sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Am0r

Paul Kelley

... Não chegas a ser cheiro de pele.
            ... Naturalmente, não és gosto de boca.
                      ... Não conheço o calor do teu corpo.
                            ... Muito menos reconheço a suavidade acariciadora das tuas mãos.  
...
És o que resta no meu ser em Palavra.
Acutilante, preciso, contorno do meu sentimento, gesto que me aflora a Alma sem ser mancha em corpo, bisturi dos meus sentimentos e de quem eu sou em tudo quanto de mim sabes e conheces.
Encontro o meu sentir no teu, desvendo as minhas vontades através das tuas, Ser corpóreo que me veste de tule e rendas quando fala com as minhas palavras.
...
     e nem sequer és olhar para saber da minha tristeza...
             e nem ouves para saber dos meus dias...
                     e nem me tocas para saber do que de gélido há em mim.
 ...
             Tens sido o encontro que julgava impossível, fé que julgava abalada, AmOr pleno oriundo do Além-Espaço.
                           e nem precisas de ler esta mensagem para saberes de tudo isso...
                                            Sempre soubeste que eras Amor único!        
Alma

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ardor


Deixa-me soltar este desejo que grita, queima e cinge a alma!

Não esperes, abraça-me!

Invade-me! Reina! Assenhora-te!

Sente o desprender dos membros que se procuram...

Dá-me a tua boca. Crava-me os dentes! E beija-me... Escuta-me a florir.


Vanda Romeu

terça-feira, 8 de novembro de 2011

tu, cumplicidade na ponta dos meus dedos


deixa-me ficar aqui, à sombra das tuas palavras, tu que me aceitas como eu sou, que me queres neste Total em que me tenho construído, sido e debatido...

deixa-me ocupar o teu lado, paralela no gesto, na sombra, no movimento...

aflora as tuas mãos nas minhas,

                 deixa-te ficar em ninho, carícia solene das tuas mãos no meu rosto, sarando o trilho das minhas lágrimas.

eu muda e tu calado. química que se passeia pelos nossos sentidos,

                             em ternura e suavidade.

como eu sonho com umas mãos assim, bálsamo de lágrimas e pele,

                como beijos secos, quentes e dominantes.

                                                   sem mais nada.

e ousar deixar a minha mão na tua,

 o meu sentimento cansado no teu ombro,

            sentires que te amo, delícia segredo, no sorriso que deposito no teu olhar.

e,  se depois, sonhares comigo tua companheira, sabe que pouco tenho para te ser...

      apenas a vida, a eternidade,

                                    a conclusão de uma existência sem tempo.

e todos os dias depositarei os meus lábios nos teus como porta que se abre sem palavras

                           na cumplicidade de apenas nós sabermos um do outro.              Alma

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Minha perdição


deixa-me ser aquele beijo fugidio na espera do semáforo.
o meu braço nos teus rins em abraço que não fica.
e rir, rir sempre no teu rosto que imagino sério,
                             lembrar o teu riso cristalino de homem.
minha pernas que tropeçam nas tuas,
                        fingindo que te abraço,
                        fingindo que acaricio o teu rosto...
deixa-me ser infantil nessa mordidela de lábios,
             procura de língua em plena avenida,
                                                      desacato público...
perdida, tonta e apaixonada.
e deixa-me  ser ainda um abraço nas tuas costas,
                            nessa atitude de quem quer e rejeita...
como é bom sentir-te assim, solto.
...agora…
             
não digas nada, fecha a porta com o pé.
crucifica-me em ventre contra a parede,
                                   molda-te em mim...
tu e eu, o mundo lá fora...
tu e eu... entre nós, nem ar nem limites
isso, assim, marca o compasso do desejo em mim,
sigo os teus movimentos,
                       discípula nesta dança silenciosa.
a tua respiração no meu pescoço,
                        marca de dentes no meu ombro
beijos selvagens em quem de mim não vejo...
apenas sinto e ardo, dançando sempre...
até o grito não se conter
até a rouquidão ferir os tímpanos
até a tua marca por mim,
                                em mãos,
                                saliva e suor
                                     determinar o último fôlego.
tu…
não sei se deus ou demónio
se perdição ou encontro
só sei que me trazes a vida,
a mesma que perdi,
                     que me retiraram e atiraram fora.
turva-se-me a mente,
                      entorpecimento de membros...
… e a palavra, batida de coração que se repete
                                      tua! tua! tua!  Alma

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

fui eu...


