sexta-feira, 2 de novembro de 2012

escrita acordadora




Embriagar-me, ao beber-te.
Saciar-me, ao comer-te.
Perder-me no teu corpo.
Vaguear, partir, ignorando o caminho de volta.
Esquecer-me, memorizar-te.
Contigo quero ser apenas mais uma e, como louca, quebrar todas as regras, transcender todos os limites.
Ultrapassar todas as barreiras.
Quero ser devassa e libertina.
Entregar-me com prazer num vão de escada.
Seduzir-te num elevador.
Deixar que me possuas numa rua qualquer.
Contigo não vejo Amor, contigo não há futuro.
Não há ontem, nem amanhã.
Contigo apenas Quero!

Quero...

Alma

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

tu, vindo do nada...



vindo do nada, empurraste-me a porta da alma e entraste.não sei da tua voz, do teu rosto, de ti inteiro ou em metade. não conheço as tuas  mãos ou as tuas formas. arrebatador, violaste a minha vontade, falas com as minhas palavras, com o meu pensamento, sempre e só no silêncio mudo da página em branco.

escreves em mim  frases minhas que nunca te disse, pela minha voz que nunca te chegou. e tens-me invadido como ladrão que entra em quarto abandonado, incauto...
e assim, de repente, fazes parte da minha vida, sem respeito, sem licença, sem que saibas quem eu sou. 
 
e eu deixo...
quero.

imagino-te na tristeza das tuas palavras, na afinidade do amor que nunca foi reconhecido, do desejo nunca concretizado. e revejo-me em ti, nesta vida de enganos, subtilezas e desenganos.

e falas-me de amor... do que sentirias, do que farias, do quanto sou para ti.
vem, peço-te, até mim mas alma e coração. partilha comigo os meus lençóis, se quiseres,  acaricia-os como se fossem a minha pele, aquece-os com o carinho e a ternura simples dos condenados do amor e deixa-te estar, silencioso. ao meu lado.
e, quando te parecer, toca-me como quem acaricia a alma…

que a minha alma é triste e presa num corpo sempre desejado.

                                                           e, garanto-te, não há nada mais triste…
Alma

terça-feira, 2 de outubro de 2012

despojada do que não me é...



hoje, entrei pela tua porta deixando lá fora tudo quanto pudesse falsear o ser que sou.
entrei pela minha pele, na tua casa, em ti, qual surpresa de uma decisão de quem se cansou da hipocrisia alheia, envolvente, sufocante...
hoje, aqui, sou só eu, comigo. contigo.
esta é a cor da minha pele, dos meus olhos, do meu cabelo, as minhas formas... eu como sou.
aninhar-me-ei, enrolada, num canto do teu sofá, do teu leito, da tua vida. e não me perguntes nada. dá-me só o silêncio ou começarei a chorar.
sabes, às vezes é necessário esquecermo-nos de nós próprios para esquecermos os outros, para esquecermos as injustiças a que eles nos sujeitam…
e, se contigo, sou eu e completa, deixa que assim seja, em silêncio. abraça-me antes, devagar, rodeia-me os ombros, deixa-me afundar o rosto no teu peito, cheirar-te como ser real…


sim, não nego. talvez não consigamos evitar o desejo mas que ele nos invada lentamente, como num roçar, num calor envolvente, de rosto e beijo, de mãos e braços, de dedos e pele inocente.
depois, se quiseres ser terra em mim, invadindo-me, tapando-me, protegendo-me, sê, mas completamente. não deixes que outros me alcancem. não aguentaria outro toque que não o teu, outra vontade dominando-me que não a tua.
e quando o grito se soltar das gargantas e continuarmos a ser só nós em um, sem outros, poderei dizer-te que não preciso de roupa nem de disfarces pois contigo sou quem me conheço.                        Alma

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

lábios-barco, ondas-beijos em mim



na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.

            janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.
 

... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                     entrando na tua intimidade,

                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,

           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...

                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.

… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.

cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,

fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...

                          chora-me de prazer, em loucura como antes…

                                                                               até à dureza dos corpos,

soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,

pela dor de carne macerada .

                                                       deixa-me não parar,

             mas fala sempre,

 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,

                                         seco do mundo, seco do que ouviu.

e se a loucura te dominar, deixa-a ser…

                              estéril fica o solo que não é arado.
                  
e és amarras em mim,

        lábios feitos corpo, corpo feito mar,

ondas de beijos em que me transportas,

                   aridez que me sua agora no delírio

                                                      de todo tu seres boca em mim.     Alma

segunda-feira, 18 de junho de 2012

a tua presença...



