sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

rendição

... tu aqui, à minha porta...


sem sorrisos, sem uma palavra. entras com a mesma naturalidade de sempre, a da certeza da conquista, do sentimento...

fico em silêncio, fixa no teu olhar. enlaças-me pela cintura e puxas-me para ti. não resisto, a minha cintura cede, o meu corpo rende-se...

mergulho no teu peito e inspiro a ternura quente da tua camisa, das formas que ela esconde e que eu adivinho, que torturo nas minhas mãos, marcantes...

não te abraço... quero ser apenas cedência, vontade oculta, não to dar a saber.

os teus dedos mergulham no meu cabelo, inspiram-no, sentem-no, puxam-no, aproximo-me...

os teus lábios respiram sobre os meus e eu retenho-os entre os meus dentes. trilho-te em vontade, humedeço-os suavizando a dor. e, nesta troca de humidades, sinto a roupa que desliza de mim, arrastando a contenção...

e fico assim, livre, em entrega completa e rendição. 

Alma

terça-feira, 30 de novembro de 2010

e se tu fosses o meu mundo redondo

e se fosses tu esse meu mundo redondo... linear, justo, ajustado a mim, ao que começo a pedir à vida, perdida que está uma parte, violada, desintegrada...

e se fosses tu esse círculo protector à minha volta, fechado mas pleno, sem arestas, rebordo que eu percorreria com as minhas mãos, como se acaricia o extremo de um copo de cristal, sabendo que não se encontrará irregularidades, suave ao toque da polpa dos dedos, inocente no toque dos lábios.

e se essa linha contínua, fina, nunca se quebrasse, pela força que envolve, pelo tudo que abraça, sorriso dos meus dias, sonho de uma vida.

e se fosses tu, homem, a minha quimera... o que faria eu?

nada, absolutamente nada.

apenas que me fosse concedida a eternidade que seria a tua também, para poder estar do teu lado até que precisasses de mim.

mais nada.

o mais seria O Tudo, só e entre nós.

Alma

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

vem, meu rio de sensações...

vem, meu rio de sensações, cavalo louco a trote pelos meus sentidos.
                  sinto-te transbordante pelas margens do meu  corpo, transpirando  em mim, fazendo-me resvalar por ti, minha fonte de prazer.

e eu Mulher fluida no rio de prazer em que te escoas, sinto-te profundo em mim, suspirando, ofegante, nesses rápidos de prazer que nos projectam pelo outro, que nos  arrastam em desordem pelo leito sem norte, tu proa, eu ré, tu ré na minha proa.

                                               e de sentidos perdidos, quais sensações únicas do prazer por  dar prazer, encontramo-nos, uníssonos, nesse porto mais além, mais fora do horizonte, onde chegamos sem desejar voltar.         Alma

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

a teu gosto

 Rupert Bunny


suave, leve, discreto, sorridente, próximo, toca-me, puxa-me, leva-me, transporta-me, terno, carinhoso, sussurro aos meus ouvidos, boca húmida na minha orelha, na minha boca, força-me, lento, decidido, vergo, sou, gemo, vou, leva-me, arrasta-me pelo solo, pela cama, esquece a delicadeza, vira-me, revira-me, possui-me, consome-me...


viste? já não sou eu... arranca-me o tempo, o espaço, o que me faz sofrer, a dor, nessa dimensão que só tu conheces...

quem sou? Mulher, apenas Mulher.
 
Alma

domingo, 14 de novembro de 2010

jardineiro...

Jardineiro, amas todas as flores
A cada brisa dançam, graciosas pelo carinho.
Sorriem à tua chegada, ao primeiro raio de Sol.
Sonham a tua voz de mel,

Anseiam o amanhecer, sentir-te, ter -te.

Quiseras-me flor do teu jardim.
Inundar-me com beijos,

Com tuas mãos, calor e entrega,
O verde do teu olhar me faria medrar…


Quando o meu tempo passasse,

Recolhias as minhas pétalas secas, no meio de um livro.

As pétalas caem-te no colo,
Segura-las com suavidade,

Acaricias com a ponta dos dedos,
A lembrança abre-te um sorriso doce e malandro,

Soltas em suspiro,
Linda flor tive no meu jardim
!
Vanda Romeu




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

caminhos impensados

Nestas viagens por caminhos impensados
o fascínio está na incerteza duma próxima vez.
De contrário seriam caminhos pensados.
Nas noites de maré vaza há pedras que se despem
e mostram-se na luz morna de lua sem ser cheia.
Num barco de remos que por ali pernoita
dormem carícias que a noite afaga
em corpos que a maresia lambe.
Caminhos impensados mais parecem artérias pulsantes
à descoberta da ilha dos amantes.
Marcadores de tempo e de território
não são pensados nos caminhos impensados.
Basta seguir os contornos do momento
em atalhos de esplendor difuso
e escutar os sons cativos da expectativa
e sentir-nos e chegarmos lá...

O fascínio está na incerteza duma próxima vez
nestas viagens por caminhos impensados.

