sexta-feira, 28 de outubro de 2011

fui eu...


Deste-me o ombro acolhedor das tuas palavras numa noite que não se adivinhava nossa e fomos o que nos apeteceu ser, incógnitos, secretos fugitivos dos olhares humanos, partilha de ser e estar, numa vontade de saber quem está do outro lado.

Trocámos beijos de experiências de nós, nesse calmo alívio das almas atormentadas que procuram e, no entanto, sabem de si, só não sabem se é o certo que os guia...

E soltei-me nas palavras que te disse, fui Eu, na amargura que não se expõe mas que tu soubeste ler e, sem medos, confiante, dei-te a minha Dor...

E tudo sem fazermos perguntas nem procurarmos respostas. Nós simples, entregues ao outro, olhos nos olhos.     Alma

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu sei que vou te amar.

 Klaudiusz Abramski




Acariciar a sua solidão com dedos de espuma, sussurrar-lhe palavras de mel e de algodão, beber o calor do seu olhar. Mesmo sem ouvir a sua voz, a tranquilidade do seu ser estaria no que adivinho, mesmo que não fizesse um gesto, mesmo que negasse, mesmo que não fosse, eu saberia.

O calor do que ele é chega-me em cada olhar, em cada palavra que não diz, em cada suspiro que não consegue reter. Toco-lhe mesmo sem me mexer.


Não é preciso. Não preciso. Não precisamos.           Alma

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não me deixes!



A vida passou pelo meu lado e deixou-me as sombras que não tardam a envolverem-me, Fica, aquece-me com o teu sorriso, não me deixes ainda, dá-me só mais um pouco da tua voz, dos teus beijos, do teu abraço.

                                         Se eu tivesse negado, se eu tivesse tido a coragem, se eu... Mas não e agora é muito, demasiado tarde. Já sinto o frio, sem ti, a sombra cai...                   ALma

terça-feira, 11 de outubro de 2011

vulcão de desejo...




Acordei e lá estavas tu, invasor da minha noite... do meu sono.

Sem perguntas, afirmaste ser aquele o teu leito, a tua almofada, o teu corpo…

A seguir, estendeste-te para mim, em mim, afundaste-te no meu olhar, na minha boca, no meu corpo,

Falaste de um desejo que desconhecia, do delírio em mim, inocente. E juraste ser aquele o teu lugar...

              (se, rendida, já nem eu sabia qual o meu!...)

Disseste-te meu em eternidade e eu, fora de mim, aceitei-te, desejei-te e possuí-te,

Vazia de vontade, vulcão de desejo…
                    

E em entrega, excessiva, delírio em carne, apenas murmurei,

                                   Sim! sob a tua boca ofegante.                                     Alma


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Doce acordar a teu lado!

...


tão bom este acordar!

entre o sonho de ti e o sono ainda envolvente,

                                         a tua presença desloca-se até mim.

a pressão do teu corpo ao meu lado,

                                         movimentando-me...

a tua mão poisa na pele das minhas costas,

                                         deslizando,

                                                    carícia quente em ritmo de sono.

não me mexo, desejando o que venha a seguir,

                                                    que queiras acordar-me...

a tua respiração em crescendo veloz, junto ao meu ouvido,

                                fala-me de mundos de sentir que estou a aprender,

                                                                                         a conhecer contigo...

sinto-me outra, digna,

neste mundo novo que plantas aos meus pés, a pouco e pouco, comigo...

                 vontade acordada pela suavidade com que dizes o meu nome.
       
pudesse eu resumir o resto da minha existência a essa suavidade,

                                              sem lágrimas, sem tristeza...

como um direito que ainda se tem

como uma vontade que se pode dividir

olhar para as cores da madrugada e vê-la como madrugada

sentir o calor e ver nele vida...


ensinas-me isso tudo, de novo,

                                  como se eu fosse uma menina?    Alma