és o fechar das minhas noites
e a alvorada das minhas manhãs,
em promessas loucas de amor e desejo.
és vontade e aconchego,
protecção e ternura.
e eu embriago-me nesse mar de tranquilidade,
deixo-me embalar pelo vigor do homem que assim faz de mim menina,
sonhando com o meu lado de mulher.
e seremos nós pelo mapa do amor:
tu, pelas minhas curvas e voltas,
eu, pelo circuito do desejo em que me perderia contigo.
  
Alma

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Altar a tua Paixão


Hoje, em pensamento, entrei nesse santuário que tantas vezes idealizei partilhar contigo... 

Acariciei a suavidade cheirosa do tecido lavado, mergulhei o rosto na lisura do algodão e espreguicei-me nele, felinamente estendida.

Ao meu lado,o teu corpo pressentiu o calor do meu, mexeu-se... voltaste-te,  tua pele fixou-se na minha e cobriu-me... macia, perfumada, morna, envolvente...

E fui altar da tua paixão, dos nossos corpos em diálogo mudo.                      Alma

quinta-feira, 3 de maio de 2012

movimentos de paixão


amor que quisera...

                         ou que viesse...

                                           e foste tu.

tocou-me o calor da tua sombra,

                 o teu mundo aos meus pés

                                  chamando-me sua...

                                                  que tua serei quando os teus braços me encerrarem.

                                           

                               e que loucuras trazes tu nesse teu silêncio que só o teu olhar trai!

procura o meu sentimento,

                                      o lado carente que reconheces na linha da minha boca

                  e grita beijos que me derretam,

                                         que me calem a dor e me renasçam noutra.

                                                               talvez aquela sonhada por alguém que me  rejeitou,

                                      ou a outra em que acreditaram e deixaram fugir.

                    ou deixa-me ser apenas eu-contigo

                                                                                       nessa ânsia com que

                                                      te abraço,

                                                                                   te puxo

                                       e me dou.

                                                                 por inteiro.        Alma

sábado, 10 de março de 2012

simplesmente... desejo!




se no roçar da minha vontade pela pele do teu rosto eu despertasse em ti o desejo de respirares ofegantemente, comigo, em coro, até ao grito final que seria a rendição consensual dos nossos corpos e almas...

se eu conseguisse que sentisses não apenas o que denuncias em palavras, em vontades imaginadas criadas para quem te ouve, mas para quem te sente assim, por dentro, desconhecido que na minha vida, na minha pele e carne assim se inscreveu com a determinação de uma impressão digital que me descontém, me traz perdida, me faz abandono das minhas certezas, do meu recato e me traz  arrastada pelas ruas do prazer, como se outra força não houvesse se não a da sua voz e a sombra do seu rosto, e o não sei quê do seu sorriso, do seu cheiro ... tu-Todo!

ah! se eu conseguisse amar todas as tuas horas e minutos, transformá-los em sorrisos, em deleites, sem rugas de testa, sem olhares vazios e ser beijo em cada um dos teus movimentos, durante o teu sono, … e sempre…

e ser tua, na aceitação suprema do delírio em que me transformas e em que eu me rendo só para te dar a certeza de que sou mesmo eu e não o eco do que tu conheces e me estranha…

… como agora, quando sufocas-me o grito e explodes-me por dentro.

Alma

domingo, 26 de fevereiro de 2012

sintir-te num sinto-me


Ele,

que antes foi Palavras, Sorrisos, Bálsamos do que nos falhou pela Vida, em Sangue pois sempre acreditámos no Horizonte, com a força da Alma que preconiza dias melhores, os seguintes, os que se quiserem.

        vem pois, Abraço prometido e Meu, dono do meu sim, do meu não, jurados na singeleza da Partilha que só é possível quando se encontraram parte das respostas e se colocam novas perguntas... e sermos Desejo nascido na Solidão, do Prazer perdido pela Incompreensão, quando os abismos pensam que se cumprem e nós os negamos.

nada é Terminal, tudo é Começo, Fonte e Vida.

       tu, Simplicidade que transporta consigo o cheiro de Pele, não sentida ainda, virgem das carícias que gastámos por aí... e poder Ser, Ser-te, Amar, Amar-te de novo, Reconstruída, Inédita, como se a Alma fosse de novo Pura, como se o Corpo se renovasse e o Fogo se atiçasse na simples Luz desse Olhar.

   no Depois…

        sentir-te e Mulher em cada carícia, em cada olhar com que me envolves, nos braços que me estendes, suadas as mãos pela espera. e sou mudez pois somos Palavras gastas, não como no poema mas antes na espera da Possibilidade, que Criámos, que Ousámos.

porque neste, como em qualquer outro momento da Vida, só não se consegue aquilo  que não se quer verdadeiramente.