Adelaide Graça

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

as tuas mãos que eu penso

fala-me das tuas mãos, da sua brancura, da sua suavidade quando exploram pele desconhecida... de como correm lentas, de curva em curva, de poro em poro, como crianças felizes brincando ao fundo do jardim, desejosas da descoberta de terreno inexplorado...

como gosto dessa calma... sinto-as suadas na ansiedade contida, deslizando enquanto saboreiam cada parte de mim... e eu, em deleite, passo a língua pelos lábios secos de dormência e prazer.

e avanças, sempre calmo e suave, contornas-me os ombros, a curva do pescoço, o rosto até à boca que, em delírio de dentes, te morde os dedos um a um.

prendo-as. olho-te no fundo dos olhos com que me desejas e invado-te com as minhas. seguro-te. sonho domínio, subo e desço por ti com toda a vontade que tenho, fazendo do meu corpo as minhas mãos. quero tudo e as minhas são demasiado pequenas...

lentamente... tão bom este sentir em pormenor, também nos teus olhos que sorriem, na tua pele que se arrepia e se crispa à minha passagem, em gestos lentos e felinos.

e serão elas de novo, no teu acordar, esperando-te com a refeição da manhã. sentam-se ao teu lado, partilham o momento contigo e seguem-te para onde fores, seguras às tuas. leva-as para onde as queiras levar.

são eu em ti, aquecendo-te o corpo e a alma.

Alma

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

tu, no altar em mim


acto de silêncio



         cada momento teu em mim, celebrado aqui, como oferenda no altar do amor.

                                                                                                                           Alma

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"quando os olhos se me cerram de desejo..."

Richard YOUNG

"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti... "

Florbela Espanca


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

apetecem-me


Apetecem-me as tuas mãos sobre as minhas ancas.

Centro de mim, pendular, rendido a esse contacto do teu corpo contra o meu, trepando por mim, resvalando, subindo e descendo de novo em curvas e contracurvas, em circunvalações e baixios.

Afunda-me e penetro-te em pele, encontras-me e entrego-te o abismo que sou e tenho...

Loucura e Paixão…

Tudo se reduz a esse centro de mim, onde me divides, onde me uno a ti, onde consolidamos o Todo de sermos dois.          Alma

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tão-somente

Roberto Liang

Quero-te tanto com a alma como com o corpo

O aconchego de palavras, dilui a distância física, estás aqui
Tão próximo, se uma brisa levantar os meus cabelos te tocarão

Na ilusão que tudo controlamos, julguei que podia amar-te apenas pelo desejo carnal…
Risos meu amor, que riso! Quanto me enganei!

Quero meu amor, quero muito a tua carne na minha, o teu corpo me cobrindo, as tuas mãos nesse toque teu, a tua boca quente num beijo molhado, a tua carne.

Tencionava desejar-te tão-somente com o corpo… risos meu amor!

Veio, com devoção, a afeição, o carinho que me dedicas, a ternura que retribuo, um estar bem pelo teu bem-estar… Sorrateiramente.
Um sentimento, tão terno quanto ardente, um desejo de alma.

Tinha que te dizer meu amor


Vanda Romeu


Michael Parkes

domingo, 17 de outubro de 2010

sem demora!

entrelacemos os nossos desejos
e nossas vontades
até à quimera de tudo poder,

















na loucura de tudo desejar ser.
Alma

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

desde nunca e agora

copyright by Christine Kessler

em mais momentos do que me dou conta,

                                                                             a Vida

         tem agitado a minha sombra...

                  gritado à surdez da minha teimosia...

                        sorrido perante a impassibilidade do meu olhar...

hoje, agora... desde que me reinventei, Sou toda eu desperta, oferta sobre altar que me traga  a rendição.

                  Alma

sábado, 9 de outubro de 2010

as palavras que te envio


e concluo sobre o poder das palavras.

amamos, desejamos, sonhamos por causa das palavras. são elas o princípio e o fim.

oidotsuc... são elas, também, uma parte do sentido da vida. trocamos palavras sem termos rosto no entanto, adivinhamos o sorriso na boca do outro. e sentimo-nos bem.

sublime, este verem-nos por dentro, pelas palavras que espalhamos. encontro de almas à distância, reconhecimento no outro de uma parte de nós.

e sim, é ternura, e também desejo, o que nos acompanha quando, a sós, nos recolhemos por entre os lençóis e sorrimos no conforto das palavras que nos foram oferecidas... e sentimos que nunca estamos verdadeiramente sós. à distância há alguém que sabe que existimos, que pensa em nós, nas próximas palavras que nos escreverá.  

é o domínio do sentimento sobre qualquer deserto inóspito.

 Alma

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

acto sublime de amor pelas palavras

Sublimação das palavras em mim, com que Amo, com que toco quem amo.

Chego onde quero com as palavras, esvaio-me, elevo-me, subo, alcanço e sempre tão alto, irreal.

Com elas sou…

O gesto que não te chega vencendo a distância que nos separa;

A vontade descrita em gestos de Amor que tu sentes, cerrando os olhos, abrindo os teus sentidos;

O beijo que atiro, em boca rubra a cores de lápis, desenho singelo da minha mãos;

O meu olhar em Alma que tu lês pelo brilho com que te fixo;

Cada momento de Amor ainda por fazer e que tu já conheces tão bem nos meus delírios perdidos em palavras com os teus, enquanto me juras, jurando-te meu.


