segunda-feira, 30 de maio de 2011

vem... liberta-me desejo...


NICHOLAS B. HARITONOFF

isso, tu sabes...

chega de mansinho, sem aviso, coloca as mãos nos meus ombros,
                                desliza pela pele fazendo escorrer o tecido que me cobre.

 o calor que me chega, esconde a nudez em que estou ou não, 
                                                                  se sou pele ou tecido ainda.

                                  

as tuas mãos ao longo dos meus braços,
                             pele rígida de homem vivido, arrepiando-me os sentidos e a alma…

prendes-me, enlaçando-me, e eu inclino a cabeça para trás, sobre o teu ombro,
                                         curva perfeita para o desejo que me invade a mente.

Fusão única ao longo de mim, perco-me nas tuas mãos perdidas por mim.

           

A tua respiração jura-me fúria,
                                                        vontade não contida,

                  movimentos que circulam por mim ao ritmo do meu sangue ardendo.

E arrastas-me contigo, em solo e subsolo, roldão de membros e beijos,
                                   Gestos incontroláveis, garras acesas pela força do desejo…


                                 Sigo-te, escalo, trepo, chego, fico… fica.           Alma

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tango... ou corpo a corpo


... é como um acto de amor. em palco, na pista, público.

jogo de sedução, de apenas vencedores, no domínio a seu tempo, do corpo do outro, do seu olhar, do e pelo próprio ritmo...

por entre gestos de entrega sugerida e de posse determinada, os olhares sustêm-se, felinos, na vontade unilateral de possuir o outro, pelo olhar, pelo cingir de cintura, de força imposta na prisão do braço que parte a vontade de um…

mas porque a sedução é arma mortal nos fracos, eis que o olhar e o passar pelo corpo do outro é enfraquecimento, subjugação,  pelo desejo que imprimem no contacto ritmado e inocente a que a dança obriga.

e recomeça o jogo de sedução e de aniquilação de vontades. de um, de outro? quem sabe, o que interessa?

como no amor... o que conta é o usufruto do momento, o conseguir-se tudo nos momentos que temos como nossos, certos, nos braços de alguém.                                                                       Alma

segunda-feira, 23 de maio de 2011

QUANDO TUDO PARECE PARAR


À noite
quando tudo parece parar
marco encontro com o meu amor.
Deito-me com o silêncio
solta dos sentidos.
Entrego-me.
Ouço vozes e gemidos
passos apressados
respiração ofegante.
A natureza estremece.
Sinto um abraço vindo de longe
de muito longe...
Doutro mundo
onde o sol adormece
devagarinho.
Onde os corpos se arrastam
frios, enlameados,
num chão feito de guerra.
E quando tudo parece parar,
num espaço feito do nada,
o arfar suplicante
confunde-se com o meu.
Ouço gritos de amor. Perdidos.
Sem ninguém.
Lá, onde o sol adormece,
devagarinho!

Adelaide Graça

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sensualidade em que me apeteces


Solta-me a vontade de ser seja quem for.

Apenas não quero continuar assim, lívida, sem vida, de olhar errante.

Sonho este ou aquele momento de carinho, nem precisa ser de paixão, sobre o meu rosto... se o teu mundo fosse o meu, partilhado, exclusivo aqui, no momento por nós criado.

...

Estender o meu sentimento, abertos os braços, e deixar que pouses em mim, qual espírito sequioso do Amor que nunca chega e do que nunca se consegue fazer chegar.

No depois, podemos até permanecer assim, estendidos, no também contacto dos corpos que sempre fomos…


Sobra em nós esta linha invisível que mantemos segura pelas palavras e olhares que trocamos.                          Alma

Há dias assim...




Estendo a mão sobre a os lençóis frios na ânsia de te encontrar
Gelada está a minha alma pelos desvarios de vida seca
Triste por um tudo que nada é
Busco consolo na memória de ti
Hoje nem a certeza do teu querer, nem a intensidade das tuas palavras doces, nada…
Queda-me esta tristeza que teima em ficar.


Vanda Romeu

quarta-feira, 18 de maio de 2011

meu sim, fogo deste inferno


e digo-te...

              vou!

                        quebrada, desfeita, volto-te as costas, cerrados os dentes, certa de que a minha Dor vale bem pela realidade que temos.

