sábado, 28 de agosto de 2010

para que saibas como lamento...


essa tua dor feriu-me como não podes sequer imaginar.

sumiu-se-me o encanto da escrita, sumiu-se-me o sentimento.

transportaste-me à ineficiência da vida, àquela inconsciência em que vivemos, acreditando que tudo pode ser eterno, nosso, materializado. e viver cada dia nesta ilusão.

mas, afinal, não, não é?

lutamos toda uma vida por alguém, o tempo que uma vida pode durar e que nunca se sabe quanto é. ou se é ou virá a ser. tecemos nuvens de algodão à sua volta para que nada o magoe, juramos o melhor, o para sempre, acreditamos em tudo o que nos preenche ao ponto de nos sentirmos completos e um dia acordamos vazios. que ainda não o sabemos porque o vazio é algo que nasce e aumenta com o tempo…mas é como iremos ficar. com o tal tempo, com a ausência, com o espaço ao nosso lado sempre infinito, vazio de dentro e por fora.

e o tempo sempre a passar por nós, connosco. a demanda que iniciamos, as várias conquistas que fazemos por cada pessoa que conhecemos, sempre A última, sempre A certa, sempre A Ideal...

e  a areia que corre, que flui e os nossos dias contados por ela, nós sem desistirmos... ainda que com a alma em bolandas, ora sorrindo ora chorando, ora sangrando ora desejando.

 e não ter forma de suavizar tudo isto em ti....                 Alma

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Liberta-me


Invades-me num sentimento de posse… não quero… liberta-me
Não quero sentir-te meu, não quero o ciúme…
Só me apetece pensar-te feliz…
No amor, não cabe… irracional… liberta-me
Tu e eu acontecemos… queiramos… liberta-me
Quero amar-te… liberta-me
Olho-te, sinto-te, quero-te, vejo-te, sem mim…
Tu, só tu, meu bem querer…
liberto-te.
Vanda Romeu

sábado, 14 de agosto de 2010

aproximação

deixa-me entrar, assim, devagarinho. prometo que não te perturbarei. deixa-me sentar a este canto. não tenho mais de mim. fecho os olhos e sinto o prazer da tua presença. não, não digas nada. não quebres o silêncio. não quero falar. os meus sentimentos são agora gestos. dizer-te no rosto, nos olhos, o que sinto, seria apelar a um gesto teu, a uma carícia, a um momento de calor. sempre sonhei com este estar aqui, a sós contigo. aproximas-te de mim, tocas-me, estremeço e hesito. não tiras a mão. toco-lhe e ela envolve-me. cedo e sinto a pressão do mais que se deseja. envolve-me. sem mácula; se houver desejo, ele virá. aproximas-te…

e não sei se quero. não sei se resisto. não quero resistir.

Alma

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

tu meu já-não-destino

e se o meu destino fosses tu, nome gravado em mim, impressão digital desenhada para todo o sempre...

se o meu caminho sem norte não tivesse ainda o sul como referência e eu, ponto central em ti, para ti, circulando sobre o meu próprio ser e em teu redor...

seria O desvario puro de queda, de alma perdida sem ti, abolida de mim, sujeita à tua vontade, ao teu desejo, com a única certeza do corpo que já não seria meu.

e eu, ponto esquecido no universo...

por isso te neguei e hoje Sou aqui.


Alma

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

lábios-barcos, ondas-beijos em mim.

 na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.

            janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.

       ..

... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                     entrando na tua intimidade,

                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,

           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...

                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.

… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.

cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,

fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...

                          chora-me de prazer, em loucura como antes…

                                                                               até à dureza dos corpos,

soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,

pela dor de carne macerada .

                                                       deixa-me não parar,

             mas fala sempre,

 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,

                                                                 seco do mundo, seco do que ouviu.

e se a loucura te dominar, deixa-a ser…

                              estéril fica o solo que não é arado.
na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.

                                      janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.

       ..

... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                     entrando na tua intimidade,

                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,

           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...

                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.

… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.

cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,

fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...

                          chora-me de prazer, em loucura como antes…

                                                                               até à dureza dos corpos,

soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,

pela dor de carne macerada .

                                                       deixa-me não parar,

             mas fala sempre,

 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,

                                                                   seco do mundo, seco do que ouviu.

e se a loucura te dominar, deixa-a ser…

                                                  estéril fica o solo que não é arado.

                                    

e és amarras em mim,

        lábios feitos corpo, corpo feito mar,

ondas de beijos em que me transportas,

                   aridez que me sua agora no delírio

                                                      de todo tu seres boca em mim.     Alma