Com elas venço a vida, fazendo poesia como quem faz Amor.
Alma

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O motivo de fumar acontece... (conto erótico)


O motivo de fumar acontece no intervalo da peça de teatro. Ela lá está com o seu cigarro entre os dedos como quem desafia, braço bem afastado do resto do corpo, suas pernas bem feitas fazem sobressair a saia justa e curta; sorriso é aberto, alegre, solto, os olhos são a continuidade do riso...
Ele finge que não a vê, finge que está concentrado no passado recente, fixa o cigarro como se este fosse a sua atenção, única atenção, finge, mas acompanha todos os gestos daquela mulher iluminada de dentro para fora, o contrário da luz que ilumina o actor, ali naquele momento havia luz própria naquela pessoa.
A peça era uma comédia russa, representada pela Cornucópia “A Floresta” de Aleksandr Ostróvski, o final deixa o espectador satisfeito de alegria, até a busca ao bengaleiro para o reaver dos confortos casacos é mais que suave e quente, cá fora está um frio húmido de Dezembro, o vapor d'água no ar é espesso e gélido, diferente do ambiente junto ao referido bengaleiro. Ele já ajudava na dança de vestir a envolvê-la com o casaco comprido que lhe dava um ar ex aristocrático importante; ela é linda, o timbre da sua voz deixa um eco, vibra um pouco mais, saem-lhe uns graves pouco femininos que lhe dão o que poderia faltar.
No gesto clássico do contacto e ficar a ver se há brilho nos olhos seduzidos, a mão dele evita dúvida, agarra-a, tinha a mão dela, na sua, agarrada com uma força que se pode soltar. O sangue dela faz sentir o coração, que o confunde ao pensar que é o dele, com a leve pressão. Não quer resistir, ergue-se nas pontas dos dedos, nos finos sapatos e beija-o nos lábios com a intensidade suficiente para deixar aquele rasto sensacional de desejo.

Uma hora depois ficavam sentados frente a frente, entre uma pequena mesa redonda, os joelhos tocam-se quase permanentemente, as mãos iam ficando cada vez mais tempo nas mãos de cada um, riam, ela ria muito, a felicidade estava embutida naquele sorriso, interrompido, para mostrar se não estava a sonhar, saboreava o prazer de ter as mãos daquele belo e calmo homem, que a ouvia com uma atenção genuína. Tinham pedido duas tostas mistas e cerveja, fome na hora de ceia, eram duas da madrugada, limparam a espuma de cerveja da mesma forma, com a língua ao correr dos lábios e riram muito, seduziam-se duma forma desinibida e descontraída, os beijos nos dedos deram lugar a pequenas mordedelas desafiadoras ao tempo que não vinha. Ainda pede um café e a conta, paga, levanta-se e já ela se pendura no braço, atingido-o com beijos intensos de desejo.
Ele fuma tabaco de enrolar, tem 23 anos, estuda engenharia civil, chama-se Renato, cabelo curto bem tratado, moreno de olhos verdes, além da engenharia estuda piano no Hot Club. Militante de esquerda. Teresa, dois filhos, 35 anos bem tratados, ginásio, é tão alta quanto ele, cabelo castanho e olhos de um particular castanho muito claro, andar seguro de quem é independente. Gestora numa entidade bancária, que pinta nos tempos de lazer, quando não está no ginásio. Fuma muito pouco, casada com um homem mais velho, que exerce funções como deputado europeu em Bruxelas.

Foram rápidos a decidir o destino imediato, Motel, apontaram para a estrada de Sintra e mais nada os faria demover de satisfazer o desejo enorme e quase incontrolável de se trocarem no mais puro sexo. Àquela hora o trânsito era pouco por isso a velocidade foi aos limites. Teresa surpreendeu, sua mão esquerda acariciava ao de leve do joelho até à virilha e voltava, Renato, sempre muito atento à estrada, lá se ajeitou de forma até o seu já grosso membro ficasse de maneira a ser contemplado com a carícia, mesmo dentro daquelas apertadas calças de ganga. Ao mesmo tempo que as suas mãos estonteantes brincavam com o sexo da rapaz, beijava-o nos lábios até se deixar escorregar pela barriga dele, quando correu o fecho das calças já o pau duríssimo dele saltava cá para fora ávido de tesão por aquela boca que em segundos o sugava, o lambia, o beijava, deixando-o ainda mais forte e rubro, o desejo transformou-se em loucura. A viagem do centro de Lisboa até ao Motel Requinte, já perto de Sintra, foi agitada, rápida e quase sem fim, tal o bruto desejo marcado pela cadência do movimento daquela boca de lábios gostosos. Todo o Renato era um imenso sexo, Teresa, era como ele sonhava, dele.

