segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

memória de ti, fogo que me consome

foi de novo este formigueiro na ponta dos dedos, invasão progressiva de gesto quase animal que me impele para este acto de amor.

sento-me. os dedos, dançarinos, atropelam-se, tropeçam nas letras, misturam-se pernas e acentos, côncavos e convexos, aumentando o meu desejo, a ansiedade, a vontade  estranha desta tranquilidade que é gritar em silêncio este meu amor por ti.

e olho as gaffes e continuo, sempre, incontrolável, sonhando com o calor da tua pele, com o toque dos teus dedos, com a velocidade do teu olhar  passeante que procura gravar cada parte de mim na tua memória como naquele momento único, rápido, demasiado rápido, desejado em olá-adeus, sem futuro, sem projecção do passado, só e só aquele presente.

e deixar-te num enlaçar de mãos, virando a tristeza de te deixar, deixando-a para trás no canto da escada que de direito não havia mais nada a fazer.  só o abandono.

e tudo com um sorriso, com o amargo da vontade que se dilui, que ficou esquecida num qualquer dia de um qualquer plano, força que nos impeliu para algo por ambos desejado.

e hoje há o silêncio, esta certeza funda do quanto te quero, do quanto gostaria…, no quanto me dou em palavras, nestes aromas que solto e com  que te perfumo cada dia, ao acordar.

como é bom, único, ter o teu nome, o teu sorriso, o teu amor gravado em mim… por cada palavra, por cada sorriso, por cada memória … 
tu inteiro em mim, o que eu sei e se me dá.            Alma                                          

sábado, 29 de janeiro de 2011

A Ponte


Fala-me em surdina dessa vontade assim, de ver Alma, Coração, toda uma vida, tudo desenhado em formas arredondadas, como acompanhando as curvas da vida, oscilando, espaçando, em intervalos curtos, desejos calados, segredos silenciosos...

Repensamos quem somos, revemos quem fomos, como deixámos não querendo, como continuamos a ser noutra direcção...

De memórias, restam-me o teu rosto, as minhas lágrimas, momentos de felicidade, aqui, também.

E como a escrita me conduz, como a tua vontade me transporta, para que escreva, para que seja essa outra que te trouxe até aqui, há tão poucos meses, como uma Eternidade, com cheiro de sempre.

                                                                                     Alma

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

e dizer-te, não me interessa...



e ela disse-lhe, sussurrante, ao ouvido,

                     não me interessa como te chamas,

se vens do país do gelo, do deserto, quantos amores terás tido,

                                           quantas vontades terás sufocado,

          quantas vezes terás amado,

se juraste, se te traíram  e és agora amargo, 

                                      se te prometeram e fugiram ,

se encontraste e perdeste, se foste tu e menos tu em outras ocasiões,

                                      se iludiste, se ganhaste e te perdeste,

se consegues ou não ser quem queres,

                  se não sorris, se choras por vezes e te esqueceste do som do riso,

se os teus cabelos são já brancos e as tuas rugas vincos de tristeza na alma.
                                      

                                      …não me interessa se me amas ou não.

                                                      o Amor aprende-se… como a Vida.

                        basta-me esta certeza de estares aqui, Tu,

completo, humano, carente…

                                           … de quereres

                       e meu...


                           o resto será o que nós quisermos      Alma

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Porque não me contas um segredo? (conto erótico)


– Porque não me contas um segredo?
O Tejo estende-se calmamente mesmo aqui ao lado, afinal é normal que as diversas estradas se toquem e mesmo se cruzem, tal como as vidas das pessoas. Considerando que a nossa vida tem um rumo, um caminho ou estrada, encontrando outras pessoas surgem os cruzamentos e entroncamentos diversos...
– Porque não me contas um segredo?
Uma vontade que me acompanha muitas vezes de entender a razão pela qual as pessoas seguem a minha estrada em vez de outra. Porquê eu?
– Conta-me tu primeiro.
Disse ela sorrindo com um ar malandro que quem vai pensar nalguma coisa...

Agarrei-lhe a mão decidido, atravessámos a rua e entrámos numa tasca velhinha mas asseada , funda, de paredes altas, pipas de vinho atrás do balcão e pedimos o lanche petisco, eu jaquinzinhos, uma meia dúzia e uma taça de vinho branco, ela uma sandes de presunto e outra taça branca...
Num reflexo saí à rua, já os candeeiros acesos desafiavam a noite num lusco-fusco sempre intimista, fiz um telefonema breve e voltei ao banco corrido da tasca onde petiscámos...