Deste-me o ombro acolhedor das tuas palavras numa noite que não se adivinhava nossa e fomos o que nos apeteceu ser, incógnitos, secretos fugitivos dos olhares humanos, partilha de ser e estar, numa vontade de saber quem está do outro lado.

Trocámos beijos de experiências de nós, nesse calmo alívio das almas atormentadas que procuram e, no entanto, sabem de si, só não sabem se é o certo que os guia...

E soltei-me nas palavras que te disse, fui Eu, na amargura que não se expõe mas que tu soubeste ler e, sem medos, confiante, dei-te a minha Dor...

E tudo sem fazermos perguntas nem procurarmos respostas. Nós simples, entregues ao outro, olhos nos olhos.     Alma

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu sei que vou te amar.

 Klaudiusz Abramski




Acariciar a sua solidão com dedos de espuma, sussurrar-lhe palavras de mel e de algodão, beber o calor do seu olhar. Mesmo sem ouvir a sua voz, a tranquilidade do seu ser estaria no que adivinho, mesmo que não fizesse um gesto, mesmo que negasse, mesmo que não fosse, eu saberia.

O calor do que ele é chega-me em cada olhar, em cada palavra que não diz, em cada suspiro que não consegue reter. Toco-lhe mesmo sem me mexer.


Não é preciso. Não preciso. Não precisamos.           Alma

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não me deixes!



A vida passou pelo meu lado e deixou-me as sombras que não tardam a envolverem-me, Fica, aquece-me com o teu sorriso, não me deixes ainda, dá-me só mais um pouco da tua voz, dos teus beijos, do teu abraço.

                                         Se eu tivesse negado, se eu tivesse tido a coragem, se eu... Mas não e agora é muito, demasiado tarde. Já sinto o frio, sem ti, a sombra cai...                   ALma

terça-feira, 11 de outubro de 2011

vulcão de desejo...




Acordei e lá estavas tu, invasor da minha noite... do meu sono.

Sem perguntas, afirmaste ser aquele o teu leito, a tua almofada, o teu corpo…

A seguir, estendeste-te para mim, em mim, afundaste-te no meu olhar, na minha boca, no meu corpo,

Falaste de um desejo que desconhecia, do delírio em mim, inocente. E juraste ser aquele o teu lugar...

              (se, rendida, já nem eu sabia qual o meu!...)

Disseste-te meu em eternidade e eu, fora de mim, aceitei-te, desejei-te e possuí-te,

Vazia de vontade, vulcão de desejo…
                    

E em entrega, excessiva, delírio em carne, apenas murmurei,

                                   Sim! sob a tua boca ofegante.                                     Alma


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Doce acordar a teu lado!

...


tão bom este acordar!

entre o sonho de ti e o sono ainda envolvente,

                                         a tua presença desloca-se até mim.

a pressão do teu corpo ao meu lado,

                                         movimentando-me...

a tua mão poisa na pele das minhas costas,

                                         deslizando,

                                                    carícia quente em ritmo de sono.

não me mexo, desejando o que venha a seguir,

                                                    que queiras acordar-me...

a tua respiração em crescendo veloz, junto ao meu ouvido,

                                fala-me de mundos de sentir que estou a aprender,

                                                                                         a conhecer contigo...

sinto-me outra, digna,

neste mundo novo que plantas aos meus pés, a pouco e pouco, comigo...

                 vontade acordada pela suavidade com que dizes o meu nome.
       
pudesse eu resumir o resto da minha existência a essa suavidade,

                                              sem lágrimas, sem tristeza...

como um direito que ainda se tem

como uma vontade que se pode dividir

olhar para as cores da madrugada e vê-la como madrugada

sentir o calor e ver nele vida...


ensinas-me isso tudo, de novo,

                                  como se eu fosse uma menina?    Alma


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Lágrimas...


Subiu-me uma lágrima.

Pelo que não me deixas ser.

                    Pelo que me cortaste.

Porque retiraste o teu corpo das minhas mãos.

      Roubaste o som da tua voz aos meus sentidos.

                O calor das tuas mãos quando perdidas por mim.