                                                     como eu te quero...

Alma

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

contigo, apetece-me ser...


macia;
                                           como o veludo.

terna;
                        como um abraço.

luminosa;
                                              como a luz mais natural.

quente;
                                     como a natureza.

tranquila; 
                                              como o entardecer.

                                                                         depois, não serei mais nada!


ou talvez ainda...

Mulher;         
                      em ombro, olhar e sorriso.

Amiga;        
                                em mão, ouvidos, palavras.

Amante                          
                                           à tua medida. simplesmente.    Alma

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

sê amor comigo...



fala-me de Amor ao ouvido, em silêncio.
sê esse sussurro terno que me arrepia a pele sem toque mas com a verdade toda e inteira da tua alma.
o mundo não precisa de saber de nós, do desejo, da paixão-conquista num entrelaçar rápido de olhares e de dedos...
conjuga só para mim esse verbo que repetes sem cessar, não ao mundo, mas em mim, como pedra cinzelando, gravando a carne, despertando a vontade e o desejo de outrora...
... para que eu não me sinta tão só...
... para que não me reconheça nesse quem esquecido...
... como se eu  fosse em ti e não apenas mais um mero assistente de mim em ti, presença obrigatória na primeira fila do aplauso...
eu não sou assim, não sei ser assim.
prefiro manter-me esquecida, lembrada apenas por quem acompanha.
... e sinto que me esvaio por entre os teus dedos.         Alma

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Paixão e Desejo


entre a Sombra e a Luz…
a Alma não pára, o Desejo redobra…
se pudesse rasgar a madrugada amanhã, a que virá nossa,
ser outra,
           tu seres outro,
                      sermos diferentes e iguais como aqueles que se amam,
por entre lençóis abandonados
                                  pelo chão pela cama pelos corpos
retratos vivo da paixão,
                              da pura,
lícita
ou da outra
…a que fosse
sem dor,
sem uso,
sem gasto nem hábito
e ser outra todos os dias
                                                    para ti e só para ti
e tu partires à descoberta de mim,
abandonado o gasto cais,
o da estagnação…
do hábito…

e eu reinventar-te entre os meus braços
anel na tua cintura, curva louca em delírio sob ti…

e dar-te um nome, meu
eu, sem ser, perdida,

                   com apenas esta vontade de ser tua.    Alma

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Contigo, até à dormência dos sentidos


pesam-me as palmas das mãos, suadas na ansiedade de ti.

em movimentos circulares, aperto a pele até à carne, ao osso, à dor que os teus olhos acusam e a tua boca deseja.

fricciono-te em bálsamo de esquecimento e procuro olhar-te de frente e ver a tua alma. penetro-te, invado o teu sentimento e perscruto em ti o desejo de continuação…

e ouso, ouso em carícias de rosto, de língua, percorrendo a zona ferida pelo desejo. subo-te as mãos pelos braços, abertas em roçarem-se, sentindo cada rigidez, cada pormenor, como quem bebe água fresca directamente da fonte, numa sede que nunca se mitiga.

procuras-me os braços que prendes atrás das costas e, imóvel, cedo à tua vontade contra mim. sinto o ritmo acelerado da tua respiração, violando-me o ouvido, conduzindo agora o ritmo do meu corpo, acelerando-o com o teu.

e sou agora gemido ao teu ouvido, misturando-me nos sons da tua respiração, num esfregar de bocas e rosto, perdidamente molhados, confusos, ébrios...

… tal como o resto de nós de que vamos perdendo lenta consciência, até à dormência dos sentidos.          Alma

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Se te desejo, desejo meu...


              olhando-o, ela disse,

                                                     sabes, quando olho para ti, desejo-te.

não te desejo pelo que vejo mas pelo que sei de ti. mesmo quando olho para pequenos pormenores que te desagradam em ti, desejo-te.

desejo ter só para mim esses cabelos brancos que lamentas, as rugas junto aos olhos que analisas ao espelho e que  me dizem que és um homem maduro, vivido, ferido por dentro talvez…

e é ainda esse o mesmo desejo que despertas com a ternura com que me abraças e em que acordo todos os dias contigo ao meu lado.

                                                é assim o meu desejo por ti com Amor,

             o mesmo Amor com que te desejo.        Alma