Assim que fechada a garagem privativa as roupas de um e outro eram arrancadas ao som de gemidos e beijos, em pouco tempo os gemidos passaram a gritos, o cheiro a cio tomou conta do ambiente. Renato acariciava os seios rijos e os mamilos tesos enquanto lambia e chupava o grelinho de Teresa que toda se contorcia de um prazer indescritível. Ele, num passo quase de tango agarrou-a muito bem e com força, virou-a e penetrou-a até bem ao fundo daquela vagina quente e encharcada de tanto desejo, estava louca como ia dizendo porque aquele membro maior que o normal conseguia atingir a profundidade da Alma. Não pares, não pares... eram as palavras que saiam a muito custo entre os gemidos roucos e prolongados, de joelhos com as pernas bem abertas, todo ele entrava e saía num movimento seguro e forte bem agarrado às ancas dela, a respiração de ambos acelerava até ao momento em que ela explodiu num orgasmo trémulo e demorado, todo aquele belo corpo estremeceu às sacudidelas e gritos de delícia, delícia, amor, amor... Renato beijou-a com a ternura que indiciava que aquele seria o primeiro de mais orgasmos que ainda haveriam de vir, certeza que Teresa sentiu muito bem. Tão bom, meu amor, disse-lhe ela com os olhos semi cerrados muito perto dos dele e com um sorriso de prazer nos lábios, que devolveram de seguida aquele beijo avisador.



Enquanto aquela mais que linda mulher nua se levantava elegante e de devagar caminhava para debaixo do chuveiro, ele, ao som da música suave do rádio manhoso oferta do Motel, lá começou a desfazer um pedaço de cannabis na forma de haxixe e a enrolar naqueles seus cigarros... ela veio e foi ele,  enrolados nas toalhas brancas lá acenderam o cigarro bom, nem falaram sobre o assunto, ao aquecer o haxixe logo veio aquele aroma intenso que ela conhecia muito bem e só pensou que ainda bem que ele ali tinha o produto, tiraram umas passas um ao outro e ali ficaram com os seus pensamentos em alta e relaxados ao máximo, que momento de calma e de tanto prazer, são esses os momentos que tanto falam os poetas, dois corpos, duas vidas, duas almas procurando o conhecimento carnal um do outro, simplesmente. Tás bem? Perguntou ele. Ótima, respondeu ela, sem nenhuma dúvida...

Sem nenhuma culpa, Teresa lá foi com a sua mão elegante de dedos finos e unhas tratadas com a classe que todo o resto impõe, até ao membro dele que se recompunha ávido de desejo ainda maior, mas agora mais controlado, depressa ficou rijo e grosso, não parava de punhetar com a devida cadência ao mesmo tempo que os beijos na boca dele aumentavam de vigor e intensidade, os corpos não se continham de novo, os gemidos tornaram e ela de novo estava preparada para o receber com muita vontade, encharcada, ao mesmo tempo que o beijava, foi subindo até se erguer em cima dele e se sentar em cima daquele pau forte como nunca. Teresa, dominava agora a situação, era ela que se movia à maneira que lhe dava mais tesão, sempre terminando o gesto com a forte verga dele bem no seu fundo, seus seios eram agora o motivo maior para as brincadeiras dele, chupava-os, mordia-os, acariciava-os e lá vinha mais um beijo longo e forte ao mesmo tempo que o galope controlado por ela não parava, toda ela era um gozo imenso, brutal, louco, um vulcão de tesão. Explodiu num orgasmo inesquecível, os gemidos passaram a gritos descontrolados, repetindo cada vez mais alto, delícia, delícia, amor, meu amor, delícia, delícia, coisa tão boa, coisa boa...

Caiu sobre ele e ali ficou com o sexo dele ainda rijo de desejo dentro dela, arfava e fazia sentir o batimento cardíaco duma forma violenta, eram dois os corações fortes que cada um sentia ao mesmo tempo. Renato estava pensando na vontade seguinte e Teresa também lhe tinha reservado qualquer coisa de especial, como que adivinhada, ou talvez não, a vontade do seu homem. Ainda descansando da arritmia de esforço, chegou à sua mala de mão e sacou de lá dentro um creme qualquer, que importa agora o pormenor, e começou a lubrificar o seu rabinho. Tinha um rabo de nada se lhe apontar, elegante, de carnes rijas, sem espécie de pelo, aliás, toda ela era lisa menos um pequeno triângulo púbico que lhe dava aquele toque sensual se fosse alguma vez necessário, ela era o sexo em sua natureza, mas aquele rabinho era sublime, tinha de ser dele, e naquele momento já ele sentia que não faltaria quase nada para que assim fosse, ele iria tê-la completamente. Devidamente lubrificado, passou também um pouco de creme pelo pau dele que já latejava de tanto desejo. Teresa saiu de cima de Renato, colocou-se de lado, deitada e pegou-lhe no caralho  (nem eu sou de pau) e foi enfiando devagarzinho, ele sabido, apesar da tenra idade, foi de uma delicadeza extrema, aí na terceira ou quarta investida já ela não se continha de prazer e só prazer, conforme ele lhe ia perguntando, sim é só prazer, dizia ela desvairada como uma louca, aí sim, dizia, que delícia, gritava, em poucos segundos já o grosso pau dele estava todo, mas mesmo todo dentro daquele rabinho tão saboroso. Com muita classe. Agora todos os movimentos eram como desejados de uma brutidão máxima, cada movimento dele era para ela recebê-lo até ao fundo da alma da Alma, que tesão, que loucura, que viagem, que desejo, que prazer, que maravilha, que gozo... não há mais palavras, imaginem se puderem, pensem o melhor...
Ele veio-se num estremecimento elétrico que percorreu todo o seu corpo, da ponta da unha até há ponta do seu mais fino cabelo, que jorro, num urro forte de homem no seu limite de prazer, foi lá bem no fundo do rabinho de Teresa que ele teve o maior prazer, ela já tinha tido um orgasmo que foi múltiplo até terminar com ele, que momento tão intenso e lindo, só ao alcance dos destinados à felicidade, essa que pode ser pouca, mas será certamente muita à dimensão daquele propósito, à dimensão daquele espaço, à dimensão daquelas Almas.