 Porque te procuro, te encontro e não sei de ti.

                                Porque, porque, porque…

 vazio que és em mim.

                          E eu, sem amar, que não sou ninguém!       Alma

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Beijo é o paladar dos nossos desejos


   na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.
            janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.
       ..
... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                             entrando na tua intimidade,
                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,
           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...
                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.
… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.
cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,
fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...
                          chora-me de prazer, em loucura como antes…
                                                                               até à dureza dos corpos,
soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,
pela dor de carne macerada .
                                                       deixa-me não parar,
             mas fala sempre,
 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,
                                         seco do mundo, seco do que ouviu.
e se a loucura te dominar, deixa-a ser…
                              estéril fica o solo que não é arado.
e és amarras em mim,
        lábios feitos corpo, corpo feito mar,
ondas de beijos em que me transportas,
                             aridez que me sua agora no delírio
de todo tu seres boca em mim.   Alma
 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Deixa que as minhas palavras...


Deixa que as minhas palavras te vistam de Amor e de Ternura.

Deixadas aqui com o teu nome escrito, elas esperam-te, noite fora, quando aqui chegas com subtilezas de ladrão visitando propriedade sua.

E levas-me contigo, durante o meu sono, nessas palavras criadas para ti em forma de beijo, seladas em desejo, resguardadas, junto ao coração.

Elas serão tuas companheiras na solidão das tuas noites. Leva-as aos lábios, ouve-as pronunciadas num sussurro do coração pela minha boca e beija-as como se elas fossem eu.

Contigo, sorrindo, dormirão no aconchego da tua almofada, contra o teu rosto, no gesto de amor que não poderei ser.

Alma

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

... para ti, limite de mim-Palavras

salvador dalí

sinto até ti.

as tuas palavras são o meu limite, o limite das minhas próprias palavras.

e esta sensação física de poder andar contigo a par,

em silêncio

e conheceres todas as minha angústias,

a minha dor,

as palavras que direi, as que terei ainda vontade de dizer.


sorrio… saber que contigo não há barreiras…

                             recebes-me em palavras como me receberias a mim


se eu fosse tua,

se me amasses

se...


e sou de novo ao teu lado, em palavras.

e nesses limites sem fim que és, eu sei que poderei ser quem sou,

alongar-me ao longo do pensamento que conheces,

tocar o  teu sentimento que me completa,

e permanecer inscrita em cada sílaba, em cada intenção-palavra que sou.

e porque a Dor, Hoje, me subjaz e ultrapassa, pega–me no rosto,

penetra-me no olhar que te dou e vê-me por dentro, na essência,

na verdade de quem se inscreve como se dá em acto de Amor por consumar.


                        porque Hoje dói-me esta certeza de não pertencer aqui.

é insuportável este ódio e esta desconfiança que não mereço.


… deixo-me aqui, pura, nas tuas mãos.


                            para ti, que sempre acreditaste em mim.   Alma

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

levanta-se a ponta do véu do Amor...


levanta-se a ponta do véu do Amor e é o sorriso alargado do desejo que nos recebe...

baixa-se a ponta do véu do desejo e é o Amor que nos aquece os dias...

não sei.

se te digo vem, te abro os braços e tu naufragas em mim, que outro sentimento esperar senão o da rendição perdida da união dos corpos?

como é possível resistir ao contacto humano de ti, quando é em oferta que te dás, te entregas, deixando que eu te sinta, sem espaço ou intervalo entre as nossas roupas…

fusão imediata que começa na alma e termina na troca de calor entre tecidos, que já não sei se são de pele se de alma… se de outra coisa, nós ou…

e se os braços se enleiam, se me apertam,  se as mãos se seguram ao recato do ainda novo, do ainda desconhecido, em ternuras à superfície como quem não quer manchar, invadir mas que já não se sustém por muito, pesada a respiração, pesado o cheiro dos corpos, ainda ingénuos, contidos apenas pela troca tépida de temperaturas…

e é a mente, a ideia, a aproximação, o que não conseguimos controlar na inerência e no implícito, e amar - ou desejar? - não só na troca de fragrâncias, de suores crescentes, das já chamas, mas no amor que sentimos pelo que o outro tem de nós em si. e confundem-se as identidades, os corpos, as roupas ignoradas pelo chão e ser-se só um, em profusão, em crescendo, em não poder mais porque já dói, de prazer, ou pelo simples desejo da carne dorida que, de tanto se querer, nunca mais chega…

sou em desejo, em amor.

