terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Três decádas sobre a morte de Charles Chaplin


Charles Chaplin - o criador do simpático Charlot e uma das figuras mais marcantes da sétima arte - morreu há 30 anos, no dia de Natal de 1977

Nascido em 1889, em Londres, Charles Spencer Chaplin era filho de artistas do vaudeville londrino, e essa herança familiar acompanhou-o ao longo da vida, dedicada ao cinema.

Chaplin teve uma infância miserável e chegou a roubar comida para sobreviver depois de o pai ter abandonado a família e a mãe ter sido internada como louca.

Ainda adolescente, começou a trabalhar na companhia teatral de Fred Karno e, ao fazer uma excursão pelos Estados Unidos, em 1913, foi contratado por Mack Sennett para trabalhar na Keystone, o maior estúdio de comédias do cinema mudo.

Foi na Keystone que criou o personagem que o tornaria famoso: Charlot, o vagabundo, de bengala e chapéu-côco.

Em 1919 fundou a United Artists, em sociedade com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e David W. Griffith, e passou a produzir filmes de longa-metragem.

A par da sua actividade no cinema, Charles Chaplin manteve-se na ribalta com os sucessivos casamentos que teve, sempre com mulheres bastante mais novas.

Nos anos 1950, foi alvo de perseguição política pelo Comité de Actividade Anti-americanas, dirigido pelo senador Joseph McCarthy, que viu em dois dos seus filmes mais conhecidos, Tempos Modernos e O Grande Ditador conteúdos comunistas.

Impedido de regressar aos Estados Unidos, quando se encontrava em Londres a promover o filme Luzes da Ribalta, optou por se exilar na Suíça, onde ficou cerca de 20 anos até voltar de novo aos Estados Unidos, em 1972, para receber um Óscar pela sua carreira, atribuído pela Academia de Hollywood.

Charles Chaplin morreu no dia de Natal de 1977, enquanto dormia aos 88 anos, na sua casa, na localidade suíça de Vevey.

Lusa/SOL

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Rui Chafes - Escultor de ferro e palavras


O escultor Rui Chafes, 41 anos, vai apresentar Eu sou os outros, na Galeria Graça Brandão. A exposição inaugura sexta feira 23, e mantêm-se até 5 de Janeiro.

Diz:
Sou um escultor de palavras e ferro. É indissociável. Porque a palavra é o princípio de tudo. O seu poder evocador é mais forte do que o das imagens. A palavra molda a nossa natureza, os nossos limites e horizontes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Os fumadores são um grupo, têm espaços deles.

[Pablo Picasso - O Beijo]


O motivo de fumar acontece no intervalo da peça de teatro. Ela lá está com o seu cigarro entre os dedos como quem desafia, braço bem afastado do resto do corpo, suas pernas bem feitas fazem sobressair a saia justa e curta; sorriso é aberto, alegre, solto, os olhos são a continuidade do riso...
Ele finge que não a vê, finge que está concentrado no passado recente, fixa o cigarro como se este fosse a sua atenção, única atenção, finge, mas acompanha todos os gestos daquela mulher iluminada de dentro para fora, o contrário da luz que ilumina o actor, ali naquele momento havia luz própria naquela pessoa.
A peça era uma comédia russa, representada pela Cornucópia “A Floresta” de Aleksandr Ostróvski, o final deixa o espectador satisfeito de alegria, até a busca ao bengaleiro para o reaver dos confortos casacos é mais que suave e quente, cá fora está um frio húmido de Dezembro, o vapor d'água no ar é espesso e gélido, diferente do ambiente junto ao referido bengaleiro. Ele já ajudava na dança de vestir a envolvê-la com o casaco comprido que lhe dava um ar ex aristocrático importante; ela é linda, o timbre da sua voz deixa um eco, vibra um pouco mais, saem-lhe uns graves pouco femininos que lhe dão o que poderia faltar.
No gesto clássico do contacto e ficar a ver se há brilho nos olhos seduzidos, a mão dele evita dúvida, agarra-a, tinha a mão dela, na sua, agarrada com uma força que se pode soltar. O sangue dela faz sentir o coração, que o confunde ao pensar que é o dele, com a leve pressão. Não quer resistir, ergue-se nas pontas dos dedos nos finos sapatos e beija-o nos lábios com a intensidade suficiente para deixar aquele rasto sensacional de desejo.

