quinta-feira, 30 de setembro de 2010

acto sublime de amor pelas palavras

Sublimação das palavras em mim, com que Amo, com que toco quem amo.

Chego onde quero com as palavras, esvaio-me, elevo-me, subo, alcanço e sempre tão alto, irreal.

Com elas sou…

O gesto que não te chega vencendo a distância que nos separa;

A vontade descrita em gestos de Amor que tu sentes, cerrando os olhos, abrindo os teus sentidos;

O beijo que atiro, em boca rubra a cores de lápis, desenho singelo da minha mãos;

O meu olhar em Alma que tu lês pelo brilho com que te fixo;

Cada momento de Amor ainda por fazer e que tu já conheces tão bem nos meus delírios perdidos em palavras com os teus, enquanto me juras, jurando-te meu.


Com elas venço a vida, fazendo poesia como quem faz Amor.
Alma

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O motivo de fumar acontece... (conto erótico)


O motivo de fumar acontece no intervalo da peça de teatro. Ela lá está com o seu cigarro entre os dedos como quem desafia, braço bem afastado do resto do corpo, suas pernas bem feitas fazem sobressair a saia justa e curta; sorriso é aberto, alegre, solto, os olhos são a continuidade do riso...
Ele finge que não a vê, finge que está concentrado no passado recente, fixa o cigarro como se este fosse a sua atenção, única atenção, finge, mas acompanha todos os gestos daquela mulher iluminada de dentro para fora, o contrário da luz que ilumina o actor, ali naquele momento havia luz própria naquela pessoa.
A peça era uma comédia russa, representada pela Cornucópia “A Floresta” de Aleksandr Ostróvski, o final deixa o espectador satisfeito de alegria, até a busca ao bengaleiro para o reaver dos confortos casacos é mais que suave e quente, cá fora está um frio húmido de Dezembro, o vapor d'água no ar é espesso e gélido, diferente do ambiente junto ao referido bengaleiro. Ele já ajudava na dança de vestir a envolvê-la com o casaco comprido que lhe dava um ar ex aristocrático importante; ela é linda, o timbre da sua voz deixa um eco, vibra um pouco mais, saem-lhe uns graves pouco femininos que lhe dão o que poderia faltar.
No gesto clássico do contacto e ficar a ver se há brilho nos olhos seduzidos, a mão dele evita dúvida, agarra-a, tinha a mão dela, na sua, agarrada com uma força que se pode soltar. O sangue dela faz sentir o coração, que o confunde ao pensar que é o dele, com a leve pressão. Não quer resistir, ergue-se nas pontas dos dedos, nos finos sapatos e beija-o nos lábios com a intensidade suficiente para deixar aquele rasto sensacional de desejo.

Uma hora depois ficavam sentados frente a frente, entre uma pequena mesa redonda, os joelhos tocam-se quase permanentemente, as mãos iam ficando cada vez mais tempo nas mãos de cada um, riam, ela ria muito, a felicidade estava embutida naquele sorriso, interrompido, para mostrar se não estava a sonhar, saboreava o prazer de ter as mãos daquele belo e calmo homem, que a ouvia com uma atenção genuína. Tinham pedido duas tostas mistas e cerveja, fome na hora de ceia, eram duas da madrugada, limparam a espuma de cerveja da mesma forma, com a língua ao correr dos lábios e riram muito, seduziam-se duma forma desinibida e descontraída, os beijos nos dedos deram lugar a pequenas mordedelas desafiadoras ao tempo que não vinha. Ainda pede um café e a conta, paga, levanta-se e já ela se pendura no braço, atingido-o com beijos intensos de desejo.
Ele fuma tabaco de enrolar, tem 23 anos, estuda engenharia civil, chama-se Renato, cabelo curto bem tratado, moreno de olhos verdes, além da engenharia estuda piano no Hot Club. Militante de esquerda. Teresa, dois filhos, 35 anos bem tratados, ginásio, é tão alta quanto ele, cabelo castanho e olhos de um particular castanho muito claro, andar seguro de quem é independente. Gestora numa entidade bancária, que pinta nos tempos de lazer, quando não está no ginásio. Fuma muito pouco, casada com um homem mais velho, que exerce funções como deputado europeu em Bruxelas.

Foram rápidos a decidir o destino imediato, Motel, apontaram para a estrada de Sintra e mais nada os faria demover de satisfazer o desejo enorme e quase incontrolável de se trocarem no mais puro sexo. Àquela hora o trânsito era pouco por isso a velocidade foi aos limites. Teresa surpreendeu, sua mão esquerda acariciava ao de leve do joelho até à virilha e voltava, Renato, sempre muito atento à estrada, lá se ajeitou de forma até o seu já grosso membro ficasse de maneira a ser contemplado com a carícia, mesmo dentro daquelas apertadas calças de ganga. Ao mesmo tempo que as suas mãos estonteantes brincavam com o sexo da rapaz, beijava-o nos lábios até se deixar escorregar pela barriga dele, quando correu o fecho das calças já o pau duríssimo dele saltava cá para fora ávido de tesão por aquela boca que em segundos o sugava, o lambia, o beijava, deixando-o ainda mais forte e rubro, o desejo transformou-se em loucura. A viagem do centro de Lisboa até ao Motel Requinte, já perto de Sintra, foi agitada, rápida e quase sem fim, tal o bruto desejo marcado pela cadência do movimento daquela boca de lábios gostosos. Todo o Renato era um imenso sexo, Teresa, era como ele sonhava, dele.