Meia hora depois e de café já bebido, interrompo a conversa, levanto-me e não consigo evitar uma gargalhada de enorme alegria pela prontidão profissional da chegada até nós de Laura, uma acompanhante de cor mestiça, baiana, de vinte e oito anos que havia conhecido na despedida de solteiro do meu amigo Hugo Marques e que me tinha ficado na memória por boas razões. É belíssima, de olhos grandes castanhos claros, cabelo franzido bem tratado, altura média mas com os saltos altos fica um mulherão que não passa despercebida nunca, apresentei-a e sentámo-nos.

Raquel, minha mulher amante não ficou nada indiferente, o sangue muito depressa lhe saltou à cabeça, daí a cor rubra na sua face branca.
A simpatia alegre e à-vontade da baiana mulata colocou-nos num clima muito descontraído e lá fui direito ao assunto, o meu segredo, já tínhamos falado muitas vezes do caminho que iríamos trilhar nos devaneios do prazer, até ali tínhamos caminhado sempre em crescendo e sentíamos que era necessário continuar a crescer descobrindo outros caminhos, não havia volta a dar e como tínhamos esse sonho de ter outra mulher entre nós, conjugado com um desejo enorme de fazer algo diferente naquela noite...

Na época vivia num estúdio em Alfama, quarto, cozinha e casa de banho, estávamos no meu bairro. A hora da noite já convidava ao jantar e resolvi dar um toque tradicional e típico à ocasião, Clube de Fado, nem mais, subimos ao nível superior e escolhemos uma mesa recatada onde pudéssemos ficar mais na intimidade de quem vai namorar, mas a três, uma novidade que fazia acelerar o coraçãozinho que sentia apertado apesar de estar liberto de complexos e pronto para o que aí vinha. Já sabíamos os três que haveríamos escolhido cruzar os nossos caminhos naquela noite amena de outono. Não foi um jantar de todos os dias, carote, mas valeu a pena, comemos bem e regámos as pataniscas de bacalhau com um tinto alentejano que já nos ajudava no refrão dos fados mais corridos. Inesquecível.

Duas ruas e uma escada antiga para ficarmos no cortiço desarrumado mas de serventia adequada. Entrámos, já Raquel se sentia dona do espaço, os seus olhos azuis quase cinzentos ficaram   transparentes e brilhantes, tinha há uns momentos aberto a alma aos momentos seguintes, saltava para o meu pescoço aos beijos prolongados com a sua boca quase seca que agarrava os meus lábios também cheiinhos de tesão.
Laura tinha ido ao banheiro e com que voz pediu ela licença naquele sotaque meloso, seus olhos também já mostravam bem o espírito, dançávamos num afago total ao som de Maria Bethânia quando ela se veio juntar a nós cantando e dançando, nua... a pele escura molhada fica arrepiada com o meu contato, abraço-a forte e sinto no meu peito também nu de camisa aberta, seus mamilos que são como botões que abrem a disponibilidade da mulata, grossos e da cor dos seus lábios também grossos que Raquel beija com a suavidade de quem acaba de chegar... enquanto percorria aos beijos o corpo daquela mulher maravilhosa deixo cair as calças e num movimento à retaguarda caio no sofá a saborear o prazer da visão, as duas mulheres estão numa dança selvagem com beijos longos e abraços por todo o lado, Raquel passa e deixa a mão fina branca pelo rabo negro da brasileira e aquela imagem de contraste deixa-me desvairado de prazer, penso na felicidade que me é concedida por poder possuir naquele momento que desejava longo, aquelas mulheres intensas de prazer.

Esticado na procura dos cálices para servir uns conhaques sinto uma boca entrar por mim a dentro, aquela boca deixa-me tonto, até porque me consegue engolir quase todo e em movimentos lentos ora acelerados... o brandy fica para mais tarde... sinto-me um enorme sexo, ao mesmo tempo que beijo os seios e trinco os mamilos negros, Raquel faz o que tanto adora, saboreia-me gulosa e roça-se no meu joelho ao ponto de sentir o quanto está molhada de tanto desejo, enquanto beijo a outra, acaricio-a... os primeiros sons são gemidos espaçados, penso que temos a noite toda, saio dali devagarinho e aos beijinhos, vou servir os conhaques e meter nova música ao mesmo tempo que resfrio a cabeça, de bandeja mais ou menos a vestir-me o sexo deparo com o quadro mais belo, as duas lá estavam no sofá abraçadas aos beijinhos como se fossem amigas de longa data, que belo, nenhuma violência, adultos conscientes, dispostos a fazerem-se felizes nem que por uma noite... a alegria e a paz são o lema da nossa comunhão.
Saboreamos o conhaque e os beijos que cada uma dá  conversando sobre cozinha suponho, até que Laura chama atenção para outra comida e beija Raquel de uma forma tão intensa que me deixou arranhada a posse da minha namorada, aquele traiçoeiro e repentino pensamento deixou-me foi mais desperto por quem e onde iria começar sem incomodar as meninas que tanto se amavam. Tenho um rabo branquinho à frente que se remexe de pernas semiabertas o suficiente para passar a minha mão e sentir se há repulsa, não há, de pé enfio o meu pau rijo que foi sugado de uma vez pela tesão dela, é bom demais, ela é apertadinha ao princípio, sinto-me dentro dela completamente, os movimentos são cada vez mais fortes e rápidos e ela geme e fala e pede e dá e toma e está num prazer incontrolável os olhos da mulata estão cerrados enquanto busca a boca da outra que está aberta, os beijos são os intervalos dos gritos... até ao orgasmo, Raquel, chicoteia o corpo como nunca tinha visto, que delíiiiicia... delíiiiiiiiiiiiiiicia!