a descoberto.           Alma

terça-feira, 30 de agosto de 2011

que momento único...



olhos fixos dentro de nós,
                         sentindo o silêncio que nos invade na pele,
                                           imóveis e colados um ao outro.

 como um só, escutamos o mar lá fora contra a muralha,
                    nosso companheiro há momentos na paixão de sentir-se vivo.
                                      sobe o silêncio dos corpos ao ritmo do fumo de incenso,
                    escalando a luz breve de um  final de dia.
                                  sinto a tua respiração fervente no meu cabelo,
                                                                   soprando-o ligeiramente.

 e neste ambiente quente e único, chego a acreditar que és meu.
Alma

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Converto-me ao segredo das tuas noites...

Luis Royo

Converto-me ao segredo das tuas noites, da tua vida quando me sento no espaço da tua sombra, a teu lado, e te falo da minha Dor, das minhas alegrias, dos sonhos que nunca concebi.

E tu sorris-me, sorris comigo, iluminas o dia para me ver sorrir.

 E o teu sorriso alarga-se, estende-se ao teu olhar, solta-se da tua boca e aninha-se na minha, sacia-se em mim. E eu sinto que não é só um sorriso, o meu, o teu... É a minha Alma na procura da tua, é o encontro instintivo das mãos que se abraçam na união dos dedos com a ponta dos meus escorregando pelos teus, a palma das mãos trémulas no adivinhar do contacto dos corpos.

Conduzo a tua mão aos meus lábios, elas que tantas vezes me acariciaram em sonhos longínquos como nós, em vontades delirantes como as nossas... terna, solto beijos na palma das tuas mãos, provando-lhes as carícias que nunca me chegaram.

Alma

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vontade



ESTA SOLIDÃO EM QUE ME REFUGIO, ESTA CERTEZA DE AMOR QUE NÃO ME CHEGA.

           PUDESSE EU PINTAR OS DIAS COM A LUZ DOS TEUS OLHOS...                 ALma

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Penso...


Penso...

Quando as tuas mãos chegarem até mim, e a curva conhecida do teu corpo oferecendo-se, dando-se, e a vontade e a loucura nos invadirem, tudo perderá o sentido, a órbita, para sermos apenas tu e eu.

Ou só tu, perdida que seria de mim, ou só o momento, ou só nós, um, em alma e corpo.

                                         Quando fores tu, Amor, em mim, eu não serei mais eu mas a secreta, a que ninguém desvendou, a que se escreve na espera de ti.

Alma

sábado, 30 de julho de 2011

se temo ser feliz?


não, sabes bem que não. não faria sentido, não há ninguém que não deseje ser feliz.

temo o que viria depois, quando a felicidade acabasse. e repara que nem me atrevo a escrever felicidade como Felicidade... esta não existe, porque tudo é efémero, como as pessoas e as vontades.

e no fim, fica-se com umas mãos vazias e um coração cheio de arrependimento.

então, como consigo sorrir? porque tenho o olhar do meu filho.

           e ainda que tema por ele todos os dias.

Alma

domingo, 24 de julho de 2011

contigo...



Contigo esqueço a futilidade da Vida, dos sorrisos que me seduzem, das vontades que me estendem... Não me conhecem, julgam-me pelo meu silêncio, pela minha indiferença calada perante a sua futilidade.



                                     Mas para ti abro o meu ser, quando te digo o quanto me dói, o que me dói, quando me sinto ameaçada... e tu dizes, simplesmente, “estou contigo, não te esqueças” e eu sinto a força da tua magia, da tua presença.



                                 Para te amar a seguir, na noite de nós, quando medes em mim as saudades que sentiste, a tua vontade crescente e procuras no meu corpo o conforto para as tuas mágoas, entretanto caladas pela voz das minhas.



                        Silencioso, imóvel, deixas que te ame como a uma criança, até que a dor passe, até que o sorriso te volte...


