sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Lágrimas...


Subiu-me uma lágrima.

Pelo que não me deixas ser.

                    Pelo que me cortaste.

Porque retiraste o teu corpo das minhas mãos.

      Roubaste o som da tua voz aos meus sentidos.

                O calor das tuas mãos quando perdidas por mim.

 Porque te procuro, te encontro e não sei de ti.

                                Porque, porque, porque…

 vazio que és em mim.

                          E eu, sem amar, que não sou ninguém!       Alma

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Beijo é o paladar dos nossos desejos


   na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.
            janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.
       ..
... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                             entrando na tua intimidade,
                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,
           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...
                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.
… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.
cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,
fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...
                          chora-me de prazer, em loucura como antes…
                                                                               até à dureza dos corpos,
soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,
pela dor de carne macerada .
                                                       deixa-me não parar,
             mas fala sempre,
 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,
                                         seco do mundo, seco do que ouviu.
e se a loucura te dominar, deixa-a ser…
                              estéril fica o solo que não é arado.
e és amarras em mim,
        lábios feitos corpo, corpo feito mar,
ondas de beijos em que me transportas,
                             aridez que me sua agora no delírio
de todo tu seres boca em mim.   Alma
 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Deixa que as minhas palavras...


Deixa que as minhas palavras te vistam de Amor e de Ternura.

Deixadas aqui com o teu nome escrito, elas esperam-te, noite fora, quando aqui chegas com subtilezas de ladrão visitando propriedade sua.

E levas-me contigo, durante o meu sono, nessas palavras criadas para ti em forma de beijo, seladas em desejo, resguardadas, junto ao coração.

Elas serão tuas companheiras na solidão das tuas noites. Leva-as aos lábios, ouve-as pronunciadas num sussurro do coração pela minha boca e beija-as como se elas fossem eu.

Contigo, sorrindo, dormirão no aconchego da tua almofada, contra o teu rosto, no gesto de amor que não poderei ser.

Alma

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

... para ti, limite de mim-Palavras

salvador dalí

sinto até ti.

as tuas palavras são o meu limite, o limite das minhas próprias palavras.

e esta sensação física de poder andar contigo a par,

em silêncio

e conheceres todas as minha angústias,

a minha dor,

as palavras que direi, as que terei ainda vontade de dizer.


sorrio… saber que contigo não há barreiras…

                             recebes-me em palavras como me receberias a mim


se eu fosse tua,

se me amasses

se...


e sou de novo ao teu lado, em palavras.

e nesses limites sem fim que és, eu sei que poderei ser quem sou,

alongar-me ao longo do pensamento que conheces,

tocar o  teu sentimento que me completa,

e permanecer inscrita em cada sílaba, em cada intenção-palavra que sou.

e porque a Dor, Hoje, me subjaz e ultrapassa, pega–me no rosto,

penetra-me no olhar que te dou e vê-me por dentro, na essência,

na verdade de quem se inscreve como se dá em acto de Amor por consumar.


                        porque Hoje dói-me esta certeza de não pertencer aqui.

é insuportável este ódio e esta desconfiança que não mereço.


… deixo-me aqui, pura, nas tuas mãos.


                            para ti, que sempre acreditaste em mim.   Alma

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

levanta-se a ponta do véu do Amor...


levanta-se a ponta do véu do Amor e é o sorriso alargado do desejo que nos recebe...

baixa-se a ponta do véu do desejo e é o Amor que nos aquece os dias...

não sei.

se te digo vem, te abro os braços e tu naufragas em mim, que outro sentimento esperar senão o da rendição perdida da união dos corpos?

como é possível resistir ao contacto humano de ti, quando é em oferta que te dás, te entregas, deixando que eu te sinta, sem espaço ou intervalo entre as nossas roupas…

fusão imediata que começa na alma e termina na troca de calor entre tecidos, que já não sei se são de pele se de alma… se de outra coisa, nós ou…

e se os braços se enleiam, se me apertam,  se as mãos se seguram ao recato do ainda novo, do ainda desconhecido, em ternuras à superfície como quem não quer manchar, invadir mas que já não se sustém por muito, pesada a respiração, pesado o cheiro dos corpos, ainda ingénuos, contidos apenas pela troca tépida de temperaturas…

e é a mente, a ideia, a aproximação, o que não conseguimos controlar na inerência e no implícito, e amar - ou desejar? - não só na troca de fragrâncias, de suores crescentes, das já chamas, mas no amor que sentimos pelo que o outro tem de nós em si. e confundem-se as identidades, os corpos, as roupas ignoradas pelo chão e ser-se só um, em profusão, em crescendo, em não poder mais porque já dói, de prazer, ou pelo simples desejo da carne dorida que, de tanto se querer, nunca mais chega…

sou em desejo, em amor.

a descoberto.           Alma