa vénia imensa a todos que participaram naquele espaço, filho de tantos amores, de tanta ternura e sofrimento, é assim; a intensidade que damos à vida, foi assim a dinâmica que empregámos às palavras, instrumentos sagrados, espelhos mais ou menos mentirosos dos sentidos e da alma.

E agora?

Nasce neste primeiro de Maio, mais este filho, também sagrado, também genuíno, certamente sofrido como serão as paixões intensas. Quando virmos oportuno convidaremos amigos para a discussão, para que a luz seja mais forte e tenha portanto ainda mais calor, pretendemos.

Uma vénia profunda de imenso reconhecimento.

antoniomaia