Assim que fechada a garagem privativa as roupas de um e outro eram arrancadas ao som de gemidos e beijos, em pouco tempo os gemidos passaram a gritos, o cheiro a cio tomou conta do ambiente. Renato acariciava os seios rijos e os mamilos tesos enquanto lambia e chupava o grelinho de Teresa que toda se contorcia de um prazer indescritível. Ele, num passo quase de tango agarrou-a muito bem e com força, virou-a e penetrou-a até bem ao fundo daquela vagina quente e encharcada de tanto desejo, estava louca como ia dizendo porque aquele membro maior que o normal conseguia atingir a profundidade da Alma. Não pares, não pares... eram as palavras que saiam a muito custo entre os gemidos roucos e prolongados, de joelhos com as pernas bem abertas, todo ele entrava e saía num movimento seguro e forte bem agarrado às ancas dela, a respiração de ambos acelerava até ao momento em que ela explodiu num orgasmo trémulo e demorado, todo aquele belo corpo estremeceu às sacudidelas e gritos de delícia, delícia, amor, amor... Renato beijou-a com a ternura que indiciava que aquele seria o primeiro de mais orgasmos que ainda haveriam de vir, certeza que Teresa sentiu muito bem. Tão bom, meu amor, disse-lhe ela com os olhos semi cerrados muito perto dos dele e com um sorriso de prazer nos lábios, que devolveram de seguida aquele beijo avisador.



Enquanto aquela mais que linda mulher nua se levantava elegante e de devagar caminhava para debaixo do chuveiro, ele, ao som da música suave do rádio manhoso oferta do Motel, lá começou a desfazer um pedaço de cannabis na forma de haxixe e a enrolar naqueles seus cigarros... ela veio e foi ele,  enrolados nas toalhas brancas lá acenderam o cigarro bom, nem falaram sobre o assunto, ao aquecer o haxixe logo veio aquele aroma intenso que ela conhecia muito bem e só pensou que ainda bem que ele ali tinha o produto, tiraram umas passas um ao outro e ali ficaram com os seus pensamentos em alta e relaxados ao máximo, que momento de calma e de tanto prazer, são esses os momentos que tanto falam os poetas, dois corpos, duas vidas, duas almas procurando o conhecimento carnal um do outro, simplesmente. Tás bem? Perguntou ele. Ótima, respondeu ela, sem nenhuma dúvida...

Sem nenhuma culpa, Teresa lá foi com a sua mão elegante de dedos finos e unhas tratadas com a classe que todo o resto impõe, até ao membro dele que se recompunha ávido de desejo ainda maior, mas agora mais controlado, depressa ficou rijo e grosso, não parava de punhetar com a devida cadência ao mesmo tempo que os beijos na boca dele aumentavam de vigor e intensidade, os corpos não se continham de novo, os gemidos tornaram e ela de novo estava preparada para o receber com muita vontade, encharcada, ao mesmo tempo que o beijava, foi subindo até se erguer em cima dele e se sentar em cima daquele pau forte como nunca. Teresa, dominava agora a situação, era ela que se movia à maneira que lhe dava mais tesão, sempre terminando o gesto com a forte verga dele bem no seu fundo, seus seios eram agora o motivo maior para as brincadeiras dele, chupava-os, mordia-os, acariciava-os e lá vinha mais um beijo longo e forte ao mesmo tempo que o galope controlado por ela não parava, toda ela era um gozo imenso, brutal, louco, um vulcão de tesão. Explodiu num orgasmo inesquecível, os gemidos passaram a gritos descontrolados, repetindo cada vez mais alto, delícia, delícia, amor, meu amor, delícia, delícia, coisa tão boa, coisa boa...

