terça-feira, 29 de dezembro de 2009

espero-te


não hesites.

anda e descobre-me como sou hoje.
recosto-me na cadeira e sonho como será a suavidade dos teus braços.

quase sem desejo, apenas nostalgia.
de um abraço perdido,
de um beijo esquecido,
de uma carícia guardada.

há palavras que nunca me disseram e que eu sonho tanto ouvir!...

mas não, não sei quais são.



surpreende-me.

conduz-me ao delírio do prazer em Amor.
mas deixa-me permanecer nos teus braços, aninhada…

e mesmo que sejamos pele com pele,
Funde-me em ti, sem ardor.

se não conseguires resistir,
peço-te apenas que não deixes de sussurrar o teu desejo junto ao meu ouvido.


e se não tiveres de parar, então não pares.                     Alma

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tu es ma came - Carla Bruni



Tu es ma came,
Mon toxique, ma volupté suprême,
Mon rendez-vous chéri et mon abîme
Tu fleuris au plus doux de mon âme

Tu es ma came
Tu es mon genre de délice, de programme
Je t'aspire, je t'expire et je me pâme
Je t'attends comme on attend la manne

Tu es ma came
J'aime tes yeux, tes cheveux, ton arôme
Viens donc là que j'te goûte que j'te hume
Tu es mon bel amour, mon anagramme

Tu es ma came
Plus mortelle que l'héroïne afghane
Plus dangereux que la blanche colombienne
Tu es ma solution, mon doux problème

Tu es ma came
A toi tous mes soupirs, mes poèmes
Pour toi toutes mes prières sous la lune
A toi ma disgrâce et ma fortune

Tu es ma came
Quand tu pars c'est l'enfer et ses flammes
Toute ma vie, toute ma peau te réclament
on dirait que tu coules dans mes veines

Tu es ma came
Je me sens renaître sous ton charme
Je te veux jusqu'à en vendre l'âme
À tes pieds je dépose mes armes
Tu es ma came
Tu es ma came

Vicio


Despertar de um desejo incontrolável, de um querer mais
Solta-se, vai até ti...
Por acção-reacção, respondes...
Respeitando as leis da física
A mesma direcção, sentido de atracção, a mesma intensidade
Direcção do amor, da partilha
Sentido de união, proximidade
A intensidade do querer, do prazer.

Em cada toque, em cada beijo, em cada sorriso, em cada olhar
Um turbilhão de emoções
Doce ternura, entrega altruísta, paixão ardente, amor vivido.
Cresce o vício, droga alucinante de viagens loucas, ressaca na ausência
Certeza incontestável de magia, delicioso devaneio.


- Meu amor, dás-te tão bem...- Meu amor, sou tua...
Palavras sentidas, vividas, ecoam
Quero mais, muito mais...
Meus mamilos rijos, enchem-te as mãos, percorres-me...
Desces ao ilíaco, articulação onde muito se passa
Sentes movimento inquieto de prazer....
Tua boca doce, queimando, procura a minha
Em súplica, fogo aceso, ficamos....
Excitante conspiração, terna cumplicidade
Aqui estou, em ti, para ti....

Vanda Romeu

domingo, 6 de dezembro de 2009

beija-me




Beija-me com a ponta dos dedos, percorrendo-me poro a poro, de arrepio em arrepio.

Escreve sobre mim carícias em pele de lábios, silenciosas, deambulantes pelas minhas curvas, perdidas nelas e tu em mim.

Depois, repousa a tua paixão na minha boca e conta-me segredos sem fim, frases só possíveis pelo delírio que sentimos…

Para que a minha boca sorria num beijo.

 E os meus beijos sejam lábios por ti. Perdidos.   Alma

sábado, 5 de dezembro de 2009

Beijo - Pedro Abrunhosa




Amo-te




AMO-TE
Guardado, silenciado, abafado
Entre encontros e desencontros
Proximidade e distância
Sonegado até ao limiar de nossas forças


AMO-TE
Exaltação de bocas ávidas
Corpos eclodindo de prazer anunciado
Como botões de rosa
Em êxtase, plena posse, aliança de almas


AMO-TE
Atordoados pela denúncia
Corpos revelam o sufocado
Vencidos pelo desejo
Em subsistência, pela inutilidade das palavras
Liberta-se em grito
AMO-TE


Vanda Romeu




sábado, 28 de novembro de 2009

dança em amor comigo


magia.


            poder.


                       íman.


                               caminho.
                                              sonho.


                                                         beijo.


