terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Paixão e Desejo


entre a Sombra e a Luz…
a Alma não pára, o Desejo redobra…
se pudesse rasgar a madrugada amanhã, a que virá nossa,
ser outra,
           tu seres outro,
                      sermos diferentes e iguais como aqueles que se amam,
por entre lençóis abandonados
                                  pelo chão pela cama pelos corpos
retratos vivo da paixão,
                              da pura,
lícita
ou da outra
…a que fosse
sem dor,
sem uso,
sem gasto nem hábito
e ser outra todos os dias
                                                    para ti e só para ti
e tu partires à descoberta de mim,
abandonado o gasto cais,
o da estagnação…
do hábito…

e eu reinventar-te entre os meus braços
anel na tua cintura, curva louca em delírio sob ti…

e dar-te um nome, meu
eu, sem ser, perdida,

                   com apenas esta vontade de ser tua.    Alma

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Contigo, até à dormência dos sentidos


pesam-me as palmas das mãos, suadas na ansiedade de ti.

em movimentos circulares, aperto a pele até à carne, ao osso, à dor que os teus olhos acusam e a tua boca deseja.

fricciono-te em bálsamo de esquecimento e procuro olhar-te de frente e ver a tua alma. penetro-te, invado o teu sentimento e perscruto em ti o desejo de continuação…

e ouso, ouso em carícias de rosto, de língua, percorrendo a zona ferida pelo desejo. subo-te as mãos pelos braços, abertas em roçarem-se, sentindo cada rigidez, cada pormenor, como quem bebe água fresca directamente da fonte, numa sede que nunca se mitiga.

procuras-me os braços que prendes atrás das costas e, imóvel, cedo à tua vontade contra mim. sinto o ritmo acelerado da tua respiração, violando-me o ouvido, conduzindo agora o ritmo do meu corpo, acelerando-o com o teu.

e sou agora gemido ao teu ouvido, misturando-me nos sons da tua respiração, num esfregar de bocas e rosto, perdidamente molhados, confusos, ébrios...

… tal como o resto de nós de que vamos perdendo lenta consciência, até à dormência dos sentidos.          Alma

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Se te desejo, desejo meu...


              olhando-o, ela disse,

                                                     sabes, quando olho para ti, desejo-te.

não te desejo pelo que vejo mas pelo que sei de ti. mesmo quando olho para pequenos pormenores que te desagradam em ti, desejo-te.

desejo ter só para mim esses cabelos brancos que lamentas, as rugas junto aos olhos que analisas ao espelho e que  me dizem que és um homem maduro, vivido, ferido por dentro talvez…

e é ainda esse o mesmo desejo que despertas com a ternura com que me abraças e em que acordo todos os dias contigo ao meu lado.

                                                é assim o meu desejo por ti com Amor,

             o mesmo Amor com que te desejo.        Alma