                        não olho para trás, não posso. sinto a brisa que a tua mão desloca na direcção das minhas costas. imaginá-la, arrepia-me de morte, de querer, de voltar, por desejar  ir ao  encontro da condenação eterna, salva nos teus braços.

                       a tua mão voa, procura-me, hesita e avança. passo a língua pelos lábios, secos, como eu nesta curta distância de ti. paro. e és tu ao cabo desta eternidade de segundos em decisão.

 vem!

prende-me, reverte os meus sentidos, procria em mim, anjo ou demónio, mas não deixes que me seque.

                são tempos infinitos a dizer sim! que Mulher seria se te dissesse não?              Alma

terça-feira, 17 de maio de 2011

chamo-te e sou eco de mim

(foto)
tu que sabes o que eu quero.

                   tu, dono da chave única que me abre e me sabe,

                              em coração e Alma,

                                      em vontade e desejo.

                                                                deixas-me...

                     

                                        e eu aqui, senhora de uma tristeza sem fim,

                  recolhida nos meu sentimentos,

                                                          sem ponto de retorno, sem norte,

                   esperando que dês a volta à chave em mim

                                                               e me descubras.

(foto)
                                                   nesta intranquilidade de ser sozinha, perdida,

                    adormeço ao som da memória que tenho de ti,

                                                boca, olhar, mãos, braços de enleio e perdição.

                    e espero-te, como te esperei desde sempre… Alma

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O que desejo de ti...

...
que as tuas mãos me vistam com as mesmas cores

                       com que me colores nas palavras que me ofereces...

não sei ainda se és ternura, se desejo, se tudo e mais ainda

 

                                                                adivinho o formato das tuas mãos pelo som da tua voz
                                                                imagino-as alegres como o teu riso
                                                                macias como a tua ternura
                                                                suaves como a tua delicadeza
                                                                firmes como quem serás

que elas sejam protecção, solo, calor, água e frescura...

                             talvez mesmo bálsamo para as dores do tempo, as minhas.

e, quando o cansaço não for mais gesto,

                                       nem desejos mas só carinho,

             deixa-me adormecer nos teus braços…

 nessa tranquilidade de quem se sente vestida ainda que nua,

                                                        protegida ainda que indefesa na pele.   Alma

sexta-feira, 13 de maio de 2011

quantas vezes em silêncio...



e quantas vezes procurámos nós convencer os outros sabendo da sua eterna e permanente desconfiança?

           assim como tantas outras vezes que sorrimos, olhámos o vazio através de um olhar, um sorriso sentindo o aroma da hipocrisia, a mão que, estendida, suava a falsidade do esforço do gesto…

mesmo que me leiam como Alma daí, saibam que neste ninho sou a mesma, de Alma inteira.

Alma

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vida assim, ao de leve...


acontece, por vezes, que a vida chega e espreita sobre nós...

esvoaça a cortina do esquecimento e eis-nos reais, perante nós, aos olhos dos outros, à descoberta...

e acreditamos que a luz nos chegou, que a vida nos encontrou, que seremos na plenitude o que sempre fomos em palavras, espalhados pela folha de tanto ser.

acreditamos e soltamos as amarras, iniciamos o trabalhar das máquinas, dispostos a partir.

mas há sempre esse fio de seda que nos amarra, que nos subjuga...

a vida afinal, tinha-se escapado pela ponta da cortina, caindo por nós abaixo, ignorou a nossa vontade e desapareceu...

na certeza de que não deixaria saudades, somente mágoa.         Alma

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Súplica



Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.

O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!

Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!

Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente…
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim etemamente! …

Vem para mim,amor…Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!…

Florbela Espanca - Trocando olhares

as tuas palavras

ecoam, permanecem, abraçam, beijam e ferem...

sinceras,

simpáticas,

difíceis,

espontâneas,

envolventes,

sedutoras,

duras e tristes

e há-as tão desejadas que nunca sentiste!

Vanda Romeu

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Convulsão nas palavras...


como seriam todas essas palavras que me lanças no colo,

                                                       transformadas em gestos, em presença?

que sorrisos oferecerias e eu devolveria ao saber

                                    do teu sentimento,

                                   da tua dedicação num gesto afectuoso,

                                                         naquele apertar de mão singelo,

                                                         naquele beijo depositado no meu rosto?

e depois das tuas,

que outras palavras me exigirias tu,

que outros gestos,

prova inefável do meu querer, do meu carinho e da minha ternura?

seríamos ainda nós, assim?

seríamos o para sempre que garantimos?

 ...

então como explicar esta convulsão que aumenta, este nó por mim, estrangulador

                                              quando és mais ternura?

                                              quando és mais palavra?

                                              quando és mais tu do que este que hoje me lê...

e eu poder sentir essa convulsão por dentro,

                                                por mim,

com nome e data,

... e poder dizer-te um dia

                                 hoje não quero apenas as tuas palavras.      Alma