                                                                  carícia.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  entrega.                                                


                                                                                          posse. 


pega-me e solta-me por dentro, como o fazes ao meu cabelo enquanto respiras sobre a minha orelha…

despe-me em botão, um por um, como se me libertasses do preconceito que me ata ao lá fora…

e beija-me a Alma como se eu fosse já pele queimada pela tua…

a seguir, roda-me como se fôssemos uma dança ensaiada nestes nossos gestos...

assim, devagar

as palmas das minhas mãos quase tocando-te no receio de me perder, quase aflorando e sentindo o teu calor, num quase afago, que temo vir a ser pressão na tua pele.

controlo-me...

são de novo as minhas mãos, prisão nas tuas.

força-me a hesitação.

roda a chave, lentamente, ainda nós em dança, ainda nós em ritmo desconhecido.

caminha comigo, abraça-me, acompanha-me... assim!

fecham-se-me os olhos ao mundo, à realidade, transponho a inconsciência e vogo no prazer consciente de sermos apenas tu e eu.

és já esta secura de boca, os meus dedos presos em ti, presos nesta dança que, desejo, não acabe…

e aprendo a dança do amor que és em mim, cadenciada ao ritmo dos corpos, do desejo, sem voz…

                                             … apenas medida na vontade voraz das bocas que se calam em união...  Alma

 

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Viagem


viajo
numa ida sem regresso

o toque ardente das tuas mãos percorre-me o corpo
como praia em busca do Sol
queimando

nas chamas do desejo, revivo teu cheiro inebriante
como se aqui estivesses

sinto a tua presença, na tontura da lembrança,
arrepiante e tão real

nesta deliciosa alienação, tu vens
entras dentro de mim, por insana invocação

dou-me, sou tua, até à alma

entregues a extrema rendição
subjugados ao prazer, num delírio imaculado
só nosso e para nós

todos os centímetros da minha pele se te entregam
em magnetismo e estonteante loucura

teu beijo guloso guia esta dança
transbordo de paixão
transporta-me para além do infinito
mais longe que a mais longínqua das estrelas

nesta viagem sem fim


Vanda Romeu

terça-feira, 24 de novembro de 2009

se me desses um abraço






Pelo que se perde

Pelo que nunca se recupera

Pela Dor

Pela desconfiança

Pela perda do Silêncio

Pelos rumores que massacram a Alma

Pelos beijos que nos recusam

Pelas palavras mudas em ouvidos surdos

Pelo que deixamos de ser mesmo que o neguemos

Por ti

Por mim

Pelas palavras que nunca mais te dedicarei...

Olha, pelo Nada a que nos relegaram.



Alma

domingo, 22 de novembro de 2009

Meu Cacho de Beijos






Minhas penas soltas, dores deixadas pelo ar
Abro a janela da Vida e incito-as a voar.
E vens tu e o rubro da tua boca
Abraçando a minha, entreaberta e louca.
Anda até mim e mergulha neste céu
Que o Paraíso começa assim,
com o teu corpo no meu.

Alma

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

as palavras que te envio

Foto:shark


e concluo sobre o poder das palavras.



amamos, desejamos, sonhamos por causa das palavras. são elas o princípio e o fim.



oidotsuc... são elas, também,uma parte do sentido da vida. trocamos palavras sem termos rosto no entanto, adivinhamos o sorriso na boca do outro. e sentimo-nos bem.



sublime, este verem-nos por dentro, pelas palavras que espalhamos. encontro de almas à distância, reconhecimento no outro de uma parte de nós.



e sim, é ternura, e também desejo, o que nos acompanha quando, a sós, nos recolhemos por entre os lençóis e sorrimos no conforto das palavras que nos foram oferecidas... e sentimos que nunca estamos verdadeiramente sós. à distância há alguém que sabe que existimos, que pensa em nós, nas próximas palavras que nos escreverá. 



é o domínio do sentimento sobre qualquer deserto inóspito.



 Alma



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

meu amor quando tu quiseres


o som da tua voz chega-me em odores de paraíso, azul e ouro.

és este bafo quente que me invade,

oscilante, procurando rumo,

um norte, até me encontrar e perder-se em mim.

resvalas em curvas e contracurvas que sou,

sem bússola, ao acaso…

não, não a procures.

deixa-nos, entrega-te, solto, à deriva, comigo...

contigo não me interessa o mundo, as
normas, o certo.

paredes de quarto que sou e

em que te acolho,

paraíso de cheiro de incenso,

loucura-aroma feito

inconsciência...

apenas as formas se encontram , em delírio, à beira dos nossos 

limites…

cais por mim e eu acolho-te, procuras-

-me e eu revelo-me.
e é em paraíso que te recebo.
 
minha sensibilidade eleita,  
 

ternura que nunca tive, 

carinho antes sempre

negado.

e sou esse espaço deitado ao teu lado,

o mesmo que tu ocupas quando o frio te invade,

quando o Amor te falha.

e, sem recusa , aguardo-te,


presença sempre certa nos teus devaneios,

conforto depois de em ti ser-mundo,

Amor quando tu quiseres.                    Alma

terça-feira, 13 de outubro de 2009

rendida, rendição, rendo-me

Emilia Castañeda

sinto a envolvência da tua presença, como braços que me dominam e subjugam à tua vontade, mão que és por mim-fora, pele colada, fundida em mim, impressão digital perdida, algures, em nós.

côncavo e convexo acertados pelo desejo, numa dança sem par, de música quase inexistente, tocando no entre-nó, para Nós, em surdina.

ouço a tua voz que quase esqueci, sem calor de alma pois que agora és só cheiro, vontade e ternura.

e saber que desígnios, que forças trazes em ti que me fazem acreditar em não te vás embora, não me deixes, como toques de sinos numa alma já finada pelo desprazer.

e como me daria!..., como seria, como me descobriria para ti, para que soubesses, para que acreditasses, para que fosses e tu sendo comigo…

tu, minha alma, espaço interior em mim, força estranha e também esquecida pela vida, que assim me domas à tua vontade como me domas nos teus braços, prendendo-me e soltando-me no desejo que sonhas pelos dois.

contigo serei, Sou.

e nada temo. permaneço, recuso a saída. só não sei porquê.



Alma

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aos que vierem depois de nós


Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranquilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.

E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.

Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.

Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.

Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.

Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais frequentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.

Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

Bertolt Brecht
                                                      (Tradução de Manuel Bandeira)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Quando tudo parece parar


À noite

quando tudo parece parar
marco encontro com o meu amor.
Deito-me com o silêncio
solta dos sentidos.
Entrego-me.
Oiço vozes e gemidos
passos apressados
respiração ofegante.
A natureza estremece.
Sinto um abraço vindo de longe
de muito longe...
Doutro mundo
onde o sol adormece
devagarinho.
Onde os corpos se arrastam
frios, enlameados,
num chão feito de guerra.
E quando tudo parece parar,
num espaço feito do nada,
o arfar suplicante
confunde-se com o meu.
Ouço gritos de amor. Perdidos.
Sem ninguém.
Lá onde o sol adormece,
devagarinho!

Adelaide Graça

quarta-feira, 8 de julho de 2009

rasgo-me


Na boca que se fecha, no olhar que enclausura as lágrimas, no peito que se tapa com tule de viuvez, no ventre tornado casto, no grito que não solto, no silêncio que aumenta a pressão do ar que respiro.

Na Alma que se recusa.

Tudo em mim é rasgo. Rasgo pela saudade que deixas como rasto na secura de um deserto, como sulco do corpo em sangue que negaste por falta de fé.

Serei ainda rasgo nas noites em que fincar os dedos no teu lugar vazio e inspirar o perfume perdido na almofada que não utilizaste.

E no meu acordar cravarei as unhas nas mãos que beijavas com esse riso rasgado de adoração agora incompreendida.
Alma

quarta-feira, 10 de junho de 2009

chamo-te em silêncio


Que segredos contarias tu sobre a minha boca entreaberta, o teu hálito sobre o meu, salivando, provando, degustando o mais amor que nunca dei, o carinho que o cego desejo esqueceu, sempre ansioso, possessivo...


Pudesse eu conciliar em breves momentos contigo a intensidade que os meus sentidos encerram dentro de si. Seria como o mel-seiva de quando te penso, quase sentindo a leveza das carícias que de ti prevejo.

E chamo-te em silêncio, sentindo este sol que me abrasa as costas enquanto, estendida no areal, espreguiço o sonho e o desejo da tua ausência, evocando memórias que a ondulação quase inexistente transforma no sussurro das palavras com que me embriagas. Alma

segunda-feira, 11 de maio de 2009

serei verbo

Serei Verbo antes do Amor que te darei em corpo, também ele feito de palavras mas mudas, idealizadas antes em gestos que só a pele conhece, que só o desejo dita.

Serei também Verbo sobre os teus lábios, quando eles sussurrarem o meu nome, em delírio, os teus sentidos rendidos aos meus gestos, como palavras de uma língua reinventada sobre a tua nudez e a minha, ao sabor do ritmo dos corpos

E serei ainda verbo nesse grito mudo, quando me completares em ti, quando me venceres, quando me deres todas as respostas às perguntas que eu nunca te fiz, sujeita a um sonho pela espera desse momento em que serei finalmente norte de um barco atracado ao cais do amor e da vida. Alma

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"ADAMASTOR"

Aqui jazo acorrentado
Imenso e disforme talhado
Fero e agrilhoado
Cego e imóvel fundeado

Ao abismo ancorado
Lanço falésias de entranhas
Cabeleiras de ravinas ergo coroado
Enseadas de membros são da vontade perigosas manhas

Por entre abruptos escolhos
Assoviam temporais tenebrosos
Longe vogam perscrutadores meus olhos
Que arremessam furiosos terrores nebulosos

Na lonjura do horizonte e da bonança
Permaneço magestático e silencioso
Como sentinela a moldar a temperança
Que só a Neptuno devo jugo cioso

João Coelho da Rocha