Enquanto ela de sorriso confiante, nua, se deslocava na direção do chuveiro para o reconfortante banho, ele, puxava do cannabis e preparava mais um cigarro, era quase de manhã...

Abdul-Hamid

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

minha perdição

deixa-me ser aquele beijo fugidio na espera do semáforo.

o meu braço nos teus rins em abraço que não fica.

e rir, rir sempre no teu rosto que imagino sério,

                             lembrar o teu riso cristalino de homem.

minha pernas que tropeçam nas tuas,

                        fingindo que te abraço,

                        fingindo que acaricio o teu rosto...

deixa-me ser infantil nessa mordidela de lábios,

             procura de língua em plena avenida,

                                                      desacato público...

perdida, tonta e apaixonada.

e deixa-me  ser ainda um abraço nas tuas costas,

                            nessa atitude de quem quer e rejeita...

como é bom sentir-te assim, solto.

...agora…

            

não digas nada, fecha a porta com o pé.

crucifica-me em ventre contra a parede,

                                   molda-te em mim...

tu e eu, o mundo lá fora...

tu e eu... entre nós, nem ar nem limites

isso, assim, marca o compasso do desejo em mim,

sigo os teus movimentos,

                       discípula nesta dança silenciosa.

a tua respiração no meu pescoço,

                        marca de dentes no meu ombro

beijos selvagens em quem de mim não vejo...

apenas sinto e ardo, dançando sempre...

até o grito não se conter

até a rouquidão ferir os tímpanos

até a tua marca por mim,

                                em mãos,

                                saliva e suor

                                     determinar o último fôlego.

tu…

não sei se deus ou demónio

se perdição ou encontro

só sei que me trazes a vida,

a mesma que perdi,

                     que me retiraram e atiraram fora.

turva-se-me a mente,

                      entorpecimento de membros...

… e a palavra, batida de coração que se repete

                                      tua! tua! tua! 
Alma

domingo, 5 de setembro de 2010

obrigada meu amor...



Tango e Parole - Roberta Canali

Invades-me o pensamento, numa magnitude tal, que me baralhas os sentidos
Chega-me a tua voz, quente, suave, penetrante e grave, arrepias-me
Convidas-me para dançar, seguras-me forte, entrelaçados, dominas, guias, estremeço…

Meu corpo já não é meu, tal como a minha alma não era, pertenço-te, saio para ti.
Rodopiamos este tango, num jogo de sedução delicioso, soltas-me
Meu coração dispara pela ausência, em breves instantes voltas,
O teu respirar quente e ofegante, aproxima-se da minha boca e cedemos, num beijo veemente
A intensidade do momento apodera-se de nossos corpos que chega a causar dor… e então acontece.
A música já terminou, mas continuamos dançando.
Com o teu corpo no meu, afago-te os cabelos… flutuamos à mercê do desejo.
A expressão do meu rosto e todo o meu corpo transmitem o que não fui capaz de comunicar em palavras… prazer, amor, deleite.
Saio deste sonhar acordada, sinto-me grata, um presente maravilhoso, tu.
Sinto a dívida, para com a vida e para contigo.
Obrigada, meu amor
Vanda Romeu


Jurgen Gorg



sábado, 28 de agosto de 2010

para que saibas como lamento...


essa tua dor feriu-me como não podes sequer imaginar.

sumiu-se-me o encanto da escrita, sumiu-se-me o sentimento.

transportaste-me à ineficiência da vida, àquela inconsciência em que vivemos, acreditando que tudo pode ser eterno, nosso, materializado. e viver cada dia nesta ilusão.

mas, afinal, não, não é?

lutamos toda uma vida por alguém, o tempo que uma vida pode durar e que nunca se sabe quanto é. ou se é ou virá a ser. tecemos nuvens de algodão à sua volta para que nada o magoe, juramos o melhor, o para sempre, acreditamos em tudo o que nos preenche ao ponto de nos sentirmos completos e um dia acordamos vazios. que ainda não o sabemos porque o vazio é algo que nasce e aumenta com o tempo…mas é como iremos ficar. com o tal tempo, com a ausência, com o espaço ao nosso lado sempre infinito, vazio de dentro e por fora.

e o tempo sempre a passar por nós, connosco. a demanda que iniciamos, as várias conquistas que fazemos por cada pessoa que conhecemos, sempre A última, sempre A certa, sempre A Ideal...

e  a areia que corre, que flui e os nossos dias contados por ela, nós sem desistirmos... ainda que com a alma em bolandas, ora sorrindo ora chorando, ora sangrando ora desejando.