És então tu, amante, renascido sobre mim, braços que me prendem e me enlevam, felicidade que desenhas na minha Alma e a que chamas Vida.                                Alma
 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desejo da minha alma

David Larson Evans



vindo do nada, empurraste-me a porta da alma e entraste.

não sei da tua voz roçando em pele a minha orelha, do teu rosto contra o meu, de ti inteiro ou em metade. não conheço as tuas  mãos ou as tuas formas.

arrebatador, violaste a minha vontade, falas com as minhas palavras, com o meu pensamento, sempre e só no silêncio mudo da página em branco.

… escreves em mim  frases minhas que nunca te disse, pela minha voz que nunca te chegou. e tens-me invadido como ladrão que entra em quarto abandonado, incauto...

e assim, de repente, fazes parte da minha vida, sem respeito, sem licença, sem que saibas quem eu sou.

e eu deixo...

quero.

imagino-te na tristeza das tuas palavras, na afinidade do amor que nunca foi reconhecido, do desejo nunca concretizado. e revejo-me em ti, nesta vida de enganos, subtilezas e indiferença.

e falas-me de amor... do que sentirias, do que farias, do quanto sou para ti.

vem, peço-te, até mim mas alma e coração. partilha comigo os meus lençóis, se quiseres,  acaricia-os como se fossem a minha pele, aquece-os com o carinho e a ternura simples dos condenados do amor e deixa-te estar, silencioso.

ao meu lado.

e, quando te parecer, toca-me como quem acaricia a alma…

que a minha alma é triste e presa num corpo sempre desejado.

                                      e, garanto-te, não há nada mais triste… Alma

sábado, 9 de julho de 2011

Nega!

renata domagalska


Atravessa-me esse amor que dizes não ter, pelo beijo, na carícia, nas palavras, na tua entrega altruísta.

Respiro-te, neste compasso ritmado, ao som do desejo, transpomos a película da paixão. Ouço o amor! Sinto-te, meu amor! Tu negas, eu rio.

Sabes-me melhor que eu própria, pressentes as minhas vontades, brindas-me com prazer e ternura.

Nem me importo, basta-me o que dizes não ter, meu amor.

Serei esse corpúsculo cintilante iluminando-te sonhos. Tua, escrava e rainha, mulher.

Vanda Romeu



"... e eu mostro a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu"

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vem!


Não, não és o meu amor nem és meu.

És essa luz difusa que me quer, que me deseja num ritmo cadenciado, marcado pela dança dos teus sonhos.

E eu transcendo-me.

Vem!

Não hesites.

Anda e descobre-me como sou hoje.

Recosto-me na cadeira e sonho como será a suavidade dos teus braços, quase sem desejo, apenas nostalgia… De um abraço perdido, de um beijo esquecido, de uma carícia guardada.

Há palavras que nunca me disseram e que eu sonho tanto ouvir!...

Mas não, não sei quais são.

Surpreende-me!

Conduz-me ao delírio do prazer em amor, deixa-me permanecer nos teus braços, aninhada…

E mesmo que sejamos pele com pele, funde-me em ti, sem ardor.



Mas se não conseguires resistir, não deixes de sussurrar o teu desejo junto ao meu ouvido.

...                           

                               E se não tiveres de parar, então não pares.

Alma

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quando me chegas...,


Por vezes, chegas-me em silêncio e cinges-me a ti, anel à volta das minhas ancas, o teu rosto procurando o afago do meu peito até ao aflorar do desejo.
Outras, crucificas-me no teu olhar, algemas a minha vontade e procuras a Mulher que inventas em cada noite… e és rasgo na minha pele quando me entras por dentro e me circulas nas veias…

                                                 Contorço-me, distendo-me…

Despertas-me num desejo felino, animal, que me arranca sons da garganta que agora possuis, da boca que te recebe em desejo...

No final de nós, inconsciente, aninho-me no teu peito para sentir a carícia do teu beijo que cala as palavras desnecessárias.   Alma

domingo, 3 de julho de 2011

Tu...


Tu…

projecto o meu cabelo sobre o teu rosto,

                                   faço-o deslizante e acariciador pelo teu peito,

sendo eu, ao longo de ti, quem te percorre.

suavidade em côncavo, no convexo...

e sou beijo na curva,

                     no contorno,

                                     ao extremo.

sem vontade, arranco-me de ti.