Caiu sobre ele e ali ficou com o sexo dele ainda rijo de desejo dentro dela, arfava e fazia sentir o batimento cardíaco duma forma violenta, eram dois os corações fortes que cada um sentia ao mesmo tempo. Renato estava pensando na vontade seguinte e Teresa também lhe tinha reservado qualquer coisa de especial, como que adivinhada, ou talvez não, a vontade do seu homem. Ainda descansando da arritmia de esforço, chegou à sua mala de mão e sacou de lá dentro um creme qualquer, que importa agora o pormenor, e começou a lubrificar o seu rabinho. Tinha um rabo de nada se lhe apontar, elegante, de carnes rijas, sem espécie de pelo, aliás, toda ela era lisa menos um pequeno triângulo púbico que lhe dava aquele toque sensual se fosse alguma vez necessário, ela era o sexo em sua natureza, mas aquele rabinho era sublime, tinha de ser dele, e naquele momento já ele sentia que não faltaria quase nada para que assim fosse, ele iria tê-la completamente. Devidamente lubrificado, passou também um pouco de creme pelo pau dele que já latejava de tanto desejo. Teresa saiu de cima de Renato, colocou-se de lado, deitada e pegou-lhe no caralho  (nem eu sou de pau) e foi enfiando devagarzinho, ele sabido, apesar da tenra idade, foi de uma delicadeza extrema, aí na terceira ou quarta investida já ela não se continha de prazer e só prazer, conforme ele lhe ia perguntando, sim é só prazer, dizia ela desvairada como uma louca, aí sim, dizia, que delícia, gritava, em poucos segundos já o grosso pau dele estava todo, mas mesmo todo dentro daquele rabinho tão saboroso. Com muita classe. Agora todos os movimentos eram como desejados de uma brutidão máxima, cada movimento dele era para ela recebê-lo até ao fundo da alma da Alma, que tesão, que loucura, que viagem, que desejo, que prazer, que maravilha, que gozo... não há mais palavras, imaginem se puderem, pensem o melhor...
Ele veio-se num estremecimento elétrico que percorreu todo o seu corpo, da ponta da unha até há ponta do seu mais fino cabelo, que jorro, num urro forte de homem no seu limite de prazer, foi lá bem no fundo do rabinho de Teresa que ele teve o maior prazer, ela já tinha tido um orgasmo que foi múltiplo até terminar com ele, que momento tão intenso e lindo, só ao alcance dos destinados à felicidade, essa que pode ser pouca, mas será certamente muita à dimensão daquele propósito, à dimensão daquele espaço, à dimensão daquelas Almas.

Enquanto ela de sorriso confiante, nua, se deslocava na direção do chuveiro para o reconfortante banho, ele, puxava do cannabis e preparava mais um cigarro, era quase de manhã...

Abdul-Hamid

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

minha perdição

deixa-me ser aquele beijo fugidio na espera do semáforo.

o meu braço nos teus rins em abraço que não fica.

e rir, rir sempre no teu rosto que imagino sério,

                             lembrar o teu riso cristalino de homem.

minha pernas que tropeçam nas tuas,

                        fingindo que te abraço,

                        fingindo que acaricio o teu rosto...

deixa-me ser infantil nessa mordidela de lábios,

             procura de língua em plena avenida,

                                                      desacato público...

perdida, tonta e apaixonada.

e deixa-me  ser ainda um abraço nas tuas costas,

                            nessa atitude de quem quer e rejeita...

como é bom sentir-te assim, solto.

...agora…

            

não digas nada, fecha a porta com o pé.

crucifica-me em ventre contra a parede,

                                   molda-te em mim...

tu e eu, o mundo lá fora...

tu e eu... entre nós, nem ar nem limites

isso, assim, marca o compasso do desejo em mim,

sigo os teus movimentos,

                       discípula nesta dança silenciosa.

a tua respiração no meu pescoço,

                        marca de dentes no meu ombro

beijos selvagens em quem de mim não vejo...

apenas sinto e ardo, dançando sempre...

até o grito não se conter

até a rouquidão ferir os tímpanos

até a tua marca por mim,

                                em mãos,

                                saliva e suor

                                     determinar o último fôlego.

tu…

não sei se deus ou demónio

se perdição ou encontro

só sei que me trazes a vida,

a mesma que perdi,

                     que me retiraram e atiraram fora.

turva-se-me a mente,

                      entorpecimento de membros...

… e a palavra, batida de coração que se repete

                                      tua! tua! tua! 
Alma

domingo, 5 de setembro de 2010

obrigada meu amor...



Tango e Parole - Roberta Canali

Invades-me o pensamento, numa magnitude tal, que me baralhas os sentidos
Chega-me a tua voz, quente, suave, penetrante e grave, arrepias-me
Convidas-me para dançar, seguras-me forte, entrelaçados, dominas, guias, estremeço…

Meu corpo já não é meu, tal como a minha alma não era, pertenço-te, saio para ti.
Rodopiamos este tango, num jogo de sedução delicioso, soltas-me
Meu coração dispara pela ausência, em breves instantes voltas,
O teu respirar quente e ofegante, aproxima-se da minha boca e cedemos, num beijo veemente
A intensidade do momento apodera-se de nossos corpos que chega a causar dor… e então acontece.
A música já terminou, mas continuamos dançando.
Com o teu corpo no meu, afago-te os cabelos… flutuamos à mercê do desejo.
A expressão do meu rosto e todo o meu corpo transmitem o que não fui capaz de comunicar em palavras… prazer, amor, deleite.
Saio deste sonhar acordada, sinto-me grata, um presente maravilhoso, tu.
Sinto a dívida, para com a vida e para contigo.
Obrigada, meu amor
Vanda Romeu


Jurgen Gorg