Uma hora depois ficavam sentados frente a frente, entre uma pequena mesa redonda, os joelhos tocam-se quase permanentemente, as mãos iam ficando cada vez mais tempo nas mãos de cada um, riam, ela ria muito, a felicidade estava embutida naquele sorriso, interrompido, para mostrar se não estava a sonhar, saboreava o prazer de ter as mãos daquele belo e calmo homem, que a ouvia com uma atenção genuína. Tinham pedido duas tostas mistas e cerveja, fome da hora de ceia, eram duas da madrugada, limparam a espuma de cerveja da mesma forma, com a língua ao correr dos lábios e riram muito, seduziam-se duma forma desinibida e descontraída, os beijos nos dedos deram lugar a pequenas mordedelas desafiadoras ao tempo que não vinha. Ainda pede um café e a conta, paga, levanta-se e já ela se pendura no braço, atingido-o com beijos intensos de desejo.
Ele fuma tabaco de enrolar, tem 23 anos, estuda engenharia civil, chama-se Renato, cabelo curto bem tratado, moreno de olhos verdes, além da engenharia estuda piano no Hot Club. Militante de esquerda. Teresa, dois filhos, 35 anos bem tratados, ginásio, é tão alta quanto ele, cabelo castanho e olhos de um estranho castanho muito claro, andar seguro de quem é independente. Gestora numa entidade bancária, que pinta nos tempos de lazer, quando não está no ginásio. Fuma muito pouco, casada com um homem mais velho, que exerce funções como deputado europeu em Bruxelas.

Desejam-se na paixão da juventude de Renato mais a força da convicção de vida que tem Teresa...

... (Continua)

Abdul-Hamid

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

De verdade!

O sonho caiu à terra, num raio de sol
Quente e luminoso.


O silêncio é cortado pela voz natural
Do canto do rio e das aves.

Harmonia salpicada aqui e acolá,
Pela musica de um peixe
Que vem à tona só p’ra te ver.

Ali ficamos, estendidos, preguiçosos, na areia dourada

Pelo calor do sol a meio da manhã.

Agora, o sonho é lembrança da maior saudade.
Saudade de tudo.

O rio, a fonte…

A boca, as mãos,

Os afagos.


Como é curto o momento.
Ingrato, o tempo que não pára.

Mais rápido que um tornado
O sonho tornou ao céu,

Lugar dos sonhos vividos.


E lá, esperará por nós
Para se tornar real e eterno.
Como os sonhos de amor

De verdade


Abdul-Hamid

domingo, 9 de dezembro de 2007

Por onde viajo procuro...


Por onde viajo procuro... revolto até o grão de areia

No espaço…

O novo, a vontade de preenchimento daquilo que ainda não temos e vamos alcançar.

Jóias, monumentos e delícias... arrumadas, duma forma brutal ao canto interior da memória, continuam a ser jóias, e monumentos, e delícias. Agora nos misteriosos sonhos que construímos e fantasiam o futuro, até atrás do grão de areia removeremos.

No tempo…

Todos os momentos são importantes, se cada momento fosse tratado com a sensibilidade magnânima de vida. São os momentos todos, uns mais que outros que elaboram os sonhos construtores dos próximos momentos e sempre assim, até que pensemos.

Os momentos que perdemos não foram, simplesmente.


Abdul-Hamid

domingo, 2 de dezembro de 2007

Em todas as ruas...

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.

Mário de Cesariny