quinta-feira, 30 de junho de 2011

As amarras do Tempo


Se de Amor

eu te dissesse todas as palavras que tenho para dizer

e que tu gostarias de ouvir,

não haveria maior certeza do que esta,

nós,

lado a lado,

roendo as cordas do Tempo

que nos amarram ao mundo

que não nos serve.

Alma

sexta-feira, 24 de junho de 2011

E Amar-te é isto...


É este arrepio que me consome pela simples sensação do teu perfume, do teu cheiro de homem, em camisa marcada por um dia de stress, de pressões, de vontade de liberdade.

Vem que eu dou-te a liberdade, aqui, em lençóis de algodão, frescos como a pele que nunca se usou, tu-Todo nesse crescendo de vontade que me chega sempre com o teu cheiro.

Vem que eu mostrar-te-ei como é bom o conforto de uma pele sensível como a alma em que te envolvo e te adormeço, como a mão que te percorre,... e ter-te assim e os outros lá fora, inexistentes.

Vem que eu não sei nada desse mundo complicado em que te movimentas.  O meu mundo é o teu nome, é esta espera e o despojar-te de tudo o que revelas aos outros e que encobre o que é só meu,   aquilo que guardas só para mim.

Do resto, não quero saber mais nada.

Aqui só contam a tua boca, o teu cheiro e o que tiveres para me dar.

Neste mundo em nós.              Alma

sexta-feira, 17 de junho de 2011

cumplicidade


Esta nossa cumplicidade que me desnuda,
                           Te provoca,
                                    Se revela na mudez do olhar,
                                              E eu estendo-te as mãos.   Alma

quarta-feira, 15 de junho de 2011

caminhos no singular


eu sei que esta nossa história não é de "era uma vez".

 não teve princípio, és o meio da vida que me completa e não sei que fim poderá ter... arriscaria dizer, talvez, o nosso.

e  não era porque nunca fomos desde... fomos sempre. sem princípio. como um destino, uma vontade.

uma história sem pele, sem beijos, sem carícias.

sei de ti e tu de mim... talvez mais do que outros saberão de si. entrega sem receios, sem limites nas palavras, como uma voz, um olhar que não se conheceu ainda, um abraço dado sem contacto. cuidado meu que és, o cuidado que tens em mim... pelos meus dias, pelo teu bem-estar, como se um sem o outro não fosse nada.

somos verbo conjugado singular em nós, indistinto de quem começa onde ou em quem no outro.

se me pedissem os limites com que te penso sorriria e diria, conjugando-nos numa gramática


                      de Vida sem ti não é Vida

                                                          eu é, ele sou!

Alma

domingo, 12 de junho de 2011

Delírio


entre a Paixão e a Dor…
 
entre a Sombra e a Luz…

a Alma não pára, o Desejo redobra…


se pudesse rasgar a madrugada de amanhã,

a que virá nossa,

ser outra,

           tu seres outro,

                 sermos diferentes
                               
                  mas tão iguais como aqueles que se amam…

por entre lençóis abandonados

                                  pelo chão,

                                  pela cama

                                  pelos corpos

retratos vivo da paixão,
                           
                              da pura,

                                   lícita

 (ou da outra

…a que fosse…)

sem dor,

sem uso,

sem gasto nem hábito

eu ser a que quisesses,
                         
                                    todos os dias,

                                                     para ti e só para ti.
 ...

parte à descoberta de mim,

abandonado o gasto cais,

o da estagnação…

o do hábito…

e eu reinventar-te-ei entre os meus braços,

anel na tua cintura, curva louca em delírio sob ti…


dar-te-ei um nome, meu!

e eu, sem ser, perdida,

                   ou apenas esta vontade de ser tua.       Alma

sexta-feira, 3 de junho de 2011

em graça


Nos teus braços deposito desejo
Flamejante, anseio as tuas mãos, estremeço… antecipo toque que me sabe de cor
Flui um misto de vontade, ternura e ardor
Saboreio o olhar, sorriso e aroma, gestos em que te ofereces
Alongo o momento, contenho-me…

Cola os teus lábios em mim e serei beijo,
Musicalmente, adivinhas quanto te preciso
Não peço, dás-te. Susténs-me em arrepio.

Despojados de tudo o mais, somos alma sem corpo.
Livres, em sublimação de prazer e loucura, combinação de sabores e confusão de sentidos.
E aquele beijo que não acaba… permanecemos…
Assim, na graça do encontro.


Vanda Romeu