terça-feira, 28 de outubro de 2008

Carta, a Rita

É utopia pensar numa sociedade, multi-cultural, organizada na planificação dos recursos, onde o trabalho faça parte duma vida feliz em harmonia com lazeres cada vez mais prolongados para nos conquistarmos a nós e aos nossos amores.

Desde muito novo que acho uma brutalidade as mães largarem os filhos em idade bebés. Os pais tem de ir trabalhar, infelizmente esta família doente produz esses desamores, com os mais velhos é nítido o interesse em a organização social cuidar mal deles dando perfeitamente a entender que quanto mais depressa morrerem melhor, analisando as reformas que as pessoas têm originadas por ordenados baixíssimos, quando as empresas devem milhões há segurança social; não pode haver desculpa, temos de produzir de qualquer maneira a efectivarmos uma vida digna a todos os humanos, senão somos muito irracionais e sem dignidade espiritual na relação com o nosso exterior que também somos nós!


Se for utopia, é um sonho tão nítido que me sinto muito bem a pensar assim, sabendo que somos cada vez mais a sentir o mesmo. Conhecendo um pouco de História e Presente, no progresso tecnológico, sabemos que é possível conquistar-nos. Tenho uma clareza quase absoluta que andamos meio perdidos numa selva cerrada fora do nosso ambiente, onde nem nos sabemos alimentar e o oásis está mesmo ali à vista pra além daquele ramo de arbusto onde pudemos brincar sempre.
As lutas são as Olimpíadas sem drogas, numa esperança de vida entre os duzentos e os duzentos e cinquenta, daqui a duas gerações. Risos.


É um lamento não semear esta ideia.

Venerando-te


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Alma minha, Braços teus...

hoje, se pudesse, vestia a Alma, olhava-me no espelho, desenharia e ensaiaria o melhor sorriso, plantaria felicidade pelo cabelo e sairia, julgando-me igual entre os demais.

e eles olhar-me-iam, acreditariam em mim como mais um, um qualquer, e sentir-se-iam regulares no ser e no estar.

os passeios empedrados seriam a minha confiança, a minha determinação, a minha aparência e a minha riqueza.

em casa, à noite, despir-me-ia. frente a ti, colocaria a minha Alma a nú, verdadeira e pura e choraria até ao outro dia a Dor de se me sentir condenado a não poder ser eu fora do teu olhar.

porque só os teus braços têm a medida para quem eu sou, a boca para me falar, o olhar para me receber, as palavras para me falar do que eu gosto, a atenção e o carinho para me compreender.

por isso a minha Vida é uma eterna saudade de viver cada dia esperando a noite para Ser.

Alma