 

permaneço lateralmente,  na horizontalidade, paralela a ti,

                          com olhares de apelo, de "vem!" que tu lês.

             e fico, sou, presa sob ti, nos encaixes em que me conheço,

beijos perdidos por mim fora,

             

                              garganta que seca,

                  lábios cortados pela fúria de um grito calado,

tensa, estendida, mais do que no meu tamanho…

estou agora crucificada pelas tuas mãos,

                                                                     em corpo Total e imóvel.

                                    

                                     e rendida, despojada, sou Desejo sem Alma.

                          

                                                                     Eu.    Alma

quinta-feira, 30 de junho de 2011

As amarras do Tempo


Se de Amor

eu te dissesse todas as palavras que tenho para dizer

e que tu gostarias de ouvir,

não haveria maior certeza do que esta,

nós,

lado a lado,

roendo as cordas do Tempo

que nos amarram ao mundo

que não nos serve.

Alma

sexta-feira, 24 de junho de 2011

E Amar-te é isto...


É este arrepio que me consome pela simples sensação do teu perfume, do teu cheiro de homem, em camisa marcada por um dia de stress, de pressões, de vontade de liberdade.

Vem que eu dou-te a liberdade, aqui, em lençóis de algodão, frescos como a pele que nunca se usou, tu-Todo nesse crescendo de vontade que me chega sempre com o teu cheiro.

Vem que eu mostrar-te-ei como é bom o conforto de uma pele sensível como a alma em que te envolvo e te adormeço, como a mão que te percorre,... e ter-te assim e os outros lá fora, inexistentes.

Vem que eu não sei nada desse mundo complicado em que te movimentas.  O meu mundo é o teu nome, é esta espera e o despojar-te de tudo o que revelas aos outros e que encobre o que é só meu,   aquilo que guardas só para mim.

Do resto, não quero saber mais nada.

Aqui só contam a tua boca, o teu cheiro e o que tiveres para me dar.

Neste mundo em nós.              Alma

sexta-feira, 17 de junho de 2011

cumplicidade


Esta nossa cumplicidade que me desnuda,
                           Te provoca,
                                    Se revela na mudez do olhar,
                                              E eu estendo-te as mãos.   Alma

quarta-feira, 15 de junho de 2011

caminhos no singular


eu sei que esta nossa história não é de "era uma vez".

 não teve princípio, és o meio da vida que me completa e não sei que fim poderá ter... arriscaria dizer, talvez, o nosso.

e  não era porque nunca fomos desde... fomos sempre. sem princípio. como um destino, uma vontade.

uma história sem pele, sem beijos, sem carícias.

sei de ti e tu de mim... talvez mais do que outros saberão de si. entrega sem receios, sem limites nas palavras, como uma voz, um olhar que não se conheceu ainda, um abraço dado sem contacto. cuidado meu que és, o cuidado que tens em mim... pelos meus dias, pelo teu bem-estar, como se um sem o outro não fosse nada.

somos verbo conjugado singular em nós, indistinto de quem começa onde ou em quem no outro.

se me pedissem os limites com que te penso sorriria e diria, conjugando-nos numa gramática


                      de Vida sem ti não é Vida

                                                          eu é, ele sou!

Alma

domingo, 12 de junho de 2011

Delírio


entre a Paixão e a Dor…
 
entre a Sombra e a Luz…

a Alma não pára, o Desejo redobra…


se pudesse rasgar a madrugada de amanhã,

a que virá nossa,

ser outra,

           tu seres outro,

                 sermos diferentes
                               
                  mas tão iguais como aqueles que se amam…

por entre lençóis abandonados

                                  pelo chão,

                                  pela cama

                                  pelos corpos

retratos vivo da paixão,
                           
                              da pura,

                                   lícita

 (ou da outra

…a que fosse…)

sem dor,

sem uso,

sem gasto nem hábito

eu ser a que quisesses,
                         
                                    todos os dias,

                                                     para ti e só para ti.
 ...

parte à descoberta de mim,

abandonado o gasto cais,

o da estagnação…

o do hábito…

e eu reinventar-te-ei entre os meus braços,

anel na tua cintura, curva louca em delírio sob ti…


dar-te-ei um nome, meu!

e eu, sem ser, perdida,

                   ou apenas esta vontade de ser tua.       Alma