Quase uma lágrima caía de felicidade quando aparece um beijo tão desejado como retribuído, respiração normalizada e... sentada, esperando por mim uma mulher maravilhosa que me desejava também ela... de olhar envergonhado e sorriso malandro lá me mandou um beijo pelo ar que não deixo cair, quem cai sou eu e de joelhos... os meus dedos entram nela, estremece , encontro o clitóris e não resisto a beijá-lo, fico com ele entre os dentes e passo-lhe a língua, sinto-lhe o prazer, ela geme e abre suas coxas como se duma flor se tratasse e ali estava exaltada de prazer, beijada com a ternura que só Raquel sabe dar... Tenho uma surpresa pra você, diz a baiana, quero dar-te minha bundinha. Faz-se um momento breve de silêncio logo interrompido....
...
Abdul-Hamid

nós, em fragilidade... ou não!


circunstanciados, arreigados, dispostos pela nossa fragilidade nesse ritmo alucinante e em espiral dos nossos medos, revertemos as nossas vontades, ignoramos os olhares e os sorrisos que nos amam.

presos no voltear das nossas vontades, chegamos a acreditar que a nossa sorte, o nosso destino é essa súmula de não-vontades, expressão de uma felicidade que não sentimos, estranhos, estrangeiros, sozinhos nesse mundo, sim, repleto, mas que, no entanto, não nos completa.

porque não são aqueles os sorrisos, não são aqueles os lábios, não é nenhum daqueles o corpo-alma que esperávamos.

esse, é sempre O especial, O que chega quando não se espera, O que se se escapa se não estivermos atentos...

esse, É Aquele que sei, que me chega, que se promete em desejo e que eu apenas quero sob o desígnio do amor.

nos gestos, o desejo.

Alma

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

(des)medida de ti, amor...

 
envolve-me na tua memória e transporta-me contigo.

tenho em mim a recordação do teu rosto, do teu sorriso, da tua cortesia...

e Deus sabe como isso é tão pouco, de tão grande ser a falta de ti e a saudade...

com essa simplicidade de ser único, escreveste em mim o resto dos meus dias, o sonho que acalento, a certeza de que nada será como eu acreditava.

deste-me este novo olhar, este sorriso na minha boca, não pedindo nada em troca, apenas Sendo.

momento único da minha vida, sensação ímpar de plenitude, percebi que nada existia antes de Ti.

toque de dedos em fuga, timidez de beijo-rosto em jeito de despedida, gravados em fogo no meu olhar, na minha pele, na memória-certeza de como se tivesse sido sempre assim, Tu e Eu.

Alma

sábado, 22 de janeiro de 2011

segredos em nome...

do Amor...

simplesmente.

como sempre.

em teu nome.

como um feitiço que se estende na distância que nos separa, que adivinha a Alma do outro, pela circunstância de sermos quem somos e como somos, pela vontade do melhor para o outro, sem mãos nem dedos, pressuposto que definimos porque já estava definido no Destino, sem beijo ou toque mas tão belo quanto um segredo pode ser.

e se a minha Alma grita neste ou naquele texto, se a tua Alma se preenche com todos eles, destino dos meu segredos, ponta insustentável da riqueza que representam, é porque sei que estás aí, nessa mesma distância com que me tocas em pensamento.

e ser assim, por Inteiro, quando me dou e exponho, estar aqui, neste altar onde, em segredo, te glorifico...

voz da minha voz, Alma da minha Alma, sorriso do meu sorriso, tu que me transportas para esse mundo à tua imagem  e onde me encerras, libertando-me, solta de quem era, de quem não me reconhecia antes de ti, nesse âmago identificável apenas e só por alguns…

simplesmente...

