terça-feira, 29 de novembro de 2011

ardor


Deixa-me soltar este desejo que grita, queima e cinge a alma!

Não esperes, abraça-me!

Invade-me! Reina! Assenhora-te!

Sente o desprender dos membros que se procuram...

Dá-me a tua boca. Crava-me os dentes! E beija-me... Escuta-me a florir.


Vanda Romeu

terça-feira, 8 de novembro de 2011

tu, cumplicidade na ponta dos meus dedos


deixa-me ficar aqui, à sombra das tuas palavras, tu que me aceitas como eu sou, que me queres neste Total em que me tenho construído, sido e debatido...

deixa-me ocupar o teu lado, paralela no gesto, na sombra, no movimento...

aflora as tuas mãos nas minhas,

                 deixa-te ficar em ninho, carícia solene das tuas mãos no meu rosto, sarando o trilho das minhas lágrimas.

eu muda e tu calado. química que se passeia pelos nossos sentidos,

                             em ternura e suavidade.

como eu sonho com umas mãos assim, bálsamo de lágrimas e pele,

                como beijos secos, quentes e dominantes.

                                                   sem mais nada.

e ousar deixar a minha mão na tua,

 o meu sentimento cansado no teu ombro,

            sentires que te amo, delícia segredo, no sorriso que deposito no teu olhar.

e,  se depois, sonhares comigo tua companheira, sabe que pouco tenho para te ser...

      apenas a vida, a eternidade,

                                    a conclusão de uma existência sem tempo.

e todos os dias depositarei os meus lábios nos teus como porta que se abre sem palavras

                           na cumplicidade de apenas nós sabermos um do outro.              Alma

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Minha perdição


deixa-me ser aquele beijo fugidio na espera do semáforo.
o meu braço nos teus rins em abraço que não fica.
e rir, rir sempre no teu rosto que imagino sério,
                             lembrar o teu riso cristalino de homem.
minha pernas que tropeçam nas tuas,
                        fingindo que te abraço,
                        fingindo que acaricio o teu rosto...
deixa-me ser infantil nessa mordidela de lábios,
             procura de língua em plena avenida,
                                                      desacato público...
perdida, tonta e apaixonada.
e deixa-me  ser ainda um abraço nas tuas costas,
                            nessa atitude de quem quer e rejeita...
como é bom sentir-te assim, solto.
...agora…
             
não digas nada, fecha a porta com o pé.
crucifica-me em ventre contra a parede,
                                   molda-te em mim...
tu e eu, o mundo lá fora...
tu e eu... entre nós, nem ar nem limites
isso, assim, marca o compasso do desejo em mim,
sigo os teus movimentos,
                       discípula nesta dança silenciosa.
a tua respiração no meu pescoço,
                        marca de dentes no meu ombro
beijos selvagens em quem de mim não vejo...
apenas sinto e ardo, dançando sempre...
até o grito não se conter
até a rouquidão ferir os tímpanos
até a tua marca por mim,
                                em mãos,
                                saliva e suor
                                     determinar o último fôlego.
tu…
não sei se deus ou demónio
se perdição ou encontro
só sei que me trazes a vida,
a mesma que perdi,
                     que me retiraram e atiraram fora.
turva-se-me a mente,
                      entorpecimento de membros...
… e a palavra, batida de coração que se repete
                                      tua! tua! tua!  Alma