 e não ter forma de suavizar tudo isto em ti....                 Alma

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Liberta-me


Invades-me num sentimento de posse… não quero… liberta-me
Não quero sentir-te meu, não quero o ciúme…
Só me apetece pensar-te feliz…
No amor, não cabe… irracional… liberta-me
Tu e eu acontecemos… queiramos… liberta-me
Quero amar-te… liberta-me
Olho-te, sinto-te, quero-te, vejo-te, sem mim…
Tu, só tu, meu bem querer…
liberto-te.
Vanda Romeu

sábado, 14 de agosto de 2010

aproximação

deixa-me entrar, assim, devagarinho. prometo que não te perturbarei. deixa-me sentar a este canto. não tenho mais de mim. fecho os olhos e sinto o prazer da tua presença. não, não digas nada. não quebres o silêncio. não quero falar. os meus sentimentos são agora gestos. dizer-te no rosto, nos olhos, o que sinto, seria apelar a um gesto teu, a uma carícia, a um momento de calor. sempre sonhei com este estar aqui, a sós contigo. aproximas-te de mim, tocas-me, estremeço e hesito. não tiras a mão. toco-lhe e ela envolve-me. cedo e sinto a pressão do mais que se deseja. envolve-me. sem mácula; se houver desejo, ele virá. aproximas-te…

e não sei se quero. não sei se resisto. não quero resistir.

Alma

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

tu meu já-não-destino

e se o meu destino fosses tu, nome gravado em mim, impressão digital desenhada para todo o sempre...

se o meu caminho sem norte não tivesse ainda o sul como referência e eu, ponto central em ti, para ti, circulando sobre o meu próprio ser e em teu redor...

seria O desvario puro de queda, de alma perdida sem ti, abolida de mim, sujeita à tua vontade, ao teu desejo, com a única certeza do corpo que já não seria meu.

e eu, ponto esquecido no universo...

por isso te neguei e hoje Sou aqui.


Alma

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

lábios-barcos, ondas-beijos em mim.

 na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.

            janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.

       ..

... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                     entrando na tua intimidade,

                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,

           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...

                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.

… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.

cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,

fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...

                          chora-me de prazer, em loucura como antes…

                                                                               até à dureza dos corpos,

soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,

pela dor de carne macerada .

                                                       deixa-me não parar,

             mas fala sempre,

 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,

                                                                 seco do mundo, seco do que ouviu.

e se a loucura te dominar, deixa-a ser…

                              estéril fica o solo que não é arado.
na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.

                                      janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.

       ..

... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                     entrando na tua intimidade,

                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,

           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...

                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.

… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.

cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,

fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...

                          chora-me de prazer, em loucura como antes…

                                                                               até à dureza dos corpos,

soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,

pela dor de carne macerada .

                                                       deixa-me não parar,

             mas fala sempre,

 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,

                                                                   seco do mundo, seco do que ouviu.

e se a loucura te dominar, deixa-a ser…

                                                  estéril fica o solo que não é arado.

                                    

e és amarras em mim,

        lábios feitos corpo, corpo feito mar,

ondas de beijos em que me transportas,

                   aridez que me sua agora no delírio

                                                      de todo tu seres boca em mim.     Alma

sábado, 24 de julho de 2010

loucura em pensamento


vejo-te à transparência de quem és, para lá de ti.

e vejo-te nesse ar sério de vida conquistada, de olhar escondido, fixando-me nos meus olhos, lendo a minha alma. e parto à carícia de quem antevejo, de quem não se dá...

em desejo, brinco com a tua boca sorrindo-lhe, fitando-a, beijando-a suavemente em jeito de abertura sensual, como quem belisca com os lábios, largando de seguida. e a tua boca estende-se para a minha e eu fujo, seduzo, evito, sentindo a dor do desejo em obstáculo.

quisesses tu segurar-me pelo pescoço, furioso pela privação e arrebatar-me...

e seria a outra, a das não-palavras, a mesma que quase sai de si quando te pensa e recorda, pela pele e pelos poros, pelo suor que lhe nasce quando te recorda.

e seres assim, à distância, loucura em mim, louca que fico, pelas simples memória de ti...

Alma

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pobres de Nós!

Ocaso e Nascente, Tristeza e Felicidade tocam-se no ser humano, confundem-no, transcendem-no, sem que ele saiba por vezes porquê.

São forças distintas que se conjugam na fragilidade humana, açoitando-a e fazendo-a sorrir, obrigando-a a ajuizar sobre a pertinência dessa torrente que dá pelo nome de Vida.

Umas vezes acreditando na existência da Felicidade, outras nem por isso, e o espírito humano oscila entre o solo em que finca os calcanhares e o olhar que espreita o Abismo.

Pobres de nós!
Alma

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Encontra-me


Sou uma pessoa qualquer

Na tua angústia... padece

Na tua alegria... renasce

Na tua sede... seca

Na tua fome... morre

Nos teus tormentos... enlouquece

Na tua felicidade... rejubila

Na tua dor... adoece

Nas tuas mãos... cresce

No teu olhar... brilha

No teu corpo...vibra

Na tua boca...permanece

No teu amor... vive!

Assim, como uma pessoa qualquer.


Vanda Romeu

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Olha-me e Vê-me Assim

O Mundo?

Para que quero eu o Mundo?

Apenas quero o nosso.
Aquele que começa no teu olhar.
Desliza por mim.
Termina entre os teus dedos nos meus.