                              como o Amor que se tem em segredo.

                     Alma

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sobre o silêncio no amor


doce tranquilidade que assim me invade em toques de ternura antes de ser carne, pele, calor...

como o quente aroma do incenso que nos envolve exteriormente e que nos aquece por nós dentro pela fragrância que dele se liberta...

utopia de um desejo que abrasa sem nome nem êxtase mas que aperta por dentro, nó de ventre, velocidade de um coração, boca seca antevendo o prazer que nunca será.

e querer-te mesmo assim, mesmo depois, mesmo sempre...

pelo que és eu não vendo, pelo que dizes eu não tocando, pelo que amo, tu evitando.

e é plenitude, é O-Mais-Alto, incompreendido, proibido, vedado.

como grito, como rasgar de ventre, como condenação divina…

                             e que venha! 

                                             que o viver-Inferno é não sentir nada disto.

                 Alma

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

alma em flor nas minhas palavras


... doce sugestão ao meu ser que assim apareces sem aviso, sem quase nome, sonho doirado de toda uma existência...

se me aproximasse de ti e mergulhasse a minha respiração no perfume sedutor da tua pele, naqueles pontos onde o calor exalta, aquece o doce aroma e aí permanecer, quente e protegida, em espasmos de febre?

e se me encostasse só, toque subtil de uma vontade incandescente, sem gestos, sem som, apenas grito na leitura que fizesses do meu olhar?

quem serias tu?

Alma

Meu homem lindo

Vladimir Rasputin

Penso-te lindo no ser e no estar, na gratidão do desejo
Sinto-te próximo nas palavras, momentos e sonhos
Sorriso cúmplice, mãos abertas, ausência das noites cansadas, carícias contidas
Entranhado em mim, namoro enamorado
Pela lealdade dos teus gestos, da tua alma
Beijas-me em sons de mel, em aroma agre e doce
E como me fazes feliz!

Vanda Romeu

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

contigo sem medo


E um dia não terei medo. Seguir-te-ei sem memória deste caminho, deste desenlace.

E beijarei as flores que me deres, as que colheres, as que cultivares para mim. As que me desenhares no guardanapo do pequeno-almoço.

Isso, abraça-me, jura-te, não me apagues ou iludas.

Alma

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Contigo


Regresso de alma e corpo completamente tua
Aquele último aceno iluminado pelo teu sorriso, deixa-me já saudade.

Partimos, sentidos opostos, sigo-te
Já não me pertenço, acompanho as tuas mãos, a tua boca, os teus olhos, a tua voz
Apenas levo a gratidão do prazer que me dedicaste, da tua entrega.

Sinto os teus braços puxando-me, a tua carne, o teu sabor
Inundada de ti, transbordas-me pelos poros, pelo brilho dos meus olhos, pelo sorriso involuntário

Cresce em mim o desejo de voltar, ainda inebriada, alucinada, pairando na magia, cópula perfeita!

Deliciosa loucura, grito o teu nome, amo-te!

Querendo-te muito mais…

Vanda Romeu

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

como um texto, exposto aos teus olhos


é assim que sou, é assim que me sinto.

revelação em mim concluída por este sentimento inesperado, desejado na irrealidade do sonho.

palavras são como beijos que se atiram, poisam onde calha, onde querem que eles fiquem, molhando, apertando, sussurrando num entre-dentes, ou numa carícia de pele de lábios, frágil como nenhuma outra.

e sim, são assim as palavras, as minhas. tocam, permanecem, partem ou penetram. como desejos. estes, deste altar, ficam sempre, glorificando a quem elas se destinam.

e, com elas, as minhas mãos, o meu olhar, o meu tempo. tudo reunido num único desejo, numa única forma, num único corpo.

o mesmo corpo que se modelou a um sentimento secreto, misterioso e inexplicável. o seu corpo, o seu modelo.

e tudo sem explicação.

Alma

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

enquanto escorres por mim...

escorrendo por mim-dentro,

... purificando-me mesmo em universos que desconheço,

... qual  invasor escolhido de uma alma exposta que se oferece em cada sílaba escrita que não te pronuncia,

... surdo que estás àquela que sou e te encantou,

                                                          Serás, sempre.

e percorres-me assim, dono,  como atravessas os meus caminhos de todos os dias, passante, gélido e temeroso...

e eu solto, pois que Sou, esta onda de calor por ti e tu desvias-te como se já não me conhecesses, como se não quisesses...

e eu permaneço à beira-de mim, apenas completa no bem que me fazes enquanto me escorres.

uma lágrima para ti.

Alma