sábado, 30 de julho de 2011

se temo ser feliz?


não, sabes bem que não. não faria sentido, não há ninguém que não deseje ser feliz.

temo o que viria depois, quando a felicidade acabasse. e repara que nem me atrevo a escrever felicidade como Felicidade... esta não existe, porque tudo é efémero, como as pessoas e as vontades.

e no fim, fica-se com umas mãos vazias e um coração cheio de arrependimento.

então, como consigo sorrir? porque tenho o olhar do meu filho.

           e ainda que tema por ele todos os dias.

Alma

domingo, 24 de julho de 2011

contigo...



Contigo esqueço a futilidade da Vida, dos sorrisos que me seduzem, das vontades que me estendem... Não me conhecem, julgam-me pelo meu silêncio, pela minha indiferença calada perante a sua futilidade.



                                     Mas para ti abro o meu ser, quando te digo o quanto me dói, o que me dói, quando me sinto ameaçada... e tu dizes, simplesmente, “estou contigo, não te esqueças” e eu sinto a força da tua magia, da tua presença.



                                 Para te amar a seguir, na noite de nós, quando medes em mim as saudades que sentiste, a tua vontade crescente e procuras no meu corpo o conforto para as tuas mágoas, entretanto caladas pela voz das minhas.



                        Silencioso, imóvel, deixas que te ame como a uma criança, até que a dor passe, até que o sorriso te volte...


És então tu, amante, renascido sobre mim, braços que me prendem e me enlevam, felicidade que desenhas na minha Alma e a que chamas Vida.                                Alma
 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desejo da minha alma

David Larson Evans



vindo do nada, empurraste-me a porta da alma e entraste.

não sei da tua voz roçando em pele a minha orelha, do teu rosto contra o meu, de ti inteiro ou em metade. não conheço as tuas  mãos ou as tuas formas.

arrebatador, violaste a minha vontade, falas com as minhas palavras, com o meu pensamento, sempre e só no silêncio mudo da página em branco.

… escreves em mim  frases minhas que nunca te disse, pela minha voz que nunca te chegou. e tens-me invadido como ladrão que entra em quarto abandonado, incauto...

e assim, de repente, fazes parte da minha vida, sem respeito, sem licença, sem que saibas quem eu sou.

e eu deixo...

quero.

imagino-te na tristeza das tuas palavras, na afinidade do amor que nunca foi reconhecido, do desejo nunca concretizado. e revejo-me em ti, nesta vida de enganos, subtilezas e indiferença.

e falas-me de amor... do que sentirias, do que farias, do quanto sou para ti.

vem, peço-te, até mim mas alma e coração. partilha comigo os meus lençóis, se quiseres,  acaricia-os como se fossem a minha pele, aquece-os com o carinho e a ternura simples dos condenados do amor e deixa-te estar, silencioso.

ao meu lado.

e, quando te parecer, toca-me como quem acaricia a alma…

que a minha alma é triste e presa num corpo sempre desejado.

                                      e, garanto-te, não há nada mais triste… Alma

sábado, 9 de julho de 2011

Nega!

renata domagalska


Atravessa-me esse amor que dizes não ter, pelo beijo, na carícia, nas palavras, na tua entrega altruísta.

Respiro-te, neste compasso ritmado, ao som do desejo, transpomos a película da paixão. Ouço o amor! Sinto-te, meu amor! Tu negas, eu rio.

Sabes-me melhor que eu própria, pressentes as minhas vontades, brindas-me com prazer e ternura.

Nem me importo, basta-me o que dizes não ter, meu amor.

Serei esse corpúsculo cintilante iluminando-te sonhos. Tua, escrava e rainha, mulher.

Vanda Romeu



"... e eu mostro a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu"

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vem!


Não, não és o meu amor nem és meu.

És essa luz difusa que me quer, que me deseja num ritmo cadenciado, marcado pela dança dos teus sonhos.

E eu transcendo-me.

Vem!

Não hesites.

Anda e descobre-me como sou hoje.

Recosto-me na cadeira e sonho como será a suavidade dos teus braços, quase sem desejo, apenas nostalgia… De um abraço perdido, de um beijo esquecido, de uma carícia guardada.

Há palavras que nunca me disseram e que eu sonho tanto ouvir!...

Mas não, não sei quais são.

Surpreende-me!

Conduz-me ao delírio do prazer em amor, deixa-me permanecer nos teus braços, aninhada…

E mesmo que sejamos pele com pele, funde-me em ti, sem ardor.



Mas se não conseguires resistir, não deixes de sussurrar o teu desejo junto ao meu ouvido.

...                           

                               E se não tiveres de parar, então não pares.

Alma

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quando me chegas...,


Por vezes, chegas-me em silêncio e cinges-me a ti, anel à volta das minhas ancas, o teu rosto procurando o afago do meu peito até ao aflorar do desejo.
Outras, crucificas-me no teu olhar, algemas a minha vontade e procuras a Mulher que inventas em cada noite… e és rasgo na minha pele quando me entras por dentro e me circulas nas veias…

                                                 Contorço-me, distendo-me…

Despertas-me num desejo felino, animal, que me arranca sons da garganta que agora possuis, da boca que te recebe em desejo...

No final de nós, inconsciente, aninho-me no teu peito para sentir a carícia do teu beijo que cala as palavras desnecessárias.   Alma

domingo, 3 de julho de 2011

Tu...


Tu…

projecto o meu cabelo sobre o teu rosto,

                                   faço-o deslizante e acariciador pelo teu peito,

sendo eu, ao longo de ti, quem te percorre.

suavidade em côncavo, no convexo...

e sou beijo na curva,

                     no contorno,

                                     ao extremo.

sem vontade, arranco-me de ti.

 

permaneço lateralmente,  na horizontalidade, paralela a ti,

                          com olhares de apelo, de "vem!" que tu lês.

             e fico, sou, presa sob ti, nos encaixes em que me conheço,

beijos perdidos por mim fora,

             

                              garganta que seca,

                  lábios cortados pela fúria de um grito calado,

tensa, estendida, mais do que no meu tamanho…

estou agora crucificada pelas tuas mãos,

                                                                     em corpo Total e imóvel.

                                    

                                     e rendida, despojada, sou Desejo sem Alma.

                          

                                                                     Eu.    Alma