Alma

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"Hoy, este día fue una copa plena..."

Hoy, este día fue una copa plena,
hoy, este día fue la inmensa ola,
hoy, fue toda la tierra.

Hoy el mar tempestuoso
nos levantó en un beso
tan alto que temblamos
a la luz de un relámpago
y, atados, descendimos
a sumergirnos sin desenlazamos.


Hoy nuestros cuerpos se hicieron extensos,
crecieron hasta el límite del mundo
y rodaron fundiéndose
en una sola gota
de cera o meteoro.

Entre tú y yo se abrió una nueva puerta
y alguien, sin rostro aún,
allí nos esperaba.
Pablo Neruda

terça-feira, 11 de maio de 2010

Se eu te pudesse abraçar





No teu abraço me quero
Me mostro e me revelo
Te enlaço, te amasso, te beijo


Beijo terno, beijo doce, beijo quente, beijo urgente, beijo bom

Numa proximidade quase absurda e irreal, consentimos que nossos corpos quedem em deleite, atolados pelo prazer, guiados apenas pela vontade de ficar… permanecer…

fica meu amor…
E tu ficas… ficamos… desnudados, sem máscaras, na pureza de um querer primitivo…

Que mais? Nada…
Vanda Romeu

quinta-feira, 8 de abril de 2010

amo-te desde sempre





Amo-te desde sempre

Via-te no cimo de todas as ladeiras que percorri

Passo a passo, ofegante da subida, agarras-me a mão, repousamos

O primeiro raio de sol tocava meu rosto, como carícia, eram teus lábios, invadem-me de ternura

No meio da imensa multidão, estava o verde dos teus olhos, acompanhando os meus, pertenço-te


Naquela música do velho rádio, ouvia o mel da tua voz, preenches-me

Aparecem as primeiras rugas, originam a dúvida, não serás real

Minha alma gelou, no desespero do vazio, passava pela vida, ou ela por mim

A beleza dos flocos de neve, caprichosos, pintando montes e vales, vestia os ramos das árvores, num branco luminoso, renasces em mim

O gelo funde pelo calor do teu abraço

Uma lágrima teimosa, começa a descer-me pelo rosto, surgem as pontas dos teus dedos, susténs-me

Julgando-te já fruto de uma qualquer demência, aproximas-te lentamente, quase sem dar por ti, sempre aqui estiveste, aqui estás

Bendigo a dádiva da tua presença, realizas-me no amor que te tenho, tive e, quando partires, terei


Não implores o meu amor, tanto te amei, amo e amarei.

Vanda Romeu

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Este sorriso que é teu




Há em mim um sorriso, involuntário e inconsciente, que se solta em ti
Desconhecido pelos demais
Nem sei se doce e terno, esgaçado ou tímido, ataimado ou inocente
Digo-te meu amor, pela fusão em que nos encontramos, é o mais genuíno…
Rasga-se na junção dos amantes, no retorno do prazer
Nasce num queimor quase em surdina
Floresce pelo desejo da envolvência
Difunde pelos gestos que trocamos
Beijo a beijo, a cada entrelaçar de dedos, carícia a carícia,
Amados, sentimos o infinito, sacias-me
Este é o lugar querido, não, não trocaríamos, aqui somos fruto
Não me acordes, meu amor
Deixa-me permanecer neste sorriso que é teu
Sei agora, de modo indubitável, é o mais belo
Espelhado no teu rosto, devolves-mo.
Vanda Romeu

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

não quero mais palavras, dá-me gestos

Já dissemos tanto, Amor, que as palavras estão cansadas pela espera dos gestos que jurámos.

Sinónimos que temos sido no amor que não fizemos , pelo encontro em que ainda não fomos…

E suspiram em nós as palavras, ardentes de desejo, de toque e de carícias...

… Que um beijo é só beijo quando escrito. Mas um beijo como o que te sonho, é saliva, mar, calor, areia do deserto… E os meus membros são longas frases que não te abraçarão só no papel mas na pele morena que sou, como o meu corpo será deserto, escaldante no que se sente, vulcão no que nele se provocar.

Em gestos.

E as palavras sairão da boca, enquanto a língua as formula na caverna do meu desejo, como carícia que construo, pelo gesto, entre os lábios e o mais fundo de mim.                         Alma

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Livre





D’ora avante, que as minhas palavras sejam beijos
Pétalas perfumadas tocando teus lábios
Rio cristalino transbordando desejo
Apenas carícias e mel
Gotas em ping-ping de paixão
Folhas de Outono deixando saudade
Coloridas e leves voando amor (livre!)
Presença querida em sonhos risonhos

Não mais te causarão angústia, não mais



Vanda Romeu




quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

palpito...

Pêndulo.

Acerto.

Oscilo.

Ritmo.

Dança.

Respiração.

Música nos ouvidos.

Roçar que me esfrega.

Frenesim que me sustem e me derruba.

Corpos em dó maior de um desejo por de mais contido.

E curvo-me na cedência de quem pede, rasga, vertical, horizontal.

Algemo-me, abandono-me, arrasta-me, trepa, chega e puxa-me. Sem som.

Regresso, deslizo, deslizas, pressionas, abraças, convences-me.

