quinta-feira, 4 de outubro de 2012

tu, vindo do nada...



vindo do nada, empurraste-me a porta da alma e entraste.não sei da tua voz, do teu rosto, de ti inteiro ou em metade. não conheço as tuas  mãos ou as tuas formas. arrebatador, violaste a minha vontade, falas com as minhas palavras, com o meu pensamento, sempre e só no silêncio mudo da página em branco.

escreves em mim  frases minhas que nunca te disse, pela minha voz que nunca te chegou. e tens-me invadido como ladrão que entra em quarto abandonado, incauto...
e assim, de repente, fazes parte da minha vida, sem respeito, sem licença, sem que saibas quem eu sou. 
 
e eu deixo...
quero.

imagino-te na tristeza das tuas palavras, na afinidade do amor que nunca foi reconhecido, do desejo nunca concretizado. e revejo-me em ti, nesta vida de enganos, subtilezas e desenganos.

e falas-me de amor... do que sentirias, do que farias, do quanto sou para ti.
vem, peço-te, até mim mas alma e coração. partilha comigo os meus lençóis, se quiseres,  acaricia-os como se fossem a minha pele, aquece-os com o carinho e a ternura simples dos condenados do amor e deixa-te estar, silencioso. ao meu lado.
e, quando te parecer, toca-me como quem acaricia a alma…

que a minha alma é triste e presa num corpo sempre desejado.

                                                           e, garanto-te, não há nada mais triste…
Alma

terça-feira, 2 de outubro de 2012

despojada do que não me é...



hoje, entrei pela tua porta deixando lá fora tudo quanto pudesse falsear o ser que sou.
entrei pela minha pele, na tua casa, em ti, qual surpresa de uma decisão de quem se cansou da hipocrisia alheia, envolvente, sufocante...
hoje, aqui, sou só eu, comigo. contigo.
esta é a cor da minha pele, dos meus olhos, do meu cabelo, as minhas formas... eu como sou.
aninhar-me-ei, enrolada, num canto do teu sofá, do teu leito, da tua vida. e não me perguntes nada. dá-me só o silêncio ou começarei a chorar.
sabes, às vezes é necessário esquecermo-nos de nós próprios para esquecermos os outros, para esquecermos as injustiças a que eles nos sujeitam…
e, se contigo, sou eu e completa, deixa que assim seja, em silêncio. abraça-me antes, devagar, rodeia-me os ombros, deixa-me afundar o rosto no teu peito, cheirar-te como ser real…


sim, não nego. talvez não consigamos evitar o desejo mas que ele nos invada lentamente, como num roçar, num calor envolvente, de rosto e beijo, de mãos e braços, de dedos e pele inocente.
depois, se quiseres ser terra em mim, invadindo-me, tapando-me, protegendo-me, sê, mas completamente. não deixes que outros me alcancem. não aguentaria outro toque que não o teu, outra vontade dominando-me que não a tua.
e quando o grito se soltar das gargantas e continuarmos a ser só nós em um, sem outros, poderei dizer-te que não preciso de roupa nem de disfarces pois contigo sou quem me conheço.                        Alma