Acompanho-te, deito-me, enlaço-me, amo, amo mais, beijo.

Sussuro, peço, vens, carícias, tortura, enlaço-me, beijo.

E amo, amo mais, amo sempre. Entregas-te.

                        Amo-te, Eu.     Alma

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Quero outra vida que desta ja estou cansada






Quero outra vida que desta já estou cansada.

Uma vida que me permita ver com olhos azuis de mar a clareza da tua aura, sem cinzento de nevoeiro que me turva esta imensidão de sentimentos complacentemente contraditórios.
Que pudesse ver a alegria de um adolescente que aguarda impaciente o dourado dos dias vindouros, convicto da boa sorte indiciada. Pouco temos a oferecer-lhe. Hipotecamos-lhe o futuro, a subsistência, a independência, a estabilidade emocional e até a dignidade! Estuda, aplica-te, trabalha, investe no futuro, se de pouco ou nada servirá. Temos para ele um emprego precário (se tivermos), poluição em abundância, governantes corruptos, uma vidinha medíocre sem tempo para sonhar, sem oportunidades ou ofertas para alimentar a alma com um bom filme, um bom livro, uma boa música, um bom espectáculo ou uma viagem, daquelas que se gravam na memória.

Que não me confrontasse com o sofrimento de uma criança, no colo desesperado da progenitora, calada cerra os dentes de dor. Aguarda a chamada do altifalante entre tantos olhares vazios de solidão, de desesperança, dor e conformismo.
-Mamã, porque não nos chama o médico, tenho frio!
-Está muita gente, meu amor, mas está quase a chegar a nossa vez!
Ouço impotente porque foi esta a vida que a sorte me rifou, a sala está a rebentar pelas costuras, temos um surto de gripe. Não, não quero esta vida.

Um homem de mãos robustas, anafado e gasto, comenta a sua não menos cansada vida… Trabalha doze horas a fio, por um soldo insuficiente para alimentar os filhos e dá graças por ter emprego. Graças por ser explorado por porcos que tudo comem, enchendo a pança à custa de muitos, como este homem de mãos robustas explorado até ao tutano! Não dou graças, decididamente, não quero esta vida.

Não lhe dou qualquer utilidade! Nada faço de enaltecedor ou nobre. Maltrato corpo e alma em exageros desmedidos. A inércia impele-me contra o sofá, sufoca-me, não me autoriza a reagir, seca-me as entranhas, embala-me numa embriaguez de desalento.

Penso em nós… No meu papel na tua vida… Não o enxergo, não o entendo, não sei se o quero. Vivo na ilusão de merecer-te, mas não. Nada tenho a presentear a não ser esta vida vazia, ressequida, irreflectida e rejeitada. Claramente não, não quero esta vida.

São cinco da tarde, nestas duas eternas horas de sala de espera, aguardo com fugaz paciência a voz emergente do além, como se da Terra Prometida se tratasse.

Nestas singulares situações, tudo fazemos para matar o tempo, ouço a cusquice da senhora de olhar triste, de roupas envelhecidas pela mágoa e mãos calejadas.
- Veja lá que a minha vizinha do quarto andar mete um marmanjo dentro de casa enquanto o marido está a trabalhar!
Quero a vida da vizinha do quarto andar. Sempre tem a coragem e lucidez para ser feliz enquanto o marido vai trabalhar! A imaginação voa, como deve ser bom ser bem-amada, tocada, beijada, desejada enquanto o marido vai trabalhar! Dispensa o marido, ó vizinha daquela senhora de olhar triste, para que o queres se não te serve? Eu na minha cusquice de pensamentos, nada devo opinar da vida da vizinha do quarto andar.

Entrei aqui de alma doente em corpo são. Interrogo-me se as minhas células terão força para lutar contra vírus e bactérias que daqui levo. Resta-me a esperança de julgá-las mais fortes que eu, não luto contra os malfeitores, exploradores que encontro pelo caminho.

Vens-me novamente à lembrança… Vejo-me reflectida no verde prado dos teus olhos… Concluo que te quero na minha vida, mas não nesta.


Vanda Romeu

Não, não é cansaço...


Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que me estranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, veja
Confesso: é cansaço!...


Álvaro de Campos

sábado, 16 de janeiro de 2010

Amas-me



Amas-me como jamais fui amada

Tuas mãos revolvem-me, em consonância com teus beijos lânguidos,
...........................................................................................dizem amo-te
Como luz da aurora irradiando felicidade, rasgo-me em ti
Descodificas-me, interceptas sinais que emano

............................................................... Conheces tão bem o caminho…

Num murmúrio de ternura e paixão, ofereces-te em desejo

Suspiras palavras há muito aguardadas e nunca antes escutadas

................................................................Estavas para mim e eu para ti…

Entrego-me em deleite.. leva-me… fico em ti…

Descobres-me em aroma de doçura,
..............................................na maciez do toque,
............................................................ na delícia do sabor,
..........................................................................na melodia das palavras,
..................................................................................no brilho do olhar…
Revelas-me em teus braços… segues-me o trilho…

................................................................Conheces tão bem o caminho…

Gastei as palavras,
.........................em candura, em gratidão, em loucura,
...........................................................................